Natal

Algumas coisas mudaram. E eu tenho vergonha de dizer, porque se elas mudaram é porque não eram assim antes.

O fato é que agora os presentes são a última coisa que me importam em datas comemorativas. Não para dar (sobre isso me importo até demais, fiquei louca esse natal) mas para receber. Não me importo com o que vou receber. O que foi meio frustrante pro meu pai, acho.

Meu pai gosta de dar presentes – e presentes caros. Quanto mais caro, mais ele passa o amor pela pessoa. Eu ganhei uma multi-funcional da HP que funciona totalmente na nuvem, é incrível. Um site gerencia tudo. E ela não tem fio, então posso mandar coisas imprimirem em qualquer lugar da casa. Genial, do futuro.

É só que… a comida… a ansiedade, as piadas, as músicas ruins… Isso vale tanto mais, sabe? Eu não ligo que ganhei de multi-funcional até par de meias. Eu já tenho tudo físico que jamais sonharia em ter.

(e ainda assim preciso mobiliar uma casa inteira, omg, isso me deixa louca sabia?)

Já que não tenho nada de que me orgulhe pra falar sobre a parte física do natal, falar sobre a parte religiosa é ainda pior. Digo, até que fui bem religiosa em 2012. Só que fui escolher justo o espiritismo. No espiritismo não adianta nada você tirar 9 em uma prova e não colocar tudo em prática.

O fato é que ainda não me sinto pronta para um trabalho voluntário; ao mesmo tempo, tudo parece me empurrar para tal, e me cobrar uma atitude neste sentido.

O que 2013 espera pra mim?

E eu, que gosto de Deus?

Como outras modas, tipo instagram, nutela e bacon, ser ateu é quase requisito básico da minha timeline do twitter. Por que?

Desde o Iluminismo, com o fim da Idade Média, temos bons motivos para não sermos mais católicos (como, por exemplo, não é mais mortal acreditar em outra coisa ou não acreditar em nada).

Eu concordo, inclusive, com a maioria dos argumentos dos ateus da timeline: a busca pela verdade, a ovelhização da humanidade, a raiva com isso de abaixar a cabeça para tudo, a mania de esperar que tudo de bom cai do céu e tudo de ruim veio do inferno.

Mas Deus não é uma religião. A religião impõe as regras. Regras feitas pelos homens. Homens que tem falhas e cabeça pequena como todos os outros homens. Nada de divino.

Do homem para o homem

Deus, pra mim, é uma energia. É um tipo de amor maior. Uma coisa que eu já senti vindo até de ateus. Ateus de bom coração.

E da mesma forma que existem, para desespero dos religiosos, ateus de bom coração, Deus existe para mim. E eu rezo para ele todas as noites e ele tem grande papel na minha recuperação.

Então por que não? Não me limita: me expande. Não tira as responsabilidades da minha mão: me ajuda seja lá qual for a escolha que eu fizer. Não me recrimina por quem eu sou, diferente de todos os humanos que eu conheço.

Claro que isso não é obrigatório nem formador de caráter. É uma opção minha. Eu escolhi acreditar em Deus. Percebi que é uma coisa que me faz mais bem que mal. Acho esse assunto tão pessoal que talvez nunca devesse ter escrito esse post.

Sua superioridade. Seu egoísmo. Nosso mundo.

O egoísmo humano é algo impressionante. Junto ao sentimento de superioridade característico de nossa espécie, é uma forma primitiva e ao mesmo tempo eficiente de analisar os males do mundo. Não aqueles que saíram da caixa de Pandora, mas os que nos assombram diariamente e sempre o fizeram ao longo da nossa História.

Estava eu assistindo e torcendo para o meu time e ao mesmo tempo com Twitter e Facebook abertos. Eis que eu vejo a multiplicação de posts: não torcendo para seus times, e sim contra o que estava em campo. Me vieram a mente todas as brigas em bares, ruas, estádios,  inquérito para acabar com torcidas organizadas… enfim, o dia-a-dia que nem assusta mais.

Vejamos, todo torcedor (de verdade) tem certeza absoluta que seu time é o melhor. Logo, sua escolha é melhor, e isso consequentemente faz dele uma pessoa superior e com o direito de impor esta superioridade e subjugar os ignorantes que fizeram outras escolhas, algumas vezes de forma violenta (moral e/ou física). Ah, não tem time? Ok, mudemos o cenário:

Religião: a sua é correta/ verdadeira, logo, sua escolha é melhor, e isso consequentemente lhe faz uma pessoa superior e com o direito Divino de impor esta superioridade e subjugar os ignorantes que fizeram outras escolhas, MUITAS vezes de forma violenta. O mesmo vale para quem não tem religião, já que continua a mesma certeza de superioridade, desta vez por não acreditar em algo ou em nada.

Faça esta substituição (que nem nos probleminhas de matemática do colégio, lembra?) agora com posicionamentos políticos e superioridade étnica e encontre os maiores massacres da humanidade, Holocausto, KKK, IRA, e por ai vai, até chegarmos às recentes ditaduras (há! vocês queriam um post sobre o Egito né?) que só precisaram de um líder que fez seu povo acreditar que estava correto um sentimento já existente, o de Superioridade. Ai bastou uma pitada de egoísmo, uma crise econômica e BOOM!, direto para os livros do Ensino Médio.

O que eu quero dizer com tudo isso? Simples: minha fé na humanidade se perde em pequenos gestos. Pequenos tweets de 140 caracteres me mostram o quão longe estamos de superar nosso passado sombrio. Não são em declarações, doações e frases feitas que cada um mostra do que é feito: são em pequenos detalhes que ninguém pensa antes de falar/escrever que sua natureza aflora. Uma amizade parece perder seu brilho diante da oportunidade de reafirmar sua superioridade, e isso é tão generalizado que aparentemente poucas pessoas procuram ver o que está além da decepção com seu próprio time e a tristeza da perda.

