Minha geração e o mercado de trabalho

Procurei formas para começar esse texto e vamos combinar uma coisa: onde digo “minha geração” e “eu” me refiro a pessoas que nasceram no final dos anos de 1980 e começo de 1990, que têm acesso à internet e ao computador desde a infância e, principalmente, que são o mínimo de criativos e responsáveis. Chamam isso de “Geração 2.0″. Sei lá.

O fato é que eu sempre tive problemas para me explicar aos meus pais porque, na época deles, um emprego era para a vida toda: você começava limpando chão e ia crescendo de cargo, enquanto hoje em dia você se forma em ser chefe e manda em pessoas que nunca viu na vida.

Ainda mais para nós, formados em Publicidade, Webdeveloper, Comunicação, Programação, essas coisas perenes, o mercado é assim: quem fica mais de 2 anos em uma agência, é acomodado. Na verdade a gente fica entediado das coisas tão rápido que nem aguenta ficar muito tempo em um lugar só.

O Fantástico também é televisão para o passado, parece. Claro que eu entendo que há pessoas que realmente não sabem se comportar em um emprego. Não sei o que acontece com as pessoas mas muitas não têm o básico da educação, tudo bem, a gente entende. Mas teve coisas na reportagem de hoje que me deixaram indignada.

As lições, as dicas dadas na reportagem foram:

  • Tente se parecer com a empresa. Eu concordo em termos: é mais fácil se adequar a um novo grupo social quando você o imita. É só notar as pessoas ao redor e fazer parecido. Pessoalmente, eu faço isso meio por instinto. Às vezes, você também. Ele fala também sobre cumprimentar as pessoas: eu tenho preguiça. Me apresento se o RH me levar e quase nunca dou beijo um-por-um. Sinceramente, eu também não curto muito, mas retribuo se me dão beijo de bom dia. Falar bom dia, sempre: é educação. Desde o porteiro até o diretor, todos que passam por mim recebem bom dia.
  • A roupa também não deve dissoar. Concordo também. Muitos amigos programadores vão de social à agência, onde não é necessário tanto garbo e elegância. Algumas mulheres exageram nas roupas curtas (!) e maquiagem, parecendo que vão para a balada, não para o trabalho. Minha regra pessoal é simples: em agência de publicidade, só quem vê o cliente precisa estar bonito. O restante precisa estar confortável. Mas, né, não saindo do padrão de aceitável, tanto faz. Homem de social é sempre bonito. Mulher de Lady Gaga é sempre chocante. A Patrícia costuma dizer que as roupas sociais dela refletem que ela está em um cargo de gerência, e mais uma vez eu concordo. Nada de decotes demais, curtos demais, saltos altos demais.
  • Falar apenas o necessário com o chefe e não ficar reclamando pelos cantos. Acho que a pior coisa de ser novo é quando o trabalho demora pra chegar. As pessoas sabem que você está lá. Ofereça ajuda, mas se ninguém precisar, fique na sua. Os tickets vão chegar. Em quantidades absurdas.
  • Pontualidade. Em agência de publicidade isso dificilmente é problema, mas se eu fosse chefe, jamais toleraria atrasos. Isso é falta de educação.
  • Decepção no teste de flexibilidade: a técnica se recusou a trabalhar no sábado. (nessa hora eu urrei no sofá). Tá no contrato que vai precisar trabalhar de sábado? Vai receber adicional pelo fim-de-semana? Precisa mesmo ou é teste pra ver se o otário novo é uma besta que pode trabalhar e deixar a própria vida pra lá? NINGUÉM tem de ir de fim-de-semana pro trabalho se o contrato não exige isso, não importa se é a primeira ou última semana. E acho que a menina fez é muito bem: assim acostuma os chefes que nela, eles não podem montar. Ninguém tem de se matar pela carreira porra nenhuma. A vida é mais importante e o trabalho deveria ser um terço da sua vida. Vão roubar minha posição? Que peguem uma posição de escravo!
  • Falta de sugestão. “Você nem deveria esperar”. Ué, mas no começo não era para ficar na sua? Isso depende do clima. Eu falaria porque eu sou bocuda, mas não condeno o rapaz.
  • Manter a humildade. Totalmente correto. Nada pior que uma pessoa que chega tipo “sou-foda” na primeira semana. Se você for foda, as pessoas vão ver e te reconhecer sem que você precise dizer isso.

