Coisa de cachorro

Eu já comentei antes sobre o Snoopy, meu vira-lata. Ele tem uns três anos de idade, é cor de caramelo (loiro que nem eu) e de médio porte. Comentei dele naquele episódio onde chutaram a perna dele e tiraram o osso do lugar.

Ele me fez muita falta no hospital. Agora que eu estou aqui em casa, apesar da minha mãe manter os animais fora, ele vem todo dia me “visitar” no quarto (e ganhar uns cafunés).

Outro fato curioso do Snoopy é que ele sempre teve medo de carro. Desde quando eu o trouxe para casa, passando pelos raio-x que ele teve de fazer pela perna, era sempre uma luta colocar aquele cachorro dentro de um carro.

Essa semana comecei a fazer fisioterapia. Não tá fácil, não tá divertido e eu não tô feliz. Me sinto a Chell (a personagem principal de Portal) da vida real e chamo a fisioterapeuta de GLaDOS em segredo. E o Snoopy, coitado, cada vez que me vê dentro de um carro entra em desespero. Acho que ele pensa que eu nunca mais vou voltar pra casa, ou que vou ficar uma eternidade longe.

Hoje ele sabia que a hora de sair estava chegando. Começou a ficar choroso depois que eu tomei banho, ficava por perto. Ele fez toda festa costumeira enquanto eu saio de casa e vou pro carro (o que é difícil, vou com a cadeira de banho até a porta da sala e de lá dou uns passos com muleta até me jogar no banco. Aí, como não consigo dobrar muito a perna, vou em direção ao banco do motorista pra perna entrar no carro e finalmente me sentar direito).

O Snoopy parou do meu lado, na porta. Fiz carinho nele e minha mãe e irmã começaram a chamá-lo, para meu pai abrir o portão, senão ele sai correndo na rua e pode ser atropelado.

E não é que o cachorro entrou no carro, ficando bem perto das minhas pernas?

A gente começou a rir, porque ele nunca tinha entrado no carro sozinho, por vontade própria e sem incentivos como um ossinho ou algo assim.

Aí meu pai foi atrás da porta do carro e o Snoopy sentou, querendo dizer: Pronto, pode fechar a porta agora.

Minha mãe e irmã chamando e meu pai foi em direção ao portão.

O Snoopy deitou no chão do carro, querendo dizer: Ah, ele já vai abrir o portão? Ok, estou pronto.

A gente teve de parar de rir e chamar com ossinhos e todo mundo ir pra longe do carro pra ele sair e eu conseguir fechar a porta.

Morri de fofura!

Esse é o post número 600 do Compulsive. Eeeee!

A violência travestida faz seu trottoir

Em anúncios luminosos, máquinas de barbear
Armas de brinquedo, medo de brincar
A violência travestida faz seu trottoir

Engenheiros do Hawaii em A violência travestida faz seu trottoir, do album O Papa é Pop, 1990.

Eu refleti bastante sobre o que essa frase quer dizer: “A violência travestida faz seu trottoir”. Primeiro, trottoir é um tipo de calçada. Depois, a violência é travestida, disfarçada.

Uma violência disfarçada é a nossa base de passagem, onde andamos sobre todos os dias sem notar. Nosso caminho. Uma violência camuflada que guia nossas atitudes, nos levando a algum lugar sem que a gente note.

O que lhe faz pensar onde a violência se traveste. Eu fico pensando, meu Deus!, onde a violência nasce? Da onde ela brota? Por que ela existe?

A pobreza justifica? Sinceramente, seria ofender o pobre. Eu sou da tão odiada classe média, mas quando foi que a classe pobre não teve princípios? Bobagem, classificar assim seria preconceituoso.

Com tanta religião, com tanta conscientização, educação, cultura, evolução pessoal, avisos pela tv, pela internet, pela mídia. Onde se traveste essa violência, meu Deus?

Uma pessoa pulou meu portão (não é tão difícil fisicamente, mas alguém invadiu a casa de outra pessoa, uma pessoa que ela não conhece, que não faz diferença para ela.). Meu cachorro começou a latir. A pessoa viu que tinha outro portão, trancado a cadeado. Cachorro latindo. A pessoa achou que seria uma boa idéia chutar o cachorro nas patas de trás. O cachorro chorou. A pessoa fugiu.

Esse é o Snoopy. Ele tem um ano e sete meses e já nasceu com as patas traseiras com problemas. Ele foi chutado por defender a minha casa. Gratuitamente.

E todo dia eu duvido mais da lei da troca equivalente: meu cachorro nunca mordeu ninguém. Ele é super bonzinho. Só latiu pra defender a casa e não mordeu a pessoa. Por que sofrer tanto, a ponto da injeção no músculo nem fazer cócegas perto da dor que ele já estava sentindo?

Parte irônica: o guardinha do apito passar na minha rua vinte minutos depois. Útil? NOT.

Complementar: post da Laís (minha irmã) sobre o mesmo assunto.

Eu tenho um novo chorão em casa

Preguiça Ontem, na feira da Metodista, tinha cachorrinhos pra adotar, e eu peguei o Snoopy. (Já chamei de Golden, de Panda, meu pai chama de Kiko, mas ele só atende por Snoopy).

Ele é muito fofo! Todo carinhoso, quietinho, adora andar na rua, adora pessoas, adora carinho.

Mas ele chora. Ele não suporta ficar sozinho. Tô ouvindo os uivos e gemidos enquanto escrevo isso e tento fazer TCC. Eu e minha irmã ficamos acordando de madrugada pra limpar as cacas que ele fez e ver se ele parava. Ele não vai parar.

Mas todo mundo gostou dele ^_^ é um amorzinho!