Archive for novembro, 2009

“-É grave, doutor?” “-É platônico.”

nov 30 2009 Published by Marta Preuss under Filosofias vãs

Ahhhh o amor platônico. Eu realmente não deveria falar sobre isso, mas infelizmente li meu Google Reader antes de postar e só sobrou minha alma nua.

Se escrevo tudo que vivo, já devo ter falado sobre isso uma infinidade de vezes. É uma recorrência da minha vida. Foi um bom começo de adolescência acreditando que o amor platônico era tudo que era necessário para se ter um namorado, um amor real. Acreditando até que o platônico era o real. Inocência.

Dez anos depois a gente, por mais que não queira tanto assim, sabe que não é por aí. Que existem filmes e existe a vida real. Que príncipe e cavalo branco não são parceiros de realidade, de vida, da mesma forma como não acordo todo dia como uma princesa. Afinal, ninguém quer viver uma ilusão.

Até essa foto é meio platônica pra mim hoje em dia.

Até essa foto é meio platônica pra mim hoje em dia.

Mesmo assim, receio ser dessas pessoas que quase sabe o que é um amor platônico e um real. Que o platônico nem deveria se chamar amor, por não ser real. Paixão, talvez.

O gostoso da paixão platônica é que é como um quadro de um lugar lindo que você nunca foi: é gostoso de olhar e se imaginar ali. E o triste é que talvez você nunca irá. Um amigo dizia que tinha gente que era tão bonita que era para ficar na estante e nunca ser tocada. Eu chamei de “areia demais pro meu caminhãozinho”, mas soou pejorativo. Tanto faz. Essa euforia toda por alguém que você mal conhece deveria ter algum remédio.

“- Ele deve ter chulé.”
“- Eu não ligo nem se ele tiver bafo.”

Eu vou me arrepender pra sempre disso, mas na hora não: uma vez eu tive um baita dum amor platônico em um dos empregos que eu tive. No meu último dia, ele me deu um selinho no elevador. E acabou ali minha quota de realidade em platonisse. Tão triste. Queria ter gastado esse crédito com outras pessoas.

Eu comecei a procurar algo para ilustrar esse post e não há nada melhor do que o Don’t touch my moleskine (um dos blogs mais lindos e fofos da humanidade). Nesse blog, a Daniela Arrais pergunta “O que é o amor para você hoje?”. Se ela perguntasse para mim, eu responderia: O amor pra mim, hoje, é platônico. O amor é o tipo de coisa que só é real quando a gente vive. Enquanto eu não vivo, aproveito as platonisses como se fossem reais, mas esperando no fundo que elas acabem logo e sejam substituídas pela realidade. Algo mais sólido e menos purpurinoso que a imaginação, é verdade, mas a realidade me agrada um bocado só por ser real.

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Novo layout, novas frescuras

nov 29 2009 Published by Marta Preuss under Blog

Ah, eu não ia mas eu preciso dar satisfações sobre o Compulsive.

Como eu fiquei em casa esse fim-de-semana depois de várias festinhas de aniversário, enquanto o freela subia achei um tema legal. Chama “Let’s get drunk” e encontrei no WordPress Themes Creator graças ao blog da Cris, que descobri que existia porque ela fez um link pra cá (obrigada!).

Então mudei o layout, traduzi tudo (me avise se aparecer algo errado), atualizei as páginas, adicionei propaganda e as últimas fotos do flickr.

Quanto à minha promessa de postar mais, bem, deu pra notar que não tá assim tão fácil. Acho que tô perdendo um pouco da mão por falta de prática. Sei lá.

Você que assina o feed RSS deve ter notado umas entradas estranhas. É que na confusão do freela, eu troquei o banco de dados sem querer. Mas agora tá tudo certo.

Como eu abandonei meu Google Reader, fico pensando se sou eu ou as pessoas pararam de ler blogs. Sem paciência, sabe? Mas enfim. Como a maioria das coisas que faço, e chame de egoísmo se quiser, é mais para mim do que para as outras pessoas.

Eu também aguardo ansiosa meu retorno.

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Hora do post de aniversário

nov 26 2009 Published by Marta Preuss under Pessoal

Aniversário e 2009 misturado, porque passaram ao mesmo tempo e dependem um do outro.

Quando eu fiz 21 anos fiquei meio apreensiva. Tinha a impressão que era uma idade difícil. Pura bobagem minha: foi um ano delicioso.

Como ano passado eu fiz TCC, fiquei sem vida social. Então prometi que em 2009 conheceria a maior quantidade de pessoas que eu pudesse. O pessoal que convidei pra #nerdparty confirma que o plano foi muito bem sucedido.

Muito obrigada, então, à internet, ao curso de Jornalismo Cultural, ao inglês e aos três trabalhos que tive esse ano: Tribal, Fess’Kobbi e Gommo, por terem me dado a oportunidade de conhecer tantas pessoas especiais.

Essas mudanças de trabalho (também inexistentes ano passado) contribuiram absurdos para meu crescimento profissional, além do tempo para descobrir que esceever é a coisa que mais gosto de fazer na vida.

Minha vida amorosa foi a mais fantástica ever: nunca, na história desta que vos escreve, as vidas de solteira e comprometida foram tão bem aproveitadas e vividas. Agradecimentos e desculpas aos ex Alberson e Ray.

Cara, esse ano eu não briguei com a minha família. E minha família toda acalmou. Chegar em casa e ter um porto seguro tem sido vital pro meu humor.

Claro que fiquei triste alguns dias e chorei bastante. Mas esse ano eu não fiquei deprimida por longos momentos. Me curei?

