Muita gente me pergunta “Poxa, Marta, você sumiu da internet! Cadê você? O que aconteceu?”. Bem, eu sofri um acidente.
Não adianta me perguntar que acidente: não tem o que me faça lembrar, e confesso que não me esforcei muito também. De repente estava tudo escuro, silencioso, morto. Aí eu dei um berro, me virei no chão e dei outro berro. Não sei o que doía, mas doía muito. Aí veio a ambulância.
Me levaram pro hospital das Clínicas, porque o acidente foi perto da Paulista, mas não tenho certeza de onde. Não tenho as primeiras memórias, mas teve dor, exames, minha irmã, muita gente, mais dor e mais exames.

Resumo da ópera: quebrei pé, fêmur e trinquei coluna. Colocaram uma tala no meu pé e fui operar o fêmur.
Sabe, quando você quebra um osso grande tipo o fêmur, o osso solta um tipo de gordura no sangue. Quando operei para colocar um ferro na perna, essa gordura resolveu que meu pulmão era um bom lugar pra ficar, causando uma embolia gordurosa. Fui pra UTI, quase sem respirar.
Ficar sem respirar foi a pior parte desse mês inteiro. Eu achei que fosse morrer, eu tive muito medo de morrer. Ficar sem ar, não conseguir tomar banho na cama, o respirador não ser suficiente… é desesperador.
Mas graças aos remédios, aos médicos e a Deus (recebi orações demais para não agradecer a Ele) o pulmão foi limpando. Depois de 14 dias, sentei na cama pela primeira vez. Tomei café da manhã com as perninhas de fora. Foi muito emocionante. E recebi alta da UTI.
Depois, operar o pé foi fácil. Dois pinos no osso de sustentação do pé. Vou ficar uns meses sem pisar no chão, mas lá pra janeiro pretendo estar andando sem muletas.
Fui pra casa. Uso um colete ortopédico pela trinca na coluna. Cadeira de banho pra ir ao banheiro. Essas coisas, a gente até acostuma rápido. Minha família tem me dado toda força do mundo. Os amigos e o namorado, então, nem se fala.
No segundo dia em casa, tudo do meu pescoço pra baixo doía. Por eliminação, notei que era a barriga que doía. À noite, pedi para voltar ao pronto-socorro. Era uma dor penetrante, aguda, que ouso dizer que era tão forte quanto a do fêmur quebrado.
Fomos ao hospital, dessa vez mais perto de casa, tomei remédios e fiz exames. Deu uma alteração e orientaram a voltar dois dias depois para ver. Me deu febre e fiquei internada novamente.
Colite é uma infecção intestinal. Talvez seja reflexo dos 20 dias no primeiro hospital, talvez reação dos remédios caros que meu pai comprou e só tomei um.
Fiz tomografias, tomei muito antibiótico, vomitei e tive muita diarréia mas, novamente, graças aos remédios, médicos, diagnósticos e a Deus, foi passando.
Ontem tive alta. Escrevo esse post de casa, sentada na cama. Ainda tenho soluços como sequela do pulmão, minha coluna ainda dói, não consigo dobrar a perna além de 90 graus, não ando, nunca comi tanta sopa e gelatina, mas as dores são poucas. Estou cansada e fraca e ainda não consigo fazer a festinha que queria para receber os amigos em casa.
Mas nunca, nunca fui tão grata pela vida. Recebi uma segunda chance, e não vou desperdiçar.
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Dois meses depois do acidente, me foi permitido colocar o pé no chão. Ainda tenho intestino solto pela colite e vou fazer mais exames :/
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Amanhã faço quatro meses de acidente. E quem diria! Estou super bem.
Meu intestino tem diverticulose, que já expliquei mais pra frente. Tá normal e bem.
Eu ainda manco pelo frio mas já ando normalmente, sem muletas nem a bota.
E já estou trabalhando!
Sou muito feliz e muito grata por tudo ter passado tão rápido :)
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