Natal

Algumas coisas mudaram. E eu tenho vergonha de dizer, porque se elas mudaram é porque não eram assim antes.

O fato é que agora os presentes são a última coisa que me importam em datas comemorativas. Não para dar (sobre isso me importo até demais, fiquei louca esse natal) mas para receber. Não me importo com o que vou receber. O que foi meio frustrante pro meu pai, acho.

Meu pai gosta de dar presentes – e presentes caros. Quanto mais caro, mais ele passa o amor pela pessoa. Eu ganhei uma multi-funcional da HP que funciona totalmente na nuvem, é incrível. Um site gerencia tudo. E ela não tem fio, então posso mandar coisas imprimirem em qualquer lugar da casa. Genial, do futuro.

É só que… a comida… a ansiedade, as piadas, as músicas ruins… Isso vale tanto mais, sabe? Eu não ligo que ganhei de multi-funcional até par de meias. Eu já tenho tudo físico que jamais sonharia em ter.

(e ainda assim preciso mobiliar uma casa inteira, omg, isso me deixa louca sabia?)

Já que não tenho nada de que me orgulhe pra falar sobre a parte física do natal, falar sobre a parte religiosa é ainda pior. Digo, até que fui bem religiosa em 2012. Só que fui escolher justo o espiritismo. No espiritismo não adianta nada você tirar 9 em uma prova e não colocar tudo em prática.

O fato é que ainda não me sinto pronta para um trabalho voluntário; ao mesmo tempo, tudo parece me empurrar para tal, e me cobrar uma atitude neste sentido.

O que 2013 espera pra mim?

Desejos para 2012

Meu 2011 foi uma continuação de 2010. Foram dois anos longos, difíceis e cheios de pedras no caminho. Tô bem feliz que tudo acabou.

Para 2012, portanto, tenho alguns desejos, algumas resoluções de ano novo. Não costumo esperar a virada para começar as coisa (exemplo: meu projeto 365), mas é gostoso ver um ano novinho em folha chegando.

Pra começar, quero meu projeto 365. Penso em fazer há anos mas agora tomei coragem. Está indo bem até agora :)

Quero desesperadamente ter uma vida monetária mais saudável. Tenho aprendido que agora ganho três vezes menos que antes e se acostumar a isso é mais difícil do que pensei. Mas quero ficar melhor esse ano porque tenho outros planos para ano que vem. Se a cada mês sobrar R$100 do meu salário, uma hora volto a respirar.

Meu cabelo tá me irritando – e nós vamos ter um post sobre como ser feliz de cabelo curto. Não cortá-lo até o fim do ano é um senhor desafio. Mas talvez eu não aguente e acabe ficando ruiva de novo.

Evitar morrer é meio uma prioridade :P Como esse lance de quase morrer não foi legal em 2011, pra quê repetir a dose, né, gente? Infelizmente isso inclui não beber e não fumar, coisas que sinto falta, mas acho que ficar viva é um pouco mais importante.

Outras coisas incluem voltar a estudar (qualquer coisa!), trabalhar melhor (ainda melhor), cuidar bem do Compulsive <3 e jogar mais videogame. Estranhamente não adicionei livros, mas eu deveria voltar a ler.

Ufa! É uma boa lista de fazer todos os dias para ser mais feliz, né? :) Bom 2012 pra vocês :D

Le good life

Acho que devo atualizações por aqui. Dei uma sumida, né? Estava trabalhando.

Trabalhar de casa é meio estranho no começo mas depois que você pega um rítimo, se concentra e consegue entregar coisas é até que bastante confortável. Posso acordar duas horas mais tarde porque não preciso nem me arrumar nem pegar ônibus, posso trabalhar até meia-noite porque é só virar para o lado e dormir. Posso almoçar com meus pais a comida da minha mãe, posso comer de três em três horas e isso tem me mantido nos meus orgulhosos 59kg, muito longe dos 72kg que eu pesava. Posso fazer terapia sem me preocupar tanto em estar no trabalho, fazer mais de um freelance ao mesmo tempo, levar meu cachorro para andar no fim do dia. Posso assistir novela numa aba separada quando não dá para assistir na TV. Posso baixar séries enquanto trabalho sem prejudicar ninguém. Acostumei tanto que vai ser estranho voltar para a rotina de sair de casa todos os dias para trabalhar, se um dia eu voltar a isso. Pode ser que sim, pode ser que não. Eu não me importaria em nenhum dos dois casos, desde que consiga pagar minhas contas.

