2001 – A Space Odyssey (livro)

2001 é uma aventura escrita por Arthur C Clarke e filmada por Kubrik. É meu filme favorito, já assisti várias vezes – mas só entendi depois de uma apresentação em flash (!) que achei na internet.

Depois de ler o livro, ficou claro a dificuldade em entender. O filme funciona como a ilustração do livro. O complementa, ajuda a entender, desde que você tenha lido. Sem ler, são imagens sem texto: dá para compreender, mas não é a mesma coisa. Claro que Kubrik fez um trabalho excelente. Mas a obra de Clarke, pelo menos, faz sentido.

A história é dividida em cinco partes: a origem humana; o homem à Lua; o homem a Jupiter; o homem a Saturno; o homem ao Espaço. Todas as partes norteadas por um estranho artefato, um monolito, que desafia a curiosidade. Quem fez uma peça em proporções e acabamento tão perfeitos? Para quê serve? Da onde veio? São algumas das perguntas que desde os primatas até o mais avançado dos cientistas tentam responder. Ficção científica das mais respeitadas.

Mesmo que os dois tenham sido criados mais ou menos juntos, existem algumas diferenças entre livro e filme, claro. A que fez mais falta foi Dave saindo para resgatar o corpo do amigo assassinado por HAL e dizer “Open the pod bay doors, HAL” “I am sorry, Dave, I am afraid I can’t do that.” – um dos mais icônicos diálogos entre homem e máquina.

É um livro incrível, o primeiro que li inteiro em inglês de tão bom. Sua cabeça não consegue parar de pensar no Espaço, nos ETs, no projeto super-secreto de descobrir vida fora da Terra. Até sua criatividade é estimulada a níveis extremos. Adorei.

Recomendo assistir o filme primeiro e ler o livro depois. Ajuda a visualizar e entender. Para quem curte ficção científica, é praticamente leitura obrigatória.

A volta ao mundo em 80 dias

Imagine um inglês daqueles bem ingleses, bem excêntricos. Muitíssimo educado, polido, com hábitos pontuais e regulares. Esse distinto senhor faz uma aposta com seus colegas jogadores de whist: dar a volta em precisos 80 dias. Eles dizem ser impossível e apostam 20 mil libras na façanha. E assim, sir Phileas Fogg parte imediatamente para sua aventura com seu novo criado, o francês Passepartout.

Como se a missão não fosse complicada o suficiente para a época, houve um grande roubo no banco e o detetive Fix nota que a descrição do ladrão bate com sir Fogg. Então ele começa a correr atrás do distinto cavalheiro, esperando sempre um mandato de prisão chegar. Sir Fogg seria capaz de ter feito tal ato?

A dúvida acompanha o leitor enquanto Fogg, Passepartout e Fix atravessam todo o mundo conhecido no romance de 1873. A Volta ao Mundo em 80 Dias não é um livro inédito de Júlio Verne, então você deve estar se perguntando por quê fazer post uns 140 anos atrasado. Explico: Verne é considerado por muitos o pai da ficção científica, então eu não poderia deixar de ler quem criou meu gênero favorito; só não esperava que a leitura fosse me prender tanto.

Por ser um clássico, imaginei que fosse ser cansativo ou com a linguagem muito rebuscada. Ok, tem algumas palavras que entendi pelo contexto mesmo, mas o ritmo é fantástico. Essa dúvida se Fogg foi ou não o ladrão move mais do que as aventuras em si. A coragem e determinação do inglês e sua inabalável calma ensinam a confiar nos acontecimentos. Se em 1873 um inglês fica tão calmo com seus transportes em volta do mundo, em 2013 eu acho que posso esperar o trem seguinte – que parte em 3 minutos, não em 5 dias.

O livro é espetacular – e a melhor parte é que é domínio público, então você pode baixar e ler gratuitamente agora mesmo. Divirta-se!

Comprei um Kobo – e curti

Não é de agora que eu queria um leitor de e-books. Tem alguns anos, já. Na verdade, desde quando descobri que eles funcionam com tinta de verdade e não luz como os monitores, celulares e tablets.

Nossa visão cansa lendo nestes dispositivos porque eles emitem luz. De certa forma, é como ler olhando para uma lâmpada. Nos e-readers, seja o Kindle, Kobo e outros com e-ink, o que acontece é que os pixels têm tinta mesmo. Essas pequenas gotas de tinta vão para a superfície ou se escondem de acordo com impulsos magnéticos. Por isso que é preto-e-branco. Enquanto cada pixel de luz pode ser vermelho, verde ou azul, cada pixel de tinta é só preto (ativo) ou branco.