O que eu acho que são boas práticas quando você começa ou por toda sua vida em um emprego:

  1. Não feda. Sério, não tem nada pior que trabalhar com gente cheirando a suor, com bafo ou fedendo a cigarro. Balas e desodorantes existem por algum motivo.
  2. Não fale mal das pessoas umas para as outras. Você nunca sabe quem é amigo de quem. Se é algo que atrapalha seu trabalho, fale com a pessoa, diretamente. Senão, guarde para você. (ou xingue muito no twitter, se ninguém tá vendo, como eu fazia com o machista :P )
  3. Reclame, sim, dos procedimentos se você tiver alguma sugestão melhor. E ênfase na sugestão e não no problema.
  4. Seja sincero e honesto, principalmente quanto às suas capacidades.
  5. Faça perguntas quando não souber o que fazer mas saiba tomar pequenas decisões sozinho.
  6. Não espere acabar a faculdade para procurar emprego. O jeito mais fácil de começar uma profissão é por estágio.
  7. Não seja um jerk, um idiota, um pé no saco, uma pessoa que se baseia na “sinceridade” para ser um escroto e indelicado. Respeite as outras pessoas e seja educado. “Se não tiver algo de bom pra dizer, não diga nada”. Se vai criticar sem ter sugestão melhor, pense na sugestão antes de abrir a boca.

Acho que reportagens como essa só deixam as pessoas com medo de tentar. Como no livro Admirável Mundo Novo, a sociedade é dividida em “castas” e as mais baixas são felizes assim e nunca querem subir porque as superiores têm responsabilidades demais, as quais elas não dariam conta. Tudo mentira, gente. Você só precisa ser uma pessoa responsável e ter um caráter decente. Educação básica, ser gentil. Pronto.

Semana dos contos no Compulsive

Olá você.

Me deu cinco minutos (e estou quase acabando de ler Coisas Frágeis 2, do Neil Gaiman, com o resto dos contos de Fragile Things que não vieram no Coisas Frágeis um, o que me fez gastar R$80 num livro de $20, mas é Brasil né gente) e eu peguei umas folhas em branco (A4, sulfite, sem pauta. Liberdade.) e escrevi uns contos.

São contos. Pedaços, fragmentos de histórias. Nada demais. Sem compromisso.

Um por dia. São cinco.

Se alguém se divertir um pouco lendo como eu me diverti escrevendo, vai ser ótimo.

Senão, foi ótimo do mesmo jeito.

Vai fazer um CMS em asp.Net? Tem certeza?

Olá, meu nome é Marta Preuss e tenho 3 anos e meio de experiência como front-ender ou produtora de sites ou analista de interface, como preferir. Tudo que eu faço é o HTML, JQuery e CSS do site: eu monto. Muita, muita gente despreza minha área, assim como desprezam o arquiteto de informação, sem perceber que, assim, só jogam dinheiro fora. Eu sou importante porque faço o que faço direito, melhor que o programador ou o designer, já que posso me dedicar a isso – e gosto. E um site bem estruturado renderiza mais rápido, indexa melhor e tem a manutenção mais barata. Agora que você sabe que eu sei do que estou falando e mereço respeito, presta atenção:

Quando você faz um site, procura a solução para um problema. Seja seu estoque de roupas que precisa de uma loja online, seja o site do escritório de advocacia que quer só mostrar seus serviços. As soluções também podem ser mais viáveis ou mais rápidas, dependendo do projeto. O que não dá pra fazer é pegar uma solução e querer implementar em qualquer problema, ou em um problema que não existe.