Minha depressão deu mais uma trégua ótima e me sinto muito, muito melhor. Não choro há semanas. Não me desespero mais com o trabalho e retomo o controle quando começa a ameaçar, com exercícios de respiração. Tenho me cobrado bem menos para meus padrões. Tenho me divertido muito e ando muito feliz porque está tudo normal. Digo, eu fico chateada às vezes. Fico brava, fico triste, lembro do acidente, dá um medo sabe? Mas não choro por isso, meu dia não acaba, não deito em posição fetal na cama e espero o mundo se consumir. Nada disso. Tudo bem. Faço terapia duas vezes por semana e tomo dois remédios por dia. Não me importo com isso também. Se me manter bem não é sacrifício nenhum.

Ando fazendo coisas para me distrair já que me sinto bem e minha vida não é mais consumida por um monstro sem rosto. Assisto muito Doctor Who (vi toda a quinta e sexta temporadas e agora voltei para a primeira) e novelas, haha. Tô jogando Professor Layton and the Curious Village no DS. Muito Fruit Ninja no Android. Meu mac tá lento então não consigo mais abrir o Steam sem travar tudo. Danço um tanto de Just Dance no Wii além de jogar Rock Band e outras coisas quando a galera vem em casa. Não li mais, falta de costume de ler em casa. Costumo ler no ônibus, mas tenho saído pouco. Falta de verba.

Ando tirando uma ou outra foto também. Editando bonitinho no Photoshop. Tô orgulhosa delas e da minha meia de bolinhas, haha. Fora minhas unhas, faço religiosamente toda semana. Quem diria.

Quanto ao acidente, estou 100% já. Faço de tudo, manco super pouco – quando manco, corro, não dói mais. Não tenho nenhum tipo de problema ortopédico ou respiratório. Peguei uma gripe feia que inflamou meu ouvido e garganta e ainda sinto os dois inflamados mesmo que tenha tomado os remédios direitinho. Mas bobagem. Ainda não consigo dobrar totalmente a perna mas isso só me incomoda quando vou agachar.

Meus amigos são incríveis e a gente tem se divertido bastante. Vira e mexe vamos esperar 3h30 para comer no Outback (jogando Detetive de cartas enquanto esperamos), jogamos videogame em casa, perdemos casamentos, vemos séries sincronizadamente para ganhar stickers no get glue e comentar, saímos de casais de namorados, vamos ao cinema… Tô ganhando a adolescência que perdi. Obrigada.

E meu namoro, bem… Vai fazer um ano dia dez de outubro. Olha só:

Não preciso falar mais nada né? O Eduardo foi um super companheiro esses meses todos e por mais que a gente more longe, nunca me sinto sozinha. É uma pessoa incrível, que tem cuidado super bem de mim e me feito tão feliz! Obrigada também!

Desde o acidente rezo todas as noites, como vocês sabem. Comecei também a frequentar Centros Espíritas. Centro Espírita é um ótimo lugar: todas as outras religiões pensam que é macuba e não levam a sério e todos os ateus pensam que é besteira e charlatanismo, como pensam também de todas as outras religiões. O fato é que eu sempre tive um pé no Espiritismo e sempre fez sentido para mim. As palestras têm me feito bem e depois que comecei a frequentar nunca mais chorei. Por que não, né?

E é isso. Desculpa o post longo, mas como é pessoal eu tenho total liberdade de caracteres. A gente aprende que para escrever para internet tem que ser post pequeno… Blé. hahahah ^_^

Ficar um mês no hospital

Muita gente me pergunta “Poxa, Marta, você sumiu da internet! Cadê você? O que aconteceu?”. Bem, eu sofri um acidente.

Não adianta me perguntar que acidente: não tem o que me faça lembrar, e confesso que não me esforcei muito também. De repente estava tudo escuro, silencioso, morto. Aí eu dei um berro, me virei no chão e dei outro berro. Não sei o que doía, mas doía muito. Aí veio a ambulância.

