Instruções para a leitura desse post:
- Ele é pessoal mas isso não tira seu direito de discordar, apenas faz com que eu não dê a mínima pro que você acha. Mas vou apagar comentários anônimos que discordarem. Seja homenzinho.
- Tudo que eu construí – e fui eu que construí – foi na base de muita luta. Caminhei pra chegar até aqui. Por isso desrespeito não será tolerado.
- Eu entendo se você gostar menos de mim depois disso.
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Uma vez meu pai disse uma coisa que não consegui esquecer:
“Religião deveria ser um braço da filosofia. Não um estilo de vida”.
Sempre que eu penso nisso, lembro da Igreja Católica, inquisição, “só o que eu digo é correto e se você não curte ou se eu achar que você não curte, não tem problema: você vai pra forca/fogueira, o que for mais dramático”.
Tão político. A Bíblia foi escrita e reescrita por homens (Deus não manda fax, amigos) para coordenar homens. “Seja bonzinho”, “Não peque senão vai pro inferno”, “Obedeça a mim, padre, porque eu sei mais que você”, etc. Um instrumento de dominação de massa.
Aí as pessoas falam pra mim “É verdade, a Igreja Católica já errou muito… mas é passado, né?”.
Alou, vocês seguem um livro de dois mil anos de idade.
Isso não faz o menor sentido pra mim.
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Já fez sentido um dia. Eu procurei um sentido. Como alguém que quer tanto que a pessoa nova seja legal que se apaixona cegamente e nega os defeitos – mas não tem jeito: uma hora a ilusão dissipa e você se pergunta “O que estou fazendo aqui?”.
Daí eu disse “Malz aí, namorado evangélico [sim, do católico fui pro evangélico], mas eu acho que Deus não me fez pra ser um fantoche dele. Acho que ele me fez pra eu ser alguém, eu mesma”.
Minha ex-sogra falava “O pior não é quem se batiza: mas quem sai da igreja. Coisas horríveis acontecem”. Ahnm… É mesmo… ter a vida na própria mão é tenebroso: toda a culpa das coisas que dão errado é minha e sempre que eu preciso melhorar alguma coisa eu tenho que correr atrás dela porque ela não vai cair do céu.
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Gosto muito de Nárnia. Porque Nárnia é um livro muito bonito, cheio de lições de moral valorosas como ser corajoso, ser bom, falar a verdade, ser nobre, ajudar as pessoas e outras coisas fofas que fazem a gente refletir nossa própria atitude e apesar de tudo isso, é só uma ficção inofensiva.
Deveria ser para fazer as pessoas melhores, certo? Sinceramente, acho que ser uma pessoa boa ou ruim não depende de uma seita religiosa. Depende de valores. E você aprende valores em qualquer lugar.

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Quando tudo acabou eu achei que estivesse no mesmo lugar: sem religião nenhuma, sem saber no que acreditar, sem ver culto de nenhum tipo. Então eu entendi: não ter religião é uma escolha que me caiu bem. Eu pude juntar o pai-nosso daqui com os fantasminhas de lá e tô super feliz com isso.
Além da super vantagem de não perder meu tempo explicando isso pra ninguém. Diferente dos ateus da minha timeline do twitter que querem converter as outras pessoas. Isso dá exatamente na mesma, vocês estão fazendo exatamente a mesma coisa que os cristãos.
Não tente me convencer a ir pra religião nenhuma. Eu tenho meus doces favoritos, não importa o quanto você diga, eu odeio maria mole e suco de laranja.