Archive for fevereiro, 2010

Abaixo o culto do corpo perfeito!

fev 15 2010 Published by Marta Preuss under Cultura

Me disseram no twitter quando eu me auto-proclamei gorda.

Outro dia me falaram que esse culto à beleza é marca de uma sociedade decadente. Tipo Roma, Roma ficou assim no final.

Mas isso não é importante. Importante é: qual você pegava?

I rest my case.

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Dois eventos e um bar

fev 10 2010 Published by Marta Preuss under Eventos

Vou deixar isso aqui para não esquecer mais pra frente. Não gosto de fazer planos para daqui a um mês ou dois, mas vou tentar ir.

Lançamento do livro do Humberto Gessinger


“No dia 17 de março, quarta-feira, às 18h30, Humberto Gessinger estará em São Paulo para o lançamento do livro Pra Ser Sincero: 123 Variações Sobre Um Mesmo Tema. O evento acontece na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim (Avenida Magalhães de Castro, 12000, Jardins – Fone (11) 3755-5811). Haverá pocket-show no auditório da livraria, com sessão de autógrafos em seguida. A entrada é gratuita, mas para o pocket-show a livraria distribuirá senhas.”

Via site dos Engenheiros.

Evento sobre ficção científica

“No dia 20 de feveiro, a partir das 14h30, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, o assunto será “A Ficção Cientifica”. Venha bater um papo com autores e editores, que falarão sobre o mercado nacional de ficção, como tornar-se um escritor, assistir a alguns episódios de seriados que fazem ou fizeram época.

Serviço:
Dia: 20/02/2010
Local: Livraria Cultura Shopping Bourbon
Horário: 14h30 às 17h30
Organização: Aumanack
Apoio: Livraria Cultura”

Via SciFi Brasil.

The Wall Street Bar

É um bar onde o preço de alguns itens varia de acordo com a oferta e a procura, como se fosse o próprio mercado de ações. Além disso, o pedido é feito por um touchscreen na mesa, o que salva a vida (odeio chamar garçon).

Site: http://www.wallstreetbar.com.br/
Endereço: Gerônimo da Veiga, 149, Itaim Bibi, São Paulo

Via Matéria do G1

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São Paulo precisa do teletransporte

fev 09 2010 Published by Marta Preuss under Humor

Amigos internautas vindos da era da modernidade,

Venho, através desta, sugerir e reinvindicar pelo direito ao teletransporte a todo cidadão comum.

Primeiro: há regiões na cidade onde o transporte é inacessível ou inexistente. Por exemplo, nessa mágica região da Marginal Pinheiros. Para vir, o ônibus para em frente ao meu trabalho; para voltar, eu teria de atravessar o rio, mas adivinhe só: não dá para atravessar o rio. Então eu preciso pegar o trem. Eu e todo mundo do lado de cá do rio. O trem fica inviável.

O que me deu margem a pensar que a cidade tinha sido feita para quem tem carro. Mas como vocês devem saber se acompanham alguém de São Paulo via twitter, todo dia chove. Mas não precisa nem chover pra São Paulo parar: se ameaçar qualquer coisa já é suficiente para o trânsito virar o pior pesadelo de qualquer motorizado.

Ou seja, ao sair cansado do trabalho, o cidadão olha em volta, nota o caos e pensa:

Por isso eu digo, amigos: teletransporte. A solução para passarmos mais tempo com a nossa família, termos mais tempo para estudar e ser muito mais produtivo no trabalho. Teletransporte para o futuro!

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Meu mundo e nada mais

fev 06 2010 Published by Marta Preuss under Pessoal, comportamento

Quando fui ferido
Vi tudo mudar
Das verdades que eu sabia

Só sobraram restos
E eu não esqueci
Toda aquela paz que eu tinha

Eu que tinha tudo, hoje estou mudo, estou mudado
À meia noite, à meia luz
Sonhando

Trecho de “Meu mundo e nada mais” do Guilherme Arantes.

Eu sou egoísta a ponto de ter um mundo só meu.

No meu mundo as pessoas são felizes a maior parte do tempo. Elas são boas, não matam, não roubam, não estupram. Não batem em cachorros indefesos. Não guardam mágoa por mais de duas semanas. Todo mundo tem casa com internet, plano de saúde, dinheiro para comida e remédios. Todas as pessoas que querem fazer uma faculdade, fazem. As doenças duram algumas semanas. O metrô nunca falha.

Enfim, meu mundo é muito bonito.

Mas meu mundo não é o planeta Terra.

Nem o mundo real.