O Kobo é idêntico ao Kindle, mas quem revende é a Livraria Cultura. São três modelos: o Glo, mais avançado, tem a tela maior e luz interna para ler à noite; o Touch também é maior, com entrada de mini-SD; e o Mini, pequeno, leve, 2GB de espaço interno. Os preços vão de R$289 a R$399.

Todos eles têm sete fonts diferentes, com configurações de espessura, nitidez e espaçamento entre linhas. A bateria tem promessa de duração em torno de um mês. Você tem a loja virtual com livros desde grátis, até R$1.99 e daí por diante ou colocar formatos como e-pub ou pdf, só arrastando para a pasta do Kobo, quando ligado ao computador via USB.

Enquanto você lê, dá para marcar frases e compartilhar nas redes sociais, procurar palavras no dicionário interno dele, mudar onde aperta para passar de página. Ele não perde onde você parou. Ainda tem busca interna e índice, dependendo da edição. Prefira o formato .epub a .pdf se você for baixar fora da loja. Em .pdf esses recursos nem sempre funcionam.

Outra coisa bem legal é o Reading Life. É um sistema de awards que você vai destravando enquanto lê e são bem divertidos. Dá para compartilhar no Facebook se quiser. Ainda vem apps de jogos (xadrez, sudoku), um para desenhar com o dedo e um navegador de internet – lembrando que é tudo em tons de cinza, mas deve servir para uma emergência, que precisam de wi-fi para funcionar. (fiz um teste fazendo meu celular como ponto de distribuição de internet e funcionou tranquilamente).

Como dá pra ver nas fotos, é bem legível mesmo. Esse reflexo é da luz e só apareceu nas fotos, na vida real não tem. Consegui ler por duas horas no transporte público sem qualquer problema: no celular a luz fazia as letras “dançarem” conforme o ônibus tremia, o que me deixava enjoada. Não tive esse problema com o Kobo e era justamente essa liberdade que eu esperava.

Isso não quer dizer, de forma alguma, que larguei os livros de papel ou parei de gostar, ou mesmo que não gostaria de recebê-los mais como presente. Não. Eles têm um charme irresistível, o cheirinho típico, e não se pode escrever dedicatórias em edições digitais. O Kobo é apenas um aliado à praticidade de quem tem sofrido para colocar a leitura em dia e teme comprar livros e não terminar de ler, como tem tantos em casa. Com digitais, a dor é menor.

Veja o site do Kobo e também a página da Livraria Cultura se você se interessou. Lembre-se que existem milhares de obras em Domínio Público, para baixar gratuitamente. Tem esses sites também:

E mesmo googlando por nome do livro + .epub, por exemplo. Curti bastante.

“Nosso Lar”

No meio espírita temos muitos livros de referência, que sempre são citados nas palestras. O “Evangelho Segundo o Espiritismo” e o “Livro dos Espíritos” são leitura obrigatória, mas outras obras são importantes porque foram redigidas por espíritos superiores e ensinam lições valiosas: “Há 2000 Anos”, “Paulo e Estevão” e, claro, “Nosso Lar” estão entre elas.

Para aproximar as crenças aos católicos e evangélicos, em algumas palestras se usa a palavra Colônia como Céu e Umbral como Inferno. Eu discordo dessa exposição dos conceitos. Discordo ainda mais quando falam “Todo mundo quer ir para ‘Nosso Lar’ mas quem não é bom fica vagando no Umbral”. Acho isso ridículo, por dois motivos:

  1. “Nosso Lar” é só mais uma das maravilhosas colônias que existem e ir pra lá não é melhor ou pior que ir para outras colônias.
  2. Você vai para onde você for de acordo com a sua vibração [geralmente] no momento da morte. Isso é temporário – até o arrependimento sincero e quando se cansa de sofrer, desejando a genuína mudança. Quem está no Umbral não é mau nem, no outro oposto, sofre injustamente.

Mas não foi “Nosso Lar” que me ensinou isso. Foi “Violetas na Janela” e seus volumes subsequentes. Com linguagem mais simples e leve, ensina praticamente o mesmo que “Nosso Lar”. Foi um dos primeiros livros que li sobre espiritismo e me deu uma boa e simples base para começar.