Me levaram pro hospital das Clínicas, porque o acidente foi perto da Paulista, mas não tenho certeza de onde. Não tenho as primeiras memórias, mas teve dor, exames, minha irmã, muita gente, mais dor e mais exames.

Resumo da ópera: quebrei pé, fêmur e trinquei coluna. Colocaram uma tala no meu pé e fui operar o fêmur.

Sabe, quando você quebra um osso grande tipo o fêmur, o osso solta um tipo de gordura no sangue. Quando operei para colocar um ferro na perna, essa gordura resolveu que meu pulmão era um bom lugar pra ficar, causando uma embolia gordurosa. Fui pra UTI, quase sem respirar.

Ficar sem respirar foi a pior parte desse mês inteiro. Eu achei que fosse morrer, eu tive muito medo de morrer. Ficar sem ar, não conseguir tomar banho na cama, o respirador não ser suficiente… é desesperador.

Mas graças aos remédios, aos médicos e a Deus (recebi orações demais para não agradecer a Ele) o pulmão foi limpando. Depois de 14 dias, sentei na cama pela primeira vez. Tomei café da manhã com as perninhas de fora. Foi muito emocionante. E recebi alta da UTI.

Depois, operar o pé foi fácil.  Dois pinos no osso de sustentação do pé. Vou ficar uns meses sem pisar no chão, mas lá pra janeiro pretendo estar andando sem muletas.

Fui pra casa. Uso um colete ortopédico pela trinca na coluna. Cadeira de banho pra ir ao banheiro. Essas coisas, a gente até acostuma rápido. Minha família tem me dado toda força do mundo. Os amigos e o namorado, então, nem se fala.

No segundo dia em casa, tudo do meu pescoço pra baixo doía. Por eliminação, notei que era a barriga que doía. À noite, pedi para voltar ao pronto-socorro. Era uma dor penetrante, aguda, que ouso dizer que era tão forte quanto a do fêmur quebrado.

Fomos ao hospital, dessa vez mais perto de casa, tomei remédios e fiz exames. Deu uma alteração e orientaram a voltar dois dias depois para ver. Me deu febre e fiquei internada novamente.

Colite é uma infecção intestinal. Talvez seja reflexo dos 20 dias no primeiro hospital, talvez reação dos remédios caros que meu pai comprou e só tomei um.

Fiz tomografias, tomei muito antibiótico, vomitei e tive muita diarréia mas, novamente, graças aos remédios, médicos, diagnósticos e a Deus, foi passando.

Ontem tive alta. Escrevo esse post de casa, sentada na cama. Ainda tenho soluços como sequela do pulmão, minha coluna ainda dói, não consigo dobrar a perna além de 90 graus, não ando, nunca comi tanta sopa e gelatina, mas as dores são poucas. Estou cansada e fraca e ainda não consigo fazer a festinha que queria para receber os amigos em casa.

Mas nunca, nunca fui tão grata pela vida. Recebi uma segunda chance, e não vou desperdiçar.

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Dois meses depois do acidente, me foi permitido colocar o pé no chão. Ainda tenho intestino solto pela colite e vou fazer mais exames :/

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Amanhã faço quatro meses de acidente. E quem diria! Estou super bem.

Meu intestino tem diverticulose, que já expliquei mais pra frente. Tá normal e bem.

Eu ainda manco pelo frio mas já ando normalmente, sem muletas nem a bota.

E já estou trabalhando!

Sou muito feliz e muito grata por tudo ter passado tão rápido :)

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A importância de ressetar a mente

As pessoas devem achar estranho quando eu digo, mas eu sinceramente tive de aprender a me divertir. E depois que aprendi, esqueci e tive de aprender de novo, de outro jeito.

Quando eu estava de fora, parecia a coisa mais normal do mundo: as pessoas saem, bebem, dão risada e voltam pra casa com aquela sensação de “a vida vale a pena”. Mas quantas vezes não saí pensando “Poxa, com tanta coisa no meu reader eu aqui perdendo tempo” ou “Puxa vida galera tá bem legal ficar sentada aqui esperando a noite acabar mas vou só dar uma olhadinha na timeline do twitter, tá? *abre o echofon no iPhone*“.

