Tem dois conceitos que vocês precisam botar na cabeça antes de ler esse e qualquer outro texto decente hoje:
Minoria é determinado grupo humano ou social que esteja em inferioridade numérica ou em situação de subordinação sócio-econômica, política ou cultural, em relação a outro grupo. (fonte). Ou seja, minoria não é necessariamente o grupo com menos quantidade, mas o grupo que não é dominante. Por isso mulheres são uma minoria, assim como gays, negros, etc. Não porque são menos numerosos, mas porque sofrem abusos como salários menores, violência, preconceito e por aí vai.
Feminismo não é pedir mais direitos para mulheres, é pedir direitos iguais. Se você espera que uma mulher possa ter o mesmo estudo, exercer a mesma função e receber o mesmo salário de um homem, você é feminista. Se você acha que a obrigação de cuidar da casa não é só da mulher, é feminista. Não é querer a mais. É querer igual. Porque não é igual. Porque mulheres são uma minoria.
Dito isto, sigamos.
Eu adoro escrever no dia da mulher. É a oportunidade perfeita para deixar alguns pontos claros que nunca se resolvem pelos anos. Veremos:
- 10/01/2011, E é sobre a mulher (tem links para anteriores)
- 08/03/2010, Dia da mulher, de novo
- 08/03/2007, Dia da mulher
Essa semana uma programadora nova entrou na equipe, a Karina. Linda e muito gentil, como toda programadora java que eu conheço. Aí chegou um cara de outra área e disse “Finalmente temos uma mulher aqui!”. Eu trabalho aqui há sete meses e minha colega Pathi, quase um ano. A gente nunca foi notada porque não anda toda de social? Não tem cabelo cumprido? Não tá no esteriótipo? Isso me chateia.
É muito comum trabalhar com machistas entre os programadores. Aqui mesmo, eu ainda ganho 25% menos que meu ex-colega. Antes daqui, em outro emprego, eu queria matar o estagiário porque ele só falava besteiras todos. os. dias, do tipo “mulher minha fica em casa” e tal.
Inclusive, antes eu achava fútil ficar em casa cuidando dela e dos filhos, mas hoje é algo que eu admiro e respeito. Quase invejo. O importante é que isso seja uma escolha da mulher e que ela tenha as mesmas oportunidades que o homem para conseguir realizar seus sonhos.
A luta continua.
ps.
Relendo os posts eu percebo que estou sempre numa luta contínua para me adequar ao padrão de beleza e peso que uma mulher deveria ter. Que estou sempre dizendo que sou amolecada, que gosto de andar com os meninos, que não tenho paciência para maquiagem and stuff, mas sofrendo por não ser notada como uma mulher, querendo convencer a mim mesma que está tudo bem ser assim. Eu não sei se isso faz parte da baixa auto-estima que a depressão carrega junto. Não sei se a maioria das mulheres levam esse estigma também. Mas acho que faz parte da luta. O nosso amor próprio é o que fortalece o nosso exército.


