Rola todo um movimento TR00 entre os nerds, gamers, roqueiros e afins. Muita gente quer apenas a nata e descarta os N00B, os iniciantes, os bichos e os casuais. O que é uma pena. Um mercado hostil não dá tanto lucro quanto um mainstream e pode acabar facilmente.
Claro que isso não é o caso de nenhuma das categorias acima – nem mesmo dos jogos, um mercado nada frágil mas que os investidores insistem em olhar com insegurança. O caso é que rola um sexismo esquisito em video-game que perdeu nunca teve sentido.
Diferente de atividades físicas como correr, brigar, levantar peso e chutar bolas, video-game não precisa de muito além de coordenação motora e estratégia – elementos presentes em boa parte dos seres humanos, independente do sexo. Meninas sempre puderam jogar video-games igualzinho os rapazes.
Mas não jogaram. Mercado, talvez. Não sei. Posso falar do meu caso: meu pai não incentivava jogos em casa, diferente dos livros e computador. Não era para jogar. Eu até tive um Master System III mas foi minha mãe quem comprou.
Aconteceu que a geração continuou jogando e hoje muitos amigos ainda jogam bastante. E eu perdi anos e anos de paciência e coordenação motora. Então fico sem assunto entre os meninos.
Até que alguém muito inteligente e sagaz teve uma ideia incrível: ser a-menina-que-joga. Enquanto meninas que jogam simplesmente jogam, a menina-que-joga precisa se exibir e dizer o quanto é incrível o fato dela, uma menina, jogar video-game.
Problema nenhum pessoas começarem a jogar video-game. Problema nenhum meninas que precisam de atenção e carinho se meterem com o público alvo errado. Acontece. Mas isso tem gerado um atrito desnecessário que não faz bem para ninguém: gamers se fecham no mundinho achando que todo mundo que vem de fora não está interessado de verdade; meninas se frustram por não ter a atenção que queriam e voltam a falar que nerds são retardados.
Nenhum dos dois lados está certo e esse é um pensamento infantil. Sabe o que vocês deviam fazer? Ligar o Steam e jogar em paz.
Eu sou nerd fake. Não manjo nada de uma pá de coisa. O truque é simples: escute mais do que fale; ria das piadas e participe dos memes que não conhece e depois google secretamente sobre o que estão falando; pergunte sobre tudo, mas em particular. Faço isso há tantos anos que nem percebo mais, virou meu jeitinho.
Tenho plena consciência da minha fake-nerdice e de como sou fake-gamer, mas quer saber? Acho que o mundo anda binário demais. Eu sou mulher, não tenho tempo nem preciso ser uma coisa ou outra. Quantas vezes saí toda fofinha de casa ouvindo Symphony of Destruction? E por isso mesmo, apesar das minhas (super legais) camisetas fake-nerd-gamer, não me acho incrível.
Eu me divirto. E você?
ps. Tem review de várias coisas que joguei mês que vem com todo meu charme noob. Aguardem.