Ok, exemplo prático: o site tem só conteúdo. Textos e mais textos teóricos, com um destaque aqui ou outro ali, mas a estrutura não muda muito de página pra outra. Home, internas, pronto. Nesse caso, um CMS cai super bem. As coisas são meio engessadas e não vão mudar muito. Com o planejamento e wireframes adequados, é uma ótima solução.

Agora, se seu site vai ser um super portal, com várias áreas diferentes, cheio de ferramentas interativas e área de login do usuário, precisa de uma solução focada nele. Não adianta pegar uma solução genérica e querer adaptar. É jogar dinheiro fora.

pastel

Parece óbvio, mas não é isso que acontece. As pessoas vendem a solução e caçam um problema, em vez de observar o problema e oferecer a solução. O caminho é inverso. Aqui começam as gambiarras, noites viradas, pizzas e atrasos.

Virou modinha em algumas agências oferecer um CMS em asp.Net cujo grande trunfo é arrastar os boxes com os conteúdos em áreas pré-determinadas, como o painel do WordPress ou do iGoogle (entre outros). A idéia é legal: deixar com que o usuário decida onde vai cada destaque nos poupa certo trabalho de manutenção e ajuda a fazer com que o site suba logo, com a possibilidade do “Você muda depois”. Mas, pra funcionar, é necessário que tudo seja planejado, desde o começo, com base nas limitações do CMS. Sim, porque ele tem limitações. Fosse para ser ilimitado e cumprir todas as características exatas do projeto, não se usava um CMS pronto.

Ou seja: voltamos ainda estamos a fritar batata frita com massa de pastel. O que o cliente quer, batata frita? Então, por favor, vamos pegar as batatas, lavar, descascar, cortar e fritar. É muito mais fácil, rápido e o resultado é muito melhor.

A semana da ironia cruel

Primeiro de tudo, eu gostei demais dos posts da semana passada e da repercussão que tiveram. Grata! Mais gente conheceu o blog, mais comentaristas surgiram e eu consegui identificar melhor quem me lê e qual o propósito do Compulsive – sim, porque a gente encontra auto-conhecimento com auto-construção.

Como a receita deu certo, eu fiquei toda feliz pensando “Semana que vem são cinco posts pro Compulsive e no mínimo dois pro QG, vai ser bem legal” só que veio a arrebatadora semana da ironia cruel.

Essa semana aconteceu tudo que eu reclamei naquele post sobre exploração nas agências de publicidade. Essa semana, eu fui a otária. Eu só estou escrevendo esse post porque estou esperando para gravar o QG podcast mas, sinceramente, estou tão cansada que não sei se vou aguentar. (mas vou me esforçar, tô devendo isso faz tempo).

O que aconteceu foi uma semana de entrega de projeto. Eu olhei minha timesheet (planilha onde anotamos o tempo trabalhado) e vi, 10h, 11h, 12, quase 13h de trabalho e um dia com 5h. Achei que tinha algo errado, mas notei que esse dia foi um sábado. É, eu entrei no clima “entra cedo, sai tarde” como eles dizem.

Alguns chamariam de hipocrisia fazer um post daqueles e cair em tudo que eu disse, mas eu chamo de ironia. Primeiro, isso não ocorre com frequencia – na verdade essa é minha primeira semana de trabalho hard mesmo nesses três meses. Segundo: eu, toda gorda-trash-food-sedentária, fiz todo o front-end e cadastrei o conteúdo de um site de academia. Eu também fiz, e disso não me orgulho, um blog sem sistema de comentários – não que isso faça algum sentido [editado] Rá! Me explicaram depois: “É assim, hoje em dia tem novidades, mas novidade é algo novo, atual, e aquelas notícias não são novas, são só destaques. Por isso chama blog.” Heresia. [/editado]. E outros detalhes, tipo pedir ajuda pra fazer uma tabela (vai fazer uns 10 anos que eu faço tabelas em HTML. Sério.), comer tudo que há de péssimo quando o estômago já está explodindo de gastrite, não saí de casa sem pelo menos tentar maquiar as olheiras…

