Indústria farmacêutica

Faz algum tempo que aqui em São Paulo não conseguimos mais entrar na farmácia, pegar um antigripal e sair: é preciso pedir para o farmacêutico, como se fosse um remédio com receita. Isso faz com que as pessoas comprem menos remédio desnecessário, porque ele fica menos acessível.

Várias vezes cheguei na farmácia e me perdi porque mal lembrava dos nomes dos remédios que costumo comprar para gripe, dor de cabeça ou dor muscular. Geralmente o farmacêutico recomendava um ou outro que era, a maior parte das vezes, ainda melhor e mais indicado para o que eu precisava.

Pelo visto algumas farmácias resolveram esse problema da escolha:

Esses não são remédios de verdade: são cartões de papelão que imitam exatamente as embalagens. O usuário pode escolher, pegar e entregar para o farmaceutico, para receber o remédio de verdade.

Não sei se isso acontece em mais farmácias ou se foi só na minha; não sei se foi uma iniciativa da farmácia ou dos remédios. Pela quantidade e qualidade dos cartões, parece que veio dos fabricantes mesmo.

Acho errado. Acho que isso incentiva um consumo desnecessário de “veneno” (entre aspas porque pode ajudar, mas a gente sabe que tem gente que passa dos limites e tudo em excesso é ruim – ainda mais remédio!), vendido como se fosse doce ou qualquer coisa que, sei lá, mata menos.

Pode ser – bem provável – que eu esteja exagerando. Mas a lei deve ter sido feita por algum motivo, e um dos motivos era diminuir o consumo. Ter os cartões expostos em gôndolas incentiva absurdamente esse consumo.

Acho que remédio não devia ser vendido e farmacêutica não devia ser uma indústria. Acho que só médicos deveriam ter acesso aos remédios e entregá-los ao paciente na dose exata de sua receita. Assim, todo mundo teria acesso ao tratamento. Seriam todos genéricos (de verdade, sem marca nenhuma) e o governo (ou algo competente e sem marca) cuidaria disso.

Ah, deu gripe e não quer passar no médico? Toma um chá. Tá com o intestino preso? Come ameixa. Problemas de estômago? Sorvete de massa. Pronto. A gente não precisa de veneno o tempo todo, sabe?

Tudo bem: eu gosto de remédios. Tomo pra qualquer dorzinha. Mas pensando racionalmente (e com uma dose daquele livro 1984, assumo), a gente não precisa dessa química toda o tempo todo. Estão vendendo veneno apelando para nossa saúde. Sounds wrong, you know?