Favoritos – Some Great Reward, CD do Depeche Mode
(era para isso ser só um review pequeno do meu CD favorito, mas fui incapaz de fazer isso.)
Meu problema com esse CD é que eu gosto muito de Lie to Me, é uma daquelas músicas que o refrão fica na cabeça mas você nem quer que ele vá embora. O problema é que eu também gosto de Something to Do, então, como é a primeira do CD, então eu sempre escuto essa e o CD inteiro. O problema, no sentido literal, é a última música, que estraga tudo, como você vai ler abaixo.
Some Great Reward é um álbum do Depeche Mode lançado em 1984 com apenas nove faixas e relançado em 2006 com vários bonus track. Eu gostaria do de 2006, mas dou um rim (expressão usada apenas com efeito ilustrativo) pelo LP de 84.
O som é do Depeche Mode de raiz, aquela coisa sintética gostosa cheirando a mofo de plenos 80’s. Sintetizados, ecos, reverberações, essas coisas que fazem com que a gente goste do Depeche Mode antigo. O piano, os sons de metal, a bateria compassada, as distorções, a percussão mais incrível do planeta. Na verdade, antes desse, meu CD favorito era o próximo, Catching Up With Depeche Mode, de novembro de 1985 (eu nasceria dois anos depois), justamente pelo som, pela melodia, pela música.
Além dos sons e ritmos muito me agradarem – tudo em Depeche Mode é meticulosamente bem produzido e fascinante, principalmente para alguém sinestésico por opção como no meu caso – a temática é, no mínimo, curiosa: amor. Toda a depressão do Depeche em letras de amor.
Mesmo assim, eles não cortam os pulsos (Paralamas do Sucesso, estou olhando para vocês). Pelo contrário: é muito bonito, real e romântico. Eu diria fofo se fosse romântico no sentido de romance, não de amor. Entende? Eles vivem o amor de verdade, o com pedras no caminho e grandes recompensas (Rá!)
- Something to do: Você não quer vir comigo? Estou deprimido e entediado. O dia tá cinza. Você está entediada também, vai ficar feliz de vir comigo. Tem algo pra fazer aqui? – Eu adoro o ritmo e a música é viciante.
- Lie to me: Vai mentir, mente direito. Me faz acreditar. Mente que nem lá na fábrica, onde me fazem acreditar que vai pelo menos ter alguma coisa muito boa me esperando no fim do dia. – É, eu já cantei isso revoltada algumas vezes, mas era pra outra coisa, não por alguém. Mesmo assim, se eu pudesse fazer esse clipe, ia ser lindo: ele deitado na cama, ela fingindo que manda alguma coisa, mas todo mundo sabe que ele faz o que quer.
- People are people: Pessoas não são nada além de pessoas, cada um é cada um. Me odeia por que, se não fiz nada de errado? – Essa música resume os posts da Semana anti-preconceito, mas acho que sai um pouco da temática romântica do CD.
- It Doesn’t Matter: Obrigado por existir. Você não tá comigo, mas tudo bem, eu te amo mesmo assim e espero que a gente possa ficar junto pra sempre, mesmo que nada dure para sempre. Vou te agradecer, acima de tudo, o respeito que você tem por mim. – aaawwwwnnn é muita fofura!
- Stories of old: Eu não vou sacrificar nada por amor. Eu até gosto de você, mas não vou mudar por sua causa. – É a minha cara, não é? Uhhhh Star Wars!* Mas a música é muito boa. Vale de recado quando você não tá afim de fazer nada que te desrespeite por outra pessoa.
- Somebody: quero alguém que me entenda, que goste de mim, que escute minhas conversas insanas, que me abrace antes de dormir. Todas as coisas que eu detesto eu vou quase gostar e você nem vai concordar comigo, mas vai rir, mas no fim de tudo, vai me entender. – É a MÚSICA TEMA (morra de vergonha comigo, Ray!) do meu namoro. Awn.
- Master and Servant - Você manda, eu obedeço, esqueça tudo sobre direitos iguais. Um jogo de dominação, na cama ou na vida. – Mais uma música viciante, mais uma com clipe pronto na minha cabeça, hahahah.
- If you want – Você pode vir comigo se você quiser. – O ritmo é triste e tenebroso, mas a letra é quentinha.
- Blasphemous Rumors - é assim: era uma vez uma menina de 16 anos que tinha uma vida inteira pela frente, mas estava meio entediada. Nem passou pela cabeça dela agradecer a Deus pelo que ela tinha. Sua mãe via seus cadernos, caía de joelhos e rezava. Eu acho que Deus tem senso de humor e quando eles se virem, Ele vai rir. Aí a menina chega aos 18, está apaixonada por tudo. Encontrou o amor em Cristo. Daí FOI ATROPELADA E TERMINOU A VIDA NUMA MÁQUINA. Porque Deus realmente tem muito senso de humor e ela vai encontrá-Lo rindo. Então a mãe dela chora. – Eu gostava dessa música quando só entendia o “God’s [qualquer coisa] sense of humor”, mas depois que li a letra, gente, é depressiva DEMAIS. Essa é a única música do meu iPod que eu faço questão de passar, mesmo que eu esteja no trem ou lendo ou com muito sono. Não dá pra ouvir isso, dá vontade de chorar. E isso quase estraga o CD, porque é um nono da composição toda e dá vontade de cortar os pulsos. Mesmo assim, é o amor mãe – filha – Deus, então não sai da temática.
E aqui a gente encontra a depressão do Depeche Mode de novo: você fica um CD inteiro procurando o amor, agradecendo por estar com alguém de verdade, brincando de “eu mando”, pra terminar NUMA MÁQUINA DE SUPORTE DE VIDA. Obrigada, meninos.
Gosto muito do CD mesmo assim, e sempre que tenho vontade de ouvir qualquer uma das oito músicas (já que nunca quero ouvir a última), ponho o CD inteiro pra tocar
* Eu sempre fui mais trekker do que fã de Star Wars, foi o Ray que me fez gostar mais.








