Natal

Algumas coisas mudaram. E eu tenho vergonha de dizer, porque se elas mudaram é porque não eram assim antes.

O fato é que agora os presentes são a última coisa que me importam em datas comemorativas. Não para dar (sobre isso me importo até demais, fiquei louca esse natal) mas para receber. Não me importo com o que vou receber. O que foi meio frustrante pro meu pai, acho.

Meu pai gosta de dar presentes – e presentes caros. Quanto mais caro, mais ele passa o amor pela pessoa. Eu ganhei uma multi-funcional da HP que funciona totalmente na nuvem, é incrível. Um site gerencia tudo. E ela não tem fio, então posso mandar coisas imprimirem em qualquer lugar da casa. Genial, do futuro.

É só que… a comida… a ansiedade, as piadas, as músicas ruins… Isso vale tanto mais, sabe? Eu não ligo que ganhei de multi-funcional até par de meias. Eu já tenho tudo físico que jamais sonharia em ter.

(e ainda assim preciso mobiliar uma casa inteira, omg, isso me deixa louca sabia?)

Já que não tenho nada de que me orgulhe pra falar sobre a parte física do natal, falar sobre a parte religiosa é ainda pior. Digo, até que fui bem religiosa em 2012. Só que fui escolher justo o espiritismo. No espiritismo não adianta nada você tirar 9 em uma prova e não colocar tudo em prática.

O fato é que ainda não me sinto pronta para um trabalho voluntário; ao mesmo tempo, tudo parece me empurrar para tal, e me cobrar uma atitude neste sentido.

O que 2013 espera pra mim?

Não sou obrigado

Natal, lojas cheias, aquele mar de gente insuportável… Estou tão acostumada com as festas que só procuro as lojas em horários estratégicos. Eram 19h e poucas quando fui na perfumaria procurar tinta para meu cabelo.

Uma senhora olhava as bugigangas do fundo da loja. Viu um rapaz com uniforme e perguntou “Moço, quanto é este?” e ele, seco, “Precisa ver no caixa, senhora”. Até aí, tudo bem.

Quando ela foi embora (não sei se levou o produto), ele começou “Nem pediu por favor!”, “Não sou obrigado a ver preço pra ninguém” e debochar da cliente.

Eu achei um horror. A loja nem estava tão cheia. Ela não foi mal-educada, apenas perguntou o preço de um produto. E ele já ficou “Ah não mereço não. Não sou obrigado. Não sou.”

Sei lá. Se você é pago, você é obrigado a fazer algumas coisas. Se você gosta ou não, o problema é seu.

Às vezes, só de fazer o básico já somos mais do que muita gente. E de não fazer o mínimo, tem muita gente que não pára em emprego nenhum. Se esse rapaz for temporário, será que ele é efetivado depois das festas?

Espero que ele mude até lá.

Onde foi que eu errei?

Depois que os pais param de cuidar da gente, depois que eles param de falar “Filho meu não faz isso!” e depois que vocês fazem as pazes, dado que seus hormônios não te controlam mais, você começa a ficar responsável por eles.

De repente você virou uma-pessoa-adulta, faz as cruzadas no médio sem ajuda e tem opiniões próprias. Essas opiniões podem ou não ser como as dos seus pais.

Awwn eles são tão bonitinhos nessa fase!

Minha mãe é preconceituosa e julga as pessoas na rua. Fora a mania doida de perseguição que ela tem, onde “Desculpa, Rita, não podemos almoçar juntas hoje porque tenho uma reunião” significa “Tá vendo, eu cozinho mal porque ela não quis provar da minha comida.”. Toda coisa simples tem um outro sentido.

Meu pai também tem mania de perseguição, mas para combatê-la ele tranca minha casa inteira mais ou menos 16h com medo dos bandidos e para desespero da minha mãe, que ainda não jogou o lixo pra fora.

Mas hoje, no almoço, foi mais grave. Falávamos sobre educação e meu pai me fala

– O PT acha o MST bonito, faz aliança com guerrilheiros, homossexualismo…
– Perai, pai, homossexualismo não é um problema, muito menos comparando com MST e tal.
– É, mas não precisa incentivar, né!

O PT incentiva o homossexualismo? Agora que me toquei: permitindo que gays casem e sejam felizes?