Daí as pessoas te chamam de anti-social ou iPone-fag, mas se divertir é complicado. Você precisa se deixar divertir. Relaxar mesmo. E para as pessoas que se cobram demais, isso é bem difícil.

Mas vale a pena tentar. Calar as vozes que querem que você resolva problemas quando deveria descansar. Ir devagarinho, se respeitando. Sair na hora que você quer ir embora. Não se forçar a fazer nada. Fazer o que tem vontade.

Eu tive de parar de beber ou beber bem menos, e me deram a dica de água tônica com gelo e limão. Segurar um copo num bar traz segurança e você consegue se concentrar em se divertir.

Só relaxe e curte. Depois de deixar as coisas mais pesadas pra trás, tudo fica mais fácil. Vale muito à pena. :)

HEH passar o fim de semana na piscina é a MELHOR COISA DO MUNDO!

Ponto final

Eu vou falar de felicidade de novo, e a grande diferença dessa vez é que eu tô de TPM e tá “tudo pesado suspenso por um fio”.

Pensei seriamente em falar sobre essa felicidade do amor e da feniletilamina, mas esse vai ser especial (e não vou escrever com essa tpm.) Prefiro falar sobre a vida.

A inspiração para esse post foi a palestra dada por Almicar Maurício Jr, o ser humano mais multimidiático que eu conheço, indo de diretor de teatro, passando por direção de revista e sendo um dos criadores da Fashion Week. Na palestra, ele falou sobre como foi produzir o espetáculo “Noé Noé, deu a louca no convés” (infelizmente fora de cartaz, mas você pode ver minha resenha baseada no press release – em pdf) e todos ficamos impressionados com o trabalho que dá montar uma peça desse tamanho.

Na palestra, ele revelou que o objetivo da peça era mostrar a busca pessoal de cada um por si próprio (daí ele ter transformado isso em dança é a graça da palestra). Nessa viagem pela busca pessoal, é necessário conquistar suas independências monetária, física e psicológica. Assim, encontramos a felicidade.

Porque existem três motivos principais que fazem as pessoas entrarem em depressão:

  • Perda de alguém que você é psico-dependente. Ninguém é realmente dependente dos outros, mas tem gente que se apoia demais. “Aí vem aquelas portuguesas: – Me leva juuuunto!”, Almicar interpretava hilariamente, como um alívio cômico para algo sério.
  • Química. O cérebro pára de produzir, às vezes por estímulo físico mesmo, as substâncias necessárias para que a pessoa se sinta feliz, então suprimentos dessas químicas são necessários, para que o corpo volte a produzi-las por si só. É como tomar remédio pro estômago, na minha opinião, e é por esse lado que não entendo o desespero e o auto-preconceito das pessoas (conheço três) que precisam disso.
  • E inércia. Não ter um bom motivo pra levantar da cama. (nessa parte eu chorei. É uma droga saber que tem alguém que você ama que se enquadra nisso a ponto de não conseguir se mexer).

Enfim, a vida foi feita para ser vivida. O ontem ou o amanhã não estão nas nossas mãos, mas o hoje está.

Não se deixe nas mãos de quem pode lhe dar e lhe tirar a felicidade. Quando Jesus (calma) disse para edificar nossa casa na rocha, entendo que era para fazermos uma base sólida para nós mesmos.

Eu sei que esse post é um repeteco, mas é emocionante porque é como se fechasse esse capítulo da minha vida. Estou feliz por ter entendido cedo/ a tempo/ no melhor tempo. Estou feliz por ter fechado esse capítulo e agradeço a quem me ajudou. (citar nomes seria esquecer alguém).

Eu espero que todo mundo consiga ver isso, consiga gostar de si mesmo – porque é possível, sim, te amarem sem você se amar, mas não é completo. Espero que tenham um motivo para levantar, nem que seja “hoje vou ler”, “hoje vou desenhar sem compromisso”. A gente tá aqui. Não perca seu tempo.

Bônus: tenho ouvido compulsivamente a música Pose (anos 90) dos Engenheiros. Apesar de a original ser infinitamente melhor, mais foda e mais bonita, o que achei na internet foi a fofíssimo acústico do Gessinger com a filha, Ana, que  me faz chorar sempre que assisto vira e mexe me emociona e é uma ode ao positivismo responsável: