A violência travestida faz seu trottoir
Em anúncios luminosos, máquinas de barbear
Armas de brinquedo, medo de brincar
A violência travestida faz seu trottoir
Engenheiros do Hawaii em A violência travestida faz seu trottoir, do album O Papa é Pop, 1990.
Eu refleti bastante sobre o que essa frase quer dizer: “A violência travestida faz seu trottoir”. Primeiro, trottoir é um tipo de calçada. Depois, a violência é travestida, disfarçada.
Uma violência disfarçada é a nossa base de passagem, onde andamos sobre todos os dias sem notar. Nosso caminho. Uma violência camuflada que guia nossas atitudes, nos levando a algum lugar sem que a gente note.
O que lhe faz pensar onde a violência se traveste. Eu fico pensando, meu Deus!, onde a violência nasce? Da onde ela brota? Por que ela existe?
A pobreza justifica? Sinceramente, seria ofender o pobre. Eu sou da tão odiada classe média, mas quando foi que a classe pobre não teve princípios? Bobagem, classificar assim seria preconceituoso.
Com tanta religião, com tanta conscientização, educação, cultura, evolução pessoal, avisos pela tv, pela internet, pela mídia. Onde se traveste essa violência, meu Deus?
Uma pessoa pulou meu portão (não é tão difícil fisicamente, mas alguém invadiu a casa de outra pessoa, uma pessoa que ela não conhece, que não faz diferença para ela.). Meu cachorro começou a latir. A pessoa viu que tinha outro portão, trancado a cadeado. Cachorro latindo. A pessoa achou que seria uma boa idéia chutar o cachorro nas patas de trás. O cachorro chorou. A pessoa fugiu.
Esse é o Snoopy. Ele tem um ano e sete meses e já nasceu com as patas traseiras com problemas. Ele foi chutado por defender a minha casa. Gratuitamente.
E todo dia eu duvido mais da lei da troca equivalente: meu cachorro nunca mordeu ninguém. Ele é super bonzinho. Só latiu pra defender a casa e não mordeu a pessoa. Por que sofrer tanto, a ponto da injeção no músculo nem fazer cócegas perto da dor que ele já estava sentindo?
Parte irônica: o guardinha do apito passar na minha rua vinte minutos depois. Útil? NOT.
Complementar: post da Laís (minha irmã) sobre o mesmo assunto.







