Desespero criativo

É uma coisa antiga minha, que me dei conta há alguns anos atrás (quando entrei na faculdade) e só achei um nome apropriado agora.

Meu desespero criativo está total e completamente relacionado ao tédio.

Eu geralmente (desde criança) fico entediada nos dias chuvosos, no fim do dia ou no domingo. E geralmente nessas horas me dá um siricutico, uma folha em branca na cabeça, as mãos querendo se mexer e fazer algo legal.

Tudo que eu quero é fazer algo legal. Só isso.

Na faculdade, uma faculdade criativa, a sensação piorou porque, quando se abre o leque, mais coisas legais podem ser feitas, e mais em dúvida eu fico. E rola uma auto-cobrança maior. Para ser algo legal depois da faculdade, teria de ser algo really fucking awesome antes da faculdade, e isso é mais difícil de atingir.

Dizem que a gente tem de buscar inspiração pra fazer algo legal. Eu ouço Depeche Mode, os CDs mais introspectivos, como o Ultra. É bonito, parece que o som tem uma forma de universo, sabe?

Ou vejo meus feeds sobre arte, design e publicidade. A maioria é o feed do FFFFound e do We Heart It.

Aí dá mais desespero ainda. Tanta gente fazendo cosias lindas. Parece que vai ser só puxar o gatilho e eu vou conseguir criar qualquer coisa linda ou incrível.

~ * ~

Depois de quatro anos como webdeveloper, parece que arrumei um emprego na área de Mídias Digitais. Meu lado criativo vai ser mais estimulado, assim como a fotografia e o vídeo. Estou muito empolgada e espero que minha criatividade se solte de uma vez, em vez de ficar me desesperando, presa dentro da minha cabeça – nem se for em forma de rascunhos no moleskine ou fotos de nada com nada.

Desculpas esfarrapadas pela falta de atualização

A agência estava meio tensa. Digo, as pessoas sempre saíram e novas sempre eram contratadas, até que começaram a mandar lotes de pessoas embora. O clima foi ficando cada vez mais pesado.

Um dia meu ex-chefe e sempre grande amigo veio conversar comigo e descobriu que eu queria fazer jornalismo. Agora não quero mais; existe pós em Jornalismo Cultural, e é isso que vou fazer quando o inglês acabar. Mas na época, eu queria fazer outra graduação. Isso o incentivou a me demitir.

Era terça-feira e minha TPM não poderia estar pior. (A você, homem, que diz que é frescura e que a gente devia se controlar, vai tomar no c*). De qualquer jeito, meus hormônios todos se acalmaram ao mesmo tempo quando eu ouvi o “vamos ali conversar?”.

Saímos em seis pessoas. Antes de sair eu já estava mandando currículos. Depois, fomos tomar uma cerveja. Na quarta-feira, fiquei com o Ray (foi importantíssimo para a saúde do meu namoro) e na quinta, estava fazendo entrevistas. Sexta de manhã recebi a notícia que tinha sido contratada.

Dois dias desempregada. Cinco dias e meio sem trabalhar (se contar o fim de semana).

A empresa nova é legal: tenho um ótimo computador, um monitor decente de 19” Flatron wide, eles têm uma parede roxa, eu posso trazer meus copos e bonecos porque não serão destruídos. Principal: estou do lado da Paulista, minha segunda casa. Vou gastar os tubos com chá mate, all star, camisetas da Banca de Camisetas e principalmente Starbucks. Fora o McDonnalds, Habbibs e loja de Havaianas, tirando ainda as academias e tem lugar pra fazer Tai Chi (eu muito vou ter de ir pelo menos perguntar o preço).

Ainda to me acostumando. Os meninos ainda acham que eu sou dessas meninas que acha que falar palavrão é feio e ficam sem-graça de secar garotas gostosas pelas ruas (coisa que não falta pra esses lados). Não sei se eles já notaram que eu sou realmente nerd. Tenho conversado com um ou outro; mas sento separada de todo mundo e tenho de ficar me auto-convidando pra tudo.

Mesmo assim, um passo de cada vez. Começo é sempre chato.

Tudo aconteceu absurdamente rápido. Eu ainda coloco a senha do emprego antigo no computador novo. Por isso eu sumi daqui: apesar de ter pautas, preferi postar no QG (sobre os filmes A Onda e Herbert de Perto) e até no Resenha em 6 (sobre o Fifties) do que tentar transformar essa vida nova em palavras.