Respondi:

– Pai, homossexualismo não se incentiva. Quem é, é e pronto. Não tem essa.

E mudamos de assunto.

Ainda estou assustada e mastigando isso. E meio triste. Eu admiro muito meu pai, é uma pessoa inteligente, responsável, trekker, nerd e me sustentou a vida toda, promovendo não só meu ensino como também minha cultura e raciocínio lógico e independente.

Mas a gente sempre fica meio triste quando alguém que a gente admira tanto tem uma opinião tão distorcida de coisas que, pra gente, são tão simples.

Preconceito contra doenças/doentes mentais

Esse é um tema abrangente. Doenças mentais vão desde autismo a depressão, passando por manha e outras coisas que nos confundem. Ninguém gosta de quem sai do padrão e ninguém gosta de gente doente, e doentes mentais são as duas cosias.

Meu tio era deficiente mental. Ele tinha uma mente de cinco anos de idade e a gente cuidava dele muito de perto, mesmo que ele se virasse sozinho para quase tudo. Casos como ele e os mais graves, que a gente vê na TV, ou os velhinhos com alzheimer, merecem, no mínimo, todo nosso respeito e amor. Todo nosso carinho, cuidados, remédios, transporte necessários.  São doentes e precisam de cuidados. Todo mundo sabe disso e, nesses casos, o respeito é óbvio e claro.

As outras doenças psicológicas, mais chamadas de transtornos por serem curáveis e passarem relativamente rápido em comparação a uma vida inteira, são muito mal julgados.

Antes de eu mesma entrar em depressão, mal entendia. Parecia frescura. Não parecia que a pessoa estava totalmente impossibilitada de fazer qualquer coisa que fosse.

Então aconteceu comigo: uma crise de depressão biológica. Como o nome sugere, minha depressão (ao que parece até agora) é de causas puramente químicas. Eu tinha pré-disposição genética e uma homeopatia floral (eu não acredito muito em homeopatia mas depois de tomar conhecimento de uns milagres, deixa, vai) desencadeou a danada.

A cura? Remédios. Simples assim. Eu sei lidar com a minha vida, traçar meu caminho, conseguir minhas coisas, mas fico triste porque a química do meu cérebro está errada. Ter vontade de morrer/se matar não é normal, e toda pessoa que passa por isso necessita de ajuda médica séria.

Uma coisa curiosa é que, enquanto crises que me faziam chorar o dia todo, sair do trabalho, xingar muito no twitter e ficar dias sem pentear os cabelos aconteciam, muitas pessoas que eu nunca esperei que fizessem tratamento surgiram contando sobre seus terapeutas. Foi assim, inclusive, que achei a minha. Me recomendaram a ABPS, que faz uma triagem com os pacientes, e achei uma psicóloga que me fez muito bem (e me recomendou livros ótimos!).

Mas achei estranho que tanta gente passasse por algo tão delicado e não contasse. Em alguns casos, entendo que tudo que a gente mais quer é não ser tratado como coitado, que quer sair do buraco e quando as pessoas sabem, acabam ficando com dó e só pioram tudo querendo ajudar. E o preconceito: mesmo que estejamos em pleno 2011, declarar abertamente que toma remédios como Prozac e Rivotril (faixa preta) é ser alvo de chacotas.

Peralá, pessoal: você acha que eu tomo um remédio desses porque eu curto? Você acha que um médico olhou pra mim, pensou “Ah, você tomou café demais hoje, vai.” e me deu duas receitas (porque é remédio controlado, uma receita fica com a farmácia), correu o risco de me viciar em algo como Rivotril porque tinha outra opção?

Outro dia chegaram a comparar tais remédios com drogas ilícitas como maconha. Sabe, você fuma maconha porque quer. Não tem uma só pessoa viva que tome antidepressivos porque acha maneiro contar para as pessoas que é doente. Porque se fosse só isso, elas não teriam a receita de qualquer forma.

Doenças não precisam de preconceitos. Precisam de esclarecimento. Precisamos falar sobre elas e explicar aos desavisados que é uma fase muito mais difícil e chata do que parece. E que “aquela louca da fulana que toma Prozac” precisa disso para não se matar.

Leitura complemetar: Um apelo: parem de falar mal de psiquiatras e remédios psiquiátricos.

