Pensei antes de escrever esse post. Pensei se eu devia. Mas achei que sim. Apesar de ser meio pessoal e da internet adorar uma reclamação, acho que foi algo importante e que merece uma nota.
Hoje dei um passo grande na luta contra a depressão. Meu psiquiatra removeu um dos meus medicamentos (que controlava as alterações de humor e, consequentemente, ansiedade) e diminuiu o anti-depressivo pela metade, só para dar manutenção. Minha genética não é das melhores para essas coisas, então melhor prevenir do que cair de novo.
É como passar um check-point da vida. Tenho tanto a agradecer a tanta gente… E estou tão orgulhosa por ter me tornado uma pessoa tão diferente dois anos depois…
Uma pessoa feliz e leve. Hoje estou mais perto do que quero ser e sou de verdade, sem doença, sem tilt no cérebro. E isso é libertador, contagiante, intenso. É bem legal.
Vou tomar um sorvete pra comemorar, brb.
Update em 28/02 (e fim do post):
Faz uma semana que tomo menos remédios e, apesar de ter sido uma semana cheia de trabalho e quase sem diversão, estou me sentindo bem. Normal, como antes. Ainda acordo, trabalho, vivo em paz. Minha auto-estima está boa. Não tenho vontade de ficar na cama e esperar o mundo acabar. Ao contrário: quero fazer minhas coisas, resolver meus problemas, crescer como pessoa e pagar minhas contas. Isso sim é normal.
Depressão é uma doença muito difícil. Ela é difícil de detectar porque todo mundo pensa “ah, frescura minha” ou “ah querer ficar na cama e esperar o mundo acabar é normal. Todo mundo passa por isso. Por dois meses inteiros.”. Difícil de tratar porque precisa ser atacada por diversos lados: psiquiatria, psicologia, religião, sociabilização, trabalho, família, amigos… tudo. E porque exige paciência, perseverança, ajuda e força.
Entendi como funciona a terapia quando fiz fisioterapia. O fisioterapeuta dava exercícios e me deixava lá, fazendo. Fazer era opção minha. Se eu fizesse direito, voltaria a andar logo e sentiria menos dor. Se eu fizesse com preguiça, ia precisar fazer por mais tempo e ia demorar mais para sarar.
A terapia funciona assim também: dá certo quando você encontra alguém que te passa os exercícios certos para mudar sua cabeça e você se esforça nos momentos de crise para se “reprogramar”. Cortar o ciclo vicioso e fazer uma mudança interna é mais difícil do que parece mas é super possível se você está focado e tem apoio profissional (quando não dá para fazer sozinho).
Nesse mesmo raciocínio, a vida é uma fisioterapia da alma. Se você faz os exercícios direito (tratando as pessoas como gostaria de ser tratado, pra começar, o que já é muito difícil quando você para pra pensar), ela dói menos e você sofre menos.
Gostaria de agradecer todo mundo que me ajudou nos últimos dois anos e pouco para que eu conseguisse voltar a ter controle da minha vida e me transformasse numa pessoa tão mais feliz: minha família, o Eduardo, meus amigos mais chegados (Lec – sem me mudar teria sido muito mais difícil, obrigada -, Paty, Léo, Lucas, Fatima, Alberson, Camila, Trancon, Sofia) e os menos chegados mas que também amo muito e me ajudam muito seja por um reply, um comentário ou mesmo um “oi” no chat do facebook.
Obrigada pelo amor, pelo carinho, pela paciência e por acreditarem em mim. Espero que tenha valido à pena para vocês também porque pra mim valeu. E muito.
Foto de Dizão.