Em breve voltaremos à programação normal.

Somos tão jovens

Tenho certeza que o mercado de trabalho brasileiro não é muito confortável para a maioria de nós (apostando que uma pequena parcela – se existir – dos meus leitores é político ou pastor), mas é inegável que eu convivo com as profissões mais fodidas-e-mal-pagas que eu tenho notícia: minha irmã é vendedora de loja de roupas, meus amigos são programadores e a outra parte, eu inclusa, trabalha em agência de publicidade.

Quanto à loja de roupa, não tem muito o que falar: comércio é um saco – e a única loja que trabalhei viu as minhas poucas habilidades vendedoras somente por um mês. Foi péssimo pra mim, não dou pra isso, mas a Laís tá indo bem. O pessoal tem de trabalhar de fim-de-semana, em horários estranhos, mas no fim das contas, eles recebem direitinho pelo que trabalham (espero).

Eu acho que não conheço um programador não-nerd, então ficar na frente do computador pesquisando é normal. Mesmo assim, aqui já começam a acontecer umas coisas que me irritam profundamente: amigos que passam semanas viajando a trabalho, trabalhando 20h por dia (sim, você leu certo), e os que, não raro, surtam em pontos extremos de stress. Aliás, acho que é nessa parte do stress que o bicho pega: meu pai, ex programador de Visual Basic, se aposentou 10 anos antes do tempo, com o programa de aposentadoria voluntária do Banco do Brasil, e demorou cinco anos pra programar de novo.

“Só agora, quando eu abro o programa, não lembro mais da atmosfera de trabalhar no banco. Agora dá pra voltar a brincar”

Ele disse uma vez pra mim e começou a estudar Java (depois largou, mas “A vida e obra do meu pai fodão” é um outro post que ainda não existe). Enfim, meus três amigos mais próximos programadores andam surtando e fazendo faculdade. Ao mesmo tempo.

Mas eu sempre trabalhei em agência, três pequenas e duas grandes. O engraçado é que na maior delas é que o trabalho foi mais desumano. Desumano, sim. Não vem torcendo o nariz, falando “imagina, Marta, você está exagerando”. Eu estaria, se não rolasse esse orgulho:

“É tenso qdo você olha o histórico de alguns projetos e vê atividades disparadas às 03 da manhã.. Tenso, porém, sensação de dever cumprido o/”

Você acha isso bonito? Deixa eu te contar uma novidade: você não recebeu hora extra. Ah, o trabalho engrandece o homem? Ah, sua carreira está melhorando? Puxa, parabéns. Por outro lado, lamento, eu acho você bastante bobo para aceitar que façam isso com você.

Quando um ser humano se revoltou contra o entra as oito, sai as oito e recebe oito horas/dia de salário, ficou tão manchado que saiu da agência. E certo estava ele. Não entendo esse orgulho de “virei a noite!”, “tô há 32 horas trabalhando!”, “quase morri mas entreguei!” se você não vai realmente receber por isso – seja dinheiro ou portfólio, numa exceção (mas eu sei que no caso é recorrente, é quase diário).

Já ouvi que a gringa compara agências do Brasil com China e Índia. Que os orientais me perdoem, mas nosso objetivo não é montar. Nosso objetivo é criar, e nós temos capacidade para isso. Só que nossos chefes continuam nos tratando como se fôssemos macaquinhos que produzem e tudo bem não ver a família. Precisa entregar o job. Você não vai me deixar na mão, certo?

(Daí eu cansei e mudei de agência. Hoje eu tenho vida, dois blogs (mais um em criação), namorado e podcast. Fiz curso, saio de fim de semana e ganho menos.)

Quando eu falei que ia trocar de emprego, ou sempre que eu reclamo disso, minha mãe tem uma fita gravada e dá play: “Mas emprego hoje em dia está tão difícil, Marta… Tem que aguentar, emprego é chato mesmo. É assim mesmo, não tem jeito”. Ok, tem que trabalhar? Tem. Tem dia que é chato? Claro. Mas eu não vou perder vida porque “é assim mesmo”. Se for assim mesmo, eu largo tudo e vivo de freela. Problema resolvido, com louvor.