As comemorações de aniversário foram um – um não, vários eventos a parte. Agradeço ao pessoal da Fess que até comemorou mas não pude ir porque tinha de ir trabalhar domigo de manhã, ao pessoal da ETE que foi ao Outback e ao Santa Augusta, ao Heron que fez um churrasquinho na casa dele e eu soprei velinhas, ao pessoal da Metodista e ao Marco que me fizeram ir beber no Miro, ao pessoal da Gommo que cantou parabéns e aos meus pais e irmã que foram almoçar fora comigo no rodízio hoje. Adorei todas, me diverti em todas, gastei muito dinheiro mas nunca vou esquecer!

Paty, eu e Lucas. Todas as fotos: Aniversário 2009

Aos 21 aprendi muito sobre mim. Foi meu primeiro ano (desde os 3) que não fiz um curso regular que tomava mais da metade do meu dia e boa parte dos meus fins de semana, e devo dizer que poder sair à noite para tomar cerveja sem peso na consciência é uma das melhores coisas que já fiz. O Compulsive viu como amadureci esse ano. E “sempre em frente, não temos tempo a perder”.

Hoje em dia muita coisa faz sentido pra mim. Da minha TPM às minhas paixonites e meus fins-de-namoro, tenho feito as coisas com alguma clareza de raciocínio. Tô confortável: como solteira, como analista de front-end na Gommo, como amiga, como filha e principalmente como Marta Preuss.

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Energia elétrica: sim, somos dependentes.

nov 23 2009 Published by Marta Preuss under Cultura

Queridos, graças ao meu trabalho eu não tenho conseguido escrever ou publicar. Esse post está totalmente fora de timming, sendo feito um dia após o apagão, mas eu não poderia deixar de comentar um fato desses. O projeto está caminhando para o fim, e pretendo postar nem que for para escrever no celular e subir o texto. Abraços.

Cada vez que cai a luz – e só nesses momentos, o que é mais grave – eu automaticamente noto o quanto somos dependentes de energia elétrica.

Primeiro que eu não conseguia me lembrar onde tinha deixado minha bolsa. E ela estava em cima da minha cama. Aí estava sem sinal de celular. Meu freelance e cronograma tinham ido pro saco, não havia mais nada a se fazer. Deitei pra dormir.

Recebo sms do Alberson: “Você está sem luz aonde?” e foi aí que me toquei que era global.

Metrô e trem pararam e voltaram só de madrugada. Seria bem pior estar no metrô, eu ia ter de desembolsar uma grana em taxi pra chegar em casa (da Pauluista pra Diadema existe ônibus? Eu não sei.)

Felizmente nada queimou.

Vi hoje os tweets da minha lista Amigos e Tell me the hype enquanto esperava os quarenta minutos pra conseguir entrar no tróleibus. Itaipu baleiou. Gente, Itaipu. Não é qualquer coisa.

Como a gente vive sem coisas básicas? Sem luz, gente. Sem telefone, celular, internet, tv. Sem geladeira, microondas, meu fogão acende no botãozinho e eu nem sei onde estão os fósforos. Sem chuveiro. Fiquei imaginando a vida sem semáforos. Sem elevadores (eu trabalho no décimo andar e escada não é uma opção para o meu sedentarismo).

No dia seguinte, a falta de água, já que não havia energia para as turbinas funcionarem. Água, porque água nem é importante mesmo.

Pior: fazer o quê? Sério, você que quer um gerador por casa, daonde vai sair tanto dísel? Parabéns você que curte passar roupa com ferro a carvão e se comunicar por carta. É algo enorme demais.

Só consigo ver uma alternativa eólica para energia. Mas todo nosso mundo é baseado em energia. Claro que, de forma ou de outra, sobreviveríamos e nos adaptaríamos (“O dia em que a terra parou” feelings), mas, por enquanto, minha base de vida se liga a uma tomada 110v.

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Tenho orgulho de quem se assume

nov 13 2009 Published by Marta Preuss under comportamento

Se assumir tem um pouco mais de conseqüências do que só enfrentar o senso comum. Afinal, enfrentar o senso comum não é assim tão fácil.

É engraçado como esse papo parece ser sobre opção sexual – e claro que se aplica – mas na verdade me refiro a tudo que se escolhe ser que difere da maioria, definida em estatísticas vagas de pequenos grupos sociais.

“Mas nós vibramos em outra freqüência” e enquanto a maioria me estranha por (apesar dos meus genes XX, seios e opção sexual) falar palavrões, evitar levar desaforo pra casa, matar baratas e rir de Matanza e piadas machistas (são PIADAS!), eu não consigo entender mulheres fúteis, ciumentas e coisas assim.

Pior: o cérebro da maioria das pessoas parece incapaz de conceber uma mulher-pessoa-normal e não me contam como mulher, mas como brother.

No começo eu fiquei meio chateada e minha auto-estima ficou meio baixa (essa foi a parte difícil), mas quando comecei a pensar em tudo que eu precisava fazer pra ser aceita como mulher, vi que não compensava.

Desculpa, galera, aqui tem menos uma mulher-gostosa no mundo (modo de falar, eu não sou assim tão não-gostosa desse jeito), mas mais uma mulher brother. Vocês, sem perceber, vão me respeitar mais do que a elas e talvez eu cate menos gente e faça menos sexo que elas, mas isso é infinitamente menos importante do que me deixar pra trás e me mudar em nome de uma convenção social estúpida.

Tenho menos pressa do que antigamente. Existem pessoas legais nesse mundo. É o que me importa.

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