Esse é um tema abrangente. Doenças mentais vão desde autismo a depressão, passando por manha e outras coisas que nos confundem. Ninguém gosta de quem sai do padrão e ninguém gosta de gente doente, e doentes mentais são as duas cosias.
Meu tio era deficiente mental. Ele tinha uma mente de cinco anos de idade e a gente cuidava dele muito de perto, mesmo que ele se virasse sozinho para quase tudo. Casos como ele e os mais graves, que a gente vê na TV, ou os velhinhos com alzheimer, merecem, no mínimo, todo nosso respeito e amor. Todo nosso carinho, cuidados, remédios, transporte necessários. São doentes e precisam de cuidados. Todo mundo sabe disso e, nesses casos, o respeito é óbvio e claro.
As outras doenças psicológicas, mais chamadas de transtornos por serem curáveis e passarem relativamente rápido em comparação a uma vida inteira, são muito mal julgados.
Antes de eu mesma entrar em depressão, mal entendia. Parecia frescura. Não parecia que a pessoa estava totalmente impossibilitada de fazer qualquer coisa que fosse.
Então aconteceu comigo: uma crise de depressão biológica. Como o nome sugere, minha depressão (ao que parece até agora) é de causas puramente químicas. Eu tinha pré-disposição genética e uma homeopatia floral (eu não acredito muito em homeopatia mas depois de tomar conhecimento de uns milagres, deixa, vai) desencadeou a danada.
A cura? Remédios. Simples assim. Eu sei lidar com a minha vida, traçar meu caminho, conseguir minhas coisas, mas fico triste porque a química do meu cérebro está errada. Ter vontade de morrer/se matar não é normal, e toda pessoa que passa por isso necessita de ajuda médica séria.
Uma coisa curiosa é que, enquanto crises que me faziam chorar o dia todo, sair do trabalho, xingar muito no twitter e ficar dias sem pentear os cabelos aconteciam, muitas pessoas que eu nunca esperei que fizessem tratamento surgiram contando sobre seus terapeutas. Foi assim, inclusive, que achei a minha. Me recomendaram a ABPS, que faz uma triagem com os pacientes, e achei uma psicóloga que me fez muito bem (e me recomendou livros ótimos!).
Mas achei estranho que tanta gente passasse por algo tão delicado e não contasse. Em alguns casos, entendo que tudo que a gente mais quer é não ser tratado como coitado, que quer sair do buraco e quando as pessoas sabem, acabam ficando com dó e só pioram tudo querendo ajudar. E o preconceito: mesmo que estejamos em pleno 2011, declarar abertamente que toma remédios como Prozac e Rivotril (faixa preta) é ser alvo de chacotas.
Peralá, pessoal: você acha que eu tomo um remédio desses porque eu curto? Você acha que um médico olhou pra mim, pensou “Ah, você tomou café demais hoje, vai.” e me deu duas receitas (porque é remédio controlado, uma receita fica com a farmácia), correu o risco de me viciar em algo como Rivotril porque tinha outra opção?
Outro dia chegaram a comparar tais remédios com drogas ilícitas como maconha. Sabe, você fuma maconha porque quer. Não tem uma só pessoa viva que tome antidepressivos porque acha maneiro contar para as pessoas que é doente. Porque se fosse só isso, elas não teriam a receita de qualquer forma.
Doenças não precisam de preconceitos. Precisam de esclarecimento. Precisamos falar sobre elas e explicar aos desavisados que é uma fase muito mais difícil e chata do que parece. E que “aquela louca da fulana que toma Prozac” precisa disso para não se matar.
Leitura complemetar: Um apelo: parem de falar mal de psiquiatras e remédios psiquiátricos.
Trivia: Você sabia que o eletrochoque é utilizado desde 1930 até hoje? O procedimento é realizado com anestesia geral e é completamente seguro, utilizado no tratamento da depressão severa, esquizofrenia, entre outros. (mas eu confesso que é um dos meus pavores). Fonte: wikipedia (então pode ser mentira, né?)