Somos tão jovens e a maioria de nós tem gastrite. A maioria de nós usa óculos. A maioria de nós tem algum tipo de LER ou já sofreu dores por isso. E nenhum de nós passou dos 30. Pense nisso.

É que nem namorado.

Sabe como é. Você acha um que nossa, faz seus olhos brilharem, seu coração bater mais forte, é paixão daquela das boas. Então vocês conversam, se entendem, vêem que um foi feito pro outro.

Você aceita o pedido e sua vida muda: seus amigos, os lugares onde você vai, as coisas que costuma fazer, suas gírias… E você acorda todos os dias com a certeza daquele amor, aquela segurança quentinha, de que vai viver um dia legal.

O tempo vai passando e – daí depende da relação – pode durar uns meses, pode durar uns anos. Mas geralmente, uma hora o encanto vai morrendo, você vai vendo mais os defeitos do que as qualidades, daí você já acorda querendo morrer por ter de viver mais um dia com “aquilo”.

Por essas e outras, estou mudando de emprego. Um ano e meio é bastante tempo – confesso que achei que fosse ficar mais, mas as coisas mudaram, eu saí do perfil e a empresa saiu das minhas paixões e eu sou uma pessoa de paixões. Eu vivo apaixonada, senão não dá certo (e foi por isso que eu terminei o namoro, mas essa é outra história).

Bom, feliz vida nova pra mim a partir de segunda-feira. Foi bom enquanto durou. E teve uma cereja no bolo quando terminou que eu nunca esperei que fosse ter. Sabe como é: cuidado com o que deseja.

Virei gente grande

É galera, agora virei gente grande de verdade mesmo. Quer dizer, só vou ser emancipada a partir de 26 de novembro, quando faço 21 anos, mas ao menos já vou começar muito bem!

No começo desse ano eu tinha dois objetivos: terminar bem o tcc e ser efetivada na Tribal. Ainda fiz mó drama pro Lucas, com medo de não conseguir, e ele, super sutil, se encheu de ironia e disse “Isso, Marta, a Tribal não vai te efetivar e você vai ficar desempregada pelo resto da vida!”

E então comecei a ver que, de fato, mesmo se a Tribal não me efetivasse, sem emprego é que num ficava mais :P Me esforcei, me matei, perdi minhas férias e comecei a colher frutos antes mesmo do projeto acabar, como vocês viram nos posts anteriores.

Mas a melhor notícia veio sexta-feira: fui efetivada! Com vale refeição e plano de saúde e tudo! Fui efetivada na minha área, fazendo o que eu gosto e ganhando bem o suficiente pro plano do ano que vem: morar sozinha :D

Pergunta se eu tô feliz?! hahahah xD

Aproveitando o post…

É, o TCC voltou a engasgar. Quer dizer, nem é o trabalho em si que tá engasgando, mas o nosso comportamento. As coisas andam… [procurando a melhor palavra] … ai, eu num sei, de repente a gente tá gritando e dai saem pra viajar e poxa… u_u. Eu resolvi que ninguém mais vai me tirar do sério, que ninguém mais vai gritar comigo e me irritar. Lógico que num vou parar de falar o que penso; apenas num vou mais ficar nervosa nem gritar de volta. Isso num tem ajudado.

E a balada foi uma droga. Nem vi a cor da tekila, minha irmã se divertiu com os amigos dela (o que é ótimo, mas eu devia ter levado alguém também) e num dava pra pisar na droga da pista. Agora é sério: nunca mais volto no Mezanini. Nunca!

Quando foi que…

…tudo isso começou a acontecer? rs

Droga. Não sei quantas vezes já aconteceu isso comigo. Eu tô lá, de boa, fazendo minha parte, seja no trabalho ou na escola, e de repente eu tô lá na frente dando palestra, aula, ou gerenciando grupo.

É estranho, é meio involuntário, e me senti a própria Sakura Card Captor. Alguém tem que fazer, então eu vou lá e faço.

Dizem que eu faço bem.

Ah, eu tô enrolando.

Hoje dei minha primeira palestra de SEO na agência. Eu dando palestra pra gerência de projetos e atendimento. E vai ter outra.

Parece meio surreal que eu já fiz tanta coisa na vida. Que eu seja tão adulta e responsável. Eu sou tão nova!

Eu sempre fui mais madura que a minha idade. Os professores falavam.

Tô orgulhosa. :) Bastantão assim :)