E no mundo real tem pessoas que batem em cachorros. Por isso os fêmures do meu cachorro estão ambos deslocados da bacia. Cada operação (precisa fazer nas duas pernas, primeiro em uma, com repouso, e depois a segunda) que consiste em cortar a cabeça do fêmur, custa R$800 e vai ter anestesia geral e ser uma longa operação, seguida de fisioterapia.

No mundo real tem pessoas que sofrem por anos, em silêncio. Que forçam um sorriso – às vezes nem isso. As pessoas do meu mundo são fortes no sentido de conseguir aturar muita coisa, mas elas sofrem muita pouca pressão. As pessoas do mundo real sofrem de formas variadas. Por isso não podem ser julgadas como as pessoas do meu mundo. Por isso as pessoas do mundo real, as mais desesperadas, as mais desesperançadas, eventualmente tentam desistir. Pôr em prática o “pára o mundo que eu quero descer. Ok, você não vai parar? Eu vou descer mesmo assim” e se jogam em qualquer abismo.

Ou tentam.

Enfim, eu tô muito triste e muito preocupada. Então se vocês, do mundo real, me virem amuada por aí, é por isso, não é nada pessoal.

Hoje tem a festa de formatura da Paty, uma grande amiga. Eu vou (se der), apesar de tudo, porque não adianta eu ficar aqui de qualquer forma.

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Ah! As coincidências!

fev 05 2010 Published by Marta Preuss under Dia-a-dia

Era o quinto dia de fevereiro, uma sexta-feira, e eu me sentia triste e sozinha. Sozinha porque minha companhia adoeceu e triste pela solidão.

Estava em um trabalho novo há poucos dias e fazia experiências de caminhos para casa. Por isso, mesmo sem companhia me dirigi para a Paulista saindo da estação Pinheiros de trem.

Desci na Cidade Universitária e comecei a procurar um caminho para ir para casa. Quando estamos perdidos a solidão aperta, então comecei a imaginar companhia. Minhas companhias imaginárias costumam me interrogar e assim me conheço melhor.

Não achei caminho para casa, então voltei para a Ponte Orca para ir para a Paulista (afinal, lá é minha segunda casa). Na grande fila, com os fones de ouvido, continuei respondendo as perguntas que meu companheiro imaginário me fazia, bem distraída.

Então alguém me perguntou algo.

Tirei o fone, pedi desculpas e o moço repetiu a pergunta, dizendo:

- Essa é a fila da Ponte Orca?
- É sim.
- Puuuuuuuuutz.
- Hahahah, não se preocupe, é rapidinho.

Fitei-o. Tinha a minha altura, era loiro e tinha olhos verdes. Quantos anos, 25, 28, mais de 30? Estava atrasado.

Conversamos, pois éramos duas pessoas muito simpáticas em uma fila enfadonha.  Falamos sobre como portar uma doze pode salvar seu dia, resolver todos os seus problemas. Escolhi achar que ele estava brincando (eu conheço pessoas que acham mesmo isso) e ri e brinquei junto. Conversamos sobre o naturalismo de músicas como “no samba ela me diz que rala/ no samba eu já vi ela quebrar” e pagodes desses. Falamos um pouco dele.

Ele era divertido. Podia até concordar no fundo, mas sempre procurava um contra-ponto: um pequeno troll engraçado e gentil. Ele curte Hermes & Renato e eu agradeci aos vídeos que vi no You Tube. Eu disse que meia vida minha era na internet e ele teve pena.

Não faço idéia se a parte do “uma amiga minha morreu semana passada, minha mina terminou comigo e perdi meu emprego” era brincadeira ou não. A parte do “e ainda falhei no suicídio” ele garantiu que era.

Era sádico. Não ria das próprias piadas e admitia a isso seu sucesso. No fundo eu sei que adoro uma piada sádica e rio de qualquer par de olhos verdes.

Desceu na Consolação. Perguntou se eu acreditava em Deus também (como se fosse Papai Noel) quando falei em casamento. Com um aperto de mão se despediu: “Prazer, Carlos”.

Acho que nunca mais nos veremos de novo.

Só uma coincidência. Uma folha que cai, uma nota de jornal.

Por quê, pra quê e para onde ele foi são perguntas erradas: inúteis e sem resposta. Assim como por que ele existiu, como um relâmpago, pra que ele foi falar comigo, que diferença isso faz/fez são coisas que não cabe a mim saber.

Mas eu não entendo nem desgosto dessas falhas na matrix: como bolinhos de chuva em forma de animais, acho graça e sigo em frente.

Quem pode saber, não é mesmo?

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