Caso vocês não acompanhem meu twitter, não devem saber que eu sou a mais nova feliz proprietária de um Nintento Wii. Tinha uma promoção incrível no Submarino vendendo por R$600. Não vou colocar o link porque não vou ganhar nada com ele e não sei se ainda está esse preço. Procure.
Enfim, mandei parcelar em 3x e comprei o branquinho. Fiquei toda feliz. Ter um videogame da última geração estava nos meus planos há pelo menos um ano e o Wii sempre foi minha primeira opção (pelo menos até eu ter conhecido o Paulo e ele ter me dado Half Life 2 e começado a minha transformação de casual gamer para gamer, o que me fez ter vontade de comprar um xbox e até me fez tentar dual-bootar meu mac, com o resultado catastrófico de ter formatado. Mas beleza.)
No dia seguinte ele chegou. Era uma quinta-feira. Unbox feliz plenas 23h, instalação feliz, ovulei (oh wait) quando vi que dava pra conectar na internet, joguei boliche, alegria, alegria. Mal pude esperar o fim de semana para desbloquear.
Bom, rolou uma dor no coração. É engraçado porque eu precisei explicar várias vezes o que eu queria fazer com o videogame pra minha mãe: “Ele não roda jogo pirata, mãe. Por isso tem de mexer nele, desbloquear.” “Mas você não pode comprar o jogo original?” “É caro, mãe.”. Eu não curto desbloquear meus gadgets – do mesmo jeito que a idéia do dual-boot me arrepia. Me sinto fazendo algo errado. Tanto que meu iPhone é sem jailbrake e vivo muito feliz comprando meus joguinhos. Depois que comprei o iMac e comecei a viver com atualizações constantes que deixam meu computador seguro, mais muderno e mais rápido, parece idiota abrir mão de algo tão importante quanto a atualização de um software. Quanto a utilização do suporte. Quanto a certeza que aquilo foi desenvolvido e testado e vai funcionar e pronto.
Mesmo assim pensei que cada jogo de Wii custa de R$100 a R$350 (eu quero jogar Mário Galaxy!) e fui ao desbloqueio.
Uma coisa interessante sobre Wiis, minha gente, é que a numeração do console interfere no tipo de desbloqueio. A numeração mais nova é mais difícil de desbloquear (obviamente) e, portanto, mais cara (combo de obviedade). Sendo meu Wii comprado no Submarino, a numeração deve ter sido feita ontem. Não obstante, o sistema mais fácil de desbloquear é o 4.2. O meu até veio com o 4.2, mas com ele a internet não funcionava e eu achei tão AWESOME a idéia de ter a internet na minha tv (vamos todos fazer de conta que não conecto o netbook infinitas vezes na tv) que eu TIVE que atualizar pra 4.3. (Esse vai ser nosso segredinho, tá?). Desbloquear o 4.3 é ainda mais difícil.
Eu vi tutoriais e fiquei com medo de fazer e zoar o console (ainda trauma de ter formatado meu mac) e achei melhor pagar pra alguém levar a culpa caso dê errado. Fui atrás de orçamentos.
Tem uma loja de games perto de casa muito boa onde comprei meus últimos jogos (piratas) de play2. Fui lá, ainda com o firmware 4.2. Me fizeram esperar 20 minutos para dizer que o desbloqueio sairia por R$350. Trezentos e cinquenta, gente. Eu disse “Não, obrigada” e fui pra casa. Lembrei das lojas em São Bernardo. Na famosa Kero+Games eles nem faziam o desbloqueio. Então achei ainda mais uma (adiciono o nome depois porque o cartão tá na minha bolsa e sabe como é, né.). O cara foi super atencioso e me explicou tudo. A essa altura eu já estava com o 4.3 e meio em pânico porque os tutoriais eram assutadores (IMHO). Ele me mostrou o “chip” (que é uma placa na verdade) e comentou que precisaria de um jogo específico pra destravar (li sobre Indiana Jones ou Super Smashing Bros) que ele não tinha na hora. Ia sair por R$320.
Fiquei muito frustrada, meti o play2 na tv grande (tem um monte de tv em casa e só uma presta) e joguei Final Fantasy X o fim de semana todo. No trabalho, reclamei dos preços absurdos.
Ouvi duas sugestões:
A) Por que você não vê na Sta Ifigênia quanto tá? De fato, eu tinha esquecido. O mundo é mais barato naquelas bandas e eu conheço um lugar confiável. Por mim, era isso. Mas aí, hoje, no almoço, um cara com opiniões fortes (digamos assim) disse
B) Desbloquear pra quê?
Eu: “Porque os impostos no Brasil são ridículos e os jogos são caríssimos”.
Ele: “Pra mim, devia ser assim: tem dinheiro compra o jogo; não tem fica sem. Centenas de pessoas trabalharam pra fazer isso e você vai lá e rouba?”
“Eu concordo com você, cara, tanto que meu iPhone é sem jailbreak. Mas jogos de Wii são caros demais.”
“Mas você só vai jogar uma coisa de cada vez. Compra aos poucos.”
“Magina brother, se fosse xbox ou ps3 eu até concordava. Mas Wii cansa rapidão, as pessoas jogam boliche e querem trocar de jogo.”
E aí todo mundo começou a atacar ele e perguntar se todos os programas do computador dele eram originais (I don’t give a damn e não acho que isso seja algo que quebre o argumento dele, dado que estávamos falando de jogos, mas tanto faz.) e por mais que eu tenha sido irredutível na hora, isso não saiu da minha cabeça.
Sabe, eu fiz faculdade de Mídias Digitais. Tenho amigos designers, animadores, modeladores, escritores que poderiam estar fazendo games com um puta sucesso de carreira… se isso existisse no Brasil. A Ubisoft teve um corte de funcionários e, sinceramente, não adianta fazer de conta que a culpa não é um pouco nossa também.
Já vi gente no Google Reader falando que a culpa do iPhone ser caro é porque tem burguês classe média leite com pêra que paga um preço desses pelo aparelho. Mas vou ficar sem o celular que mais atende as minhas necessidades só porque sou revoltadinha contra o preço? É como ir a pé porque a tarifa do ônibus vai aumentar.
Eu reclamo do Brasil o tempo todo e meu plano pra sair daqui começa a engatinhar dia primero de janeiro do ano que vem. Os impostos são ridículos e me fervem de raiva. O Jogo Justo é uma ótima iniciativa e seria fabuloso se fosse pra frente. Desbloquear meu Wii e comprar jogos piratas vai ajudar o processo? Infelizmente, acho que não.