Eu, hoje de manhã

Eu, hoje de manhã

Principal: hoje em dia é diferente. O site vai pro ar, sei lá, semana que vem, no máximo na outra, e eu fiz minha parte, garanti meu emprego, aprendi muita coisa. Estou exausta (e um pouco frustrada porque fui cobrar o “depois de três meses a gente reajusta” e escutei a mesma coisa de quando entrei), mas semana que vem vai estar de boa de novo.

Enfim, não se preocupem: os rascunhos para os posts da semana que vem estão em produção. E dado que eu comecei a ler As Crônicas de Narnia, capaz que eles melhorem um pouco quanto à técnica e fluidez de leitura.

Espero voltar logo, sério. Se for pra ficar no vermelho desse jeito, prefiro ser blogueira.

A boa e velha vida sussa

Meus pais falaram de se mudar pra Santa Catarina. Queria que fosse sério e comecei a procurar emprego pro sul. Se eles não forem e eu achar algo, vou eu. (calma, é só uma suposição. Nada de vir se despedir de mim).

Todo mundo sabe que, em webdesigner e mídia digital, São Paulo é o lugar mais foda do Brasil. Vendo as vagas de outros lugares, seu portfolio e tudo mais, sei que não é bem “andar pra frente” profissionalmente. Os clientes, as tecnologias, é só sair da capital pro ABC e voltar alguns passos… em outros estados não é lá muito diferente.

Mas fiquei pensando em quão fantástica seria a vida sem trânsito, pegando uma praionas, saindo pra passear de noite sem medo de ser assaltado, não ter medo de sacar a câmera fotográfica na rua, curtindo o calorzinho ou friozinho, conhecendo gente bacana e dando bom dia pra todo mundo. A vida sem “omfg é pra agora” ou “chegou uma emergência. Eu sei que são seis e quarenta da tarde da sexta-feira mas…”.

Preferindo a qualidade de vida, me ocorreu que esse tipo de pensamento é meio coisa-de-velho. E em seguida achei um absurdo de minha parte pensar que qualidade de vida é coisa de velho. Que, como eu sou jovem, tenho mais é de fazer hora extra, pegar trem lotado, me estrupiar toda e nem assim ter condições de sair de casa, graças ao alto custo de vida de sampa.

Bizarro. Acho errado me achar preguiçosa por querer ir trabalhar em um lugar mais sussa, achar que eu estou regredindo. Quem faz meu progresso sou eu e eu tô cansada demais de viver nesse caos.

O fantástico roteiro fotográfico da Marta!

(quando eu faço títulos assim, lembro do Lucas comentando de uma personagem de um jogo que ele gosta. Diz que lembra eu. Who knows? auehuahue)

Eu tava entediada então resolvi sair pra tirar foto. Fiz o seguinte roteiro, e tem algumas fotos dos lugares que eu fui e outras virão depois.

  • Igreja do Bonfim
    Igreja Wireless
    Bonfim
    Velas
  • Jardim Botânico
     
  • Feira livre
     
  • Estação de trem
  • Alí onde o trem faz a curva

  • Trem
     
  • Estação do Metrô
  • Risco à vida

  • Rua de pedra
     
  • Zoológico
     
  • Lua
    [editado]
    Lua
    [/editado]
     
     
  • Fogos
     
  • São Bento
     
  • Liberdade
     
  • Ibirapuera
     
  • Praça dos Meninos (São Bernardo) 
    [editado OMFG e foi so fucking perfect!]
    Verde vermelho
    Queda
    Cartão postal
    [/editado] 

O revellon vai ser na casa do Pôlo, mal posso esperar ^_^