Quando peguei para ler, esperava mais de “Nosso Lar”. Procurei o motivo pelo qual as pessoas ficam tão animadas para ir pra lá quando morrer e não encontrei. Quer dizer, é um lugar maravilhoso mas não tem diferença. Aí disseram que era pelo filme, que é tudo mágico e fantasioso. Não assisti ainda.

Não que o livro seja ruim. Conta a história de André Luiz quando desencarnou. Ensina muito. Tem passagens lindas. Dá aquele abraço no coração quando a gente lê. Vale a leitura.

Dois pedaços que tirei foto e deixei no celular, que são boas reflexões para fazer de vez em quando:

“Aprenda, então, a não falar excessivamente de si mesmo, nem comente a própria dor. Lamentação denota enfermidade mental e enfermidade de curso laborioso e tratamento difícil. É indispensável criar pensamentos novos e disciplinar os lábios. Somente conseguiremos equilíbrio, abrindo o coração ao Sol da Divindade. Classificar o esforço necessário da imposição esmagadora, enxergar padecimentos onde há luta edificante, sói identificar indesejável cegueira d’alma.”

“Dentro do nosso mundo individual, cada ideia é como se fora uma identidade à parte… É necessário pensar nisso. Nutrindo os elementos do bem, progredirão eles para nossa felicidade, constituirão nossos exércitos de defesa; todavia, alimentar quaisquer elementos do mal é construir base segura para nossos inimigos verdugos.”

O caminho é longo. Mas a estrada pode ser menos árdua.

Coisas que eu vivo procrastinando

Menino(a), se você soubesse a quantidade de coisas que eu tenho de resolver! No acidente, roubaram todos os meus documentos – eu tenho uma carteirinha do estudante e o cartão do convênio, só! Preciso tirar RG, CPF, fazer B.O. dos documentos e do meu celular…

E eu ainda preciso fazer fisioterapia, voltar pra terapia, ver vascular, ortopedista, ginecologista…

Depois eu preciso arranjar um emprego e juntar dinheiro porque eu (pasmem!) quero casar (!!!!!) e não vai ser nada grandioso nem nada, mas tudo custa caro, né.

Mas isso não é procrastinar. É difícil sair para tirar documentos quando mal consigo ficar sentada. Todas as outras coisas também exijam que eu saia de casa.

Procrastinar é o que ando fazendo com meus livros. Todo mundo me pergunta deles: “agora que você tá em casa, você vai cuidar dos Zirmilianos, né?”. Eu vooou. Uma hora.

Preciso voltar a ler, inclusive. No hospital minha visão embaçava e li 25% de um livro que não entendi nada. Preciso vencer a preguiça e reler do começo.

E eu também preciso ser mais (ainda mais) paciente, e isso não dá pra adiar. E ser mais corajosa e parar de preguiça e começar a fazer as coisas que eu pensei que faria quando tivesse um computador com internet em mãos.

… é que parece que elas foram todas embora.

– * –

Esse é o primeiro post d’O desafio das listas. Tô pegando o bonde andando, mas, veja bem, não tem mais nada pra fazer.

Que livro eu seria?

Já falei um pouco do Fahrenheit 451 por aqui. É aquele livro onde, no futuro, os bombeiros servem para queimar os livros e ler é contra a lei. Entretanto, há um grupo de rebeldes que guardam os livros na memória. Um guarda a bíblia, outro isso ou aquilo.

Teríamos uma infinidade de livros importantes para guardar. Livros de História, de Ciências, de Filosofia. Eu não saberia dizer qual é o livro mais importante do mundo (e pra mim não é a bíblia nem o alcorão ou similar).

Eu não gostaria de guardar o livro mais importante. Eu gostaria de ser o livro que mais gostei de ler.

Sem dúvida seria a trilogia Fronteiras do Universo.

Philip Pullman me ensinou muito com a sua trilogia. Mudou minha forma de ver o mundo. Me ensinou filosofia e religião. Me ensinou sobre o amor. Sobre a coragem. Sobre física, mundos paralelos, ficção científica infanto juvenil.

E pode ser que nada disso seja tão importante quanto outras coisas, mas a lembrança que tenho é tão gostosa que se eu só pudesse guardar uma história em minha mente, seria a de Lyra Belacqua. Sem dúvida.

Essa é mais uma blogagem coletiva do Livros e Afins :)