Não precisa parar de torcer, pode falar mal a vontade do meu time também, só não custa nada pensar um pouquinho em que tipo de pessoa você está se tornando, e que mundo estamos construindo antes de falar como o está tudo perdido e se chocar com WikiLeaks.

Letícia Roma é estudante de advocacia e quis desabafar no Compulsive.

Religião, hoje, por Marta Preuss

Instruções para a leitura desse post:

  1. Ele é pessoal mas isso não tira seu direito de discordar, apenas faz com que eu não dê a mínima pro que você acha. Mas vou apagar comentários anônimos que discordarem. Seja homenzinho.
  2. Tudo que eu construí – e fui eu que construí – foi na base de muita luta. Caminhei pra chegar até aqui. Por isso desrespeito não será tolerado.
  3. Eu entendo se você gostar menos de mim depois disso.

***

Uma vez meu pai disse uma coisa que não consegui esquecer:

“Religião deveria ser um braço da filosofia. Não um estilo de vida”.

Sempre que eu penso nisso, lembro da Igreja Católica, inquisição, “só o que eu digo é correto e se você não curte ou se eu achar que você não curte, não tem problema: você vai pra forca/fogueira, o que for mais dramático”.

Tão político. A Bíblia foi escrita e reescrita por homens (Deus não manda fax, amigos) para coordenar homens. “Seja bonzinho”, “Não peque senão vai pro inferno”, “Obedeça a mim, padre, porque eu sei mais que você”, etc. Um instrumento de dominação de massa.

Aí as pessoas falam pra mim “É verdade, a Igreja Católica já errou muito… mas é passado, né?”.

Alou, vocês seguem um livro de dois mil anos de idade.

Isso não faz o menor sentido pra mim.

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Já fez sentido um dia. Eu procurei um sentido. Como alguém que quer tanto que a pessoa nova seja legal que se apaixona cegamente e nega os defeitos – mas não tem jeito: uma hora a ilusão dissipa e você se pergunta “O que estou fazendo aqui?”.

Daí eu disse “Malz aí, namorado evangélico [sim, do católico fui pro evangélico], mas eu acho que Deus não me fez pra ser um fantoche dele. Acho que ele me fez pra eu ser alguém, eu mesma”.

Minha ex-sogra falava “O pior não é quem se batiza: mas quem sai da igreja. Coisas horríveis acontecem”. Ahnm… É mesmo… ter a vida na própria mão é tenebroso: toda a culpa das coisas que dão errado é minha e sempre que eu preciso melhorar alguma coisa eu tenho que correr atrás dela porque ela não vai cair do céu.

***

Gosto muito de Nárnia. Porque Nárnia é um livro muito bonito, cheio de lições de moral valorosas como ser corajoso, ser bom, falar a verdade, ser nobre, ajudar as pessoas e outras coisas fofas que fazem a gente refletir nossa própria atitude e apesar de tudo isso, é só uma ficção inofensiva.

Deveria ser para fazer as pessoas melhores, certo? Sinceramente, acho que ser uma pessoa boa ou ruim não depende de uma seita religiosa. Depende de valores. E você aprende valores em qualquer lugar.

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Quando tudo acabou eu achei que estivesse no mesmo lugar: sem religião nenhuma, sem saber no que acreditar, sem ver culto de nenhum tipo. Então eu entendi: não ter religião é uma escolha que me caiu bem. Eu pude juntar o pai-nosso daqui com os fantasminhas de lá e tô super feliz com isso.

Além da super vantagem de não perder meu tempo explicando isso pra ninguém. Diferente dos ateus da minha timeline do twitter que querem converter as outras pessoas. Isso dá exatamente na mesma, vocês estão fazendo exatamente a mesma coisa que os cristãos.

Não tente me convencer a ir pra religião nenhuma. Eu tenho meus doces favoritos, não importa o quanto você diga, eu odeio maria mole e suco de laranja.

Pra não falarem que é birra minha

Uns satanistas idiotas mataram quatro adolescentes, deram 666 golpes, cozinharam e comeram uns pedaços. Depois interraram o resto e colocaram uma cruz de cabeça pra baixo no local.

Ainda me tem a pachorra de falar que “Satã vai me tirar dessa, já fiz muitos sacrifícios por ele” e “Cansei de pedir a Deus pra ficar rico.”

Li daqui: http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/post.asp?cod_post=126508
(eu assino esse RSS porque é divertido, sempre tem algo bizarro, mas esse não foi divertido.)

As pessoas devem ficar meio injuriadas comigo quando eu dou piti contra evangélico, mas note: eu odeio toda religião que tira a responsabilidade da sua vida das suas mãos e dá pra Deus, Demônio ou qualquer outra entidade motherfuker.

Tu quer ficar rico? Estuda, trabalha e vá ser alguém na vida. 

Tu quer se livrar de uma fria? Resolva o problema e encare de frente. Se você tá errado, parabéns, você se fudeu, aprenda a lição.

Pra Deus a gente pede coragem, força, garra, paciência. E vem atravez dos nossos pais, amigos, companheiros de vida que estão lá te abraçando e dando a mão pra passar por aquele momento difícil.

Assim, Deus nunca vai me desapontar. A minha vida é problema meu. E o meu Deus me criou pra eu ter vida e seguir em frente. Mas a vida é minha, não é Dele. 

Assiste Zeitgeist, assiste Quem Somos Nós e tome nas suas mãos as suas culpas. 

(esse é um pedaço do post sobre religião que eu falei que ia fazer. Mas ainda não é tudo.)