Trivia: Você sabia que o eletrochoque é utilizado desde 1930 até hoje? O procedimento é realizado com anestesia geral e é completamente seguro, utilizado no tratamento da depressão severa, esquizofrenia, entre outros.  (mas eu confesso que é um dos meus pavores).  Fonte: wikipedia (então pode ser mentira, né?)

Minha geração e o mercado de trabalho

Procurei formas para começar esse texto e vamos combinar uma coisa: onde digo “minha geração” e “eu” me refiro a pessoas que nasceram no final dos anos de 1980 e começo de 1990, que têm acesso à internet e ao computador desde a infância e, principalmente, que são o mínimo de criativos e responsáveis. Chamam isso de “Geração 2.0″. Sei lá.

O fato é que eu sempre tive problemas para me explicar aos meus pais porque, na época deles, um emprego era para a vida toda: você começava limpando chão e ia crescendo de cargo, enquanto hoje em dia você se forma em ser chefe e manda em pessoas que nunca viu na vida.

Ainda mais para nós, formados em Publicidade, Webdeveloper, Comunicação, Programação, essas coisas perenes, o mercado é assim: quem fica mais de 2 anos em uma agência, é acomodado. Na verdade a gente fica entediado das coisas tão rápido que nem aguenta ficar muito tempo em um lugar só.

O Fantástico também é televisão para o passado, parece. Claro que eu entendo que há pessoas que realmente não sabem se comportar em um emprego. Não sei o que acontece com as pessoas mas muitas não têm o básico da educação, tudo bem, a gente entende. Mas teve coisas na reportagem de hoje que me deixaram indignada.

As lições, as dicas dadas na reportagem foram:

  • Tente se parecer com a empresa. Eu concordo em termos: é mais fácil se adequar a um novo grupo social quando você o imita. É só notar as pessoas ao redor e fazer parecido. Pessoalmente, eu faço isso meio por instinto. Às vezes, você também. Ele fala também sobre cumprimentar as pessoas: eu tenho preguiça. Me apresento se o RH me levar e quase nunca dou beijo um-por-um. Sinceramente, eu também não curto muito, mas retribuo se me dão beijo de bom dia. Falar bom dia, sempre: é educação. Desde o porteiro até o diretor, todos que passam por mim recebem bom dia.
  • A roupa também não deve dissoar. Concordo também. Muitos amigos programadores vão de social à agência, onde não é necessário tanto garbo e elegância. Algumas mulheres exageram nas roupas curtas (!) e maquiagem, parecendo que vão para a balada, não para o trabalho. Minha regra pessoal é simples: em agência de publicidade, só quem vê o cliente precisa estar bonito. O restante precisa estar confortável. Mas, né, não saindo do padrão de aceitável, tanto faz. Homem de social é sempre bonito. Mulher de Lady Gaga é sempre chocante. A Patrícia costuma dizer que as roupas sociais dela refletem que ela está em um cargo de gerência, e mais uma vez eu concordo. Nada de decotes demais, curtos demais, saltos altos demais.
  • Falar apenas o necessário com o chefe e não ficar reclamando pelos cantos. Acho que a pior coisa de ser novo é quando o trabalho demora pra chegar. As pessoas sabem que você está lá. Ofereça ajuda, mas se ninguém precisar, fique na sua. Os tickets vão chegar. Em quantidades absurdas.
  • Pontualidade. Em agência de publicidade isso dificilmente é problema, mas se eu fosse chefe, jamais toleraria atrasos. Isso é falta de educação.
  • Decepção no teste de flexibilidade: a técnica se recusou a trabalhar no sábado. (nessa hora eu urrei no sofá). Tá no contrato que vai precisar trabalhar de sábado? Vai receber adicional pelo fim-de-semana? Precisa mesmo ou é teste pra ver se o otário novo é uma besta que pode trabalhar e deixar a própria vida pra lá? NINGUÉM tem de ir de fim-de-semana pro trabalho se o contrato não exige isso, não importa se é a primeira ou última semana. E acho que a menina fez é muito bem: assim acostuma os chefes que nela, eles não podem montar. Ninguém tem de se matar pela carreira porra nenhuma. A vida é mais importante e o trabalho deveria ser um terço da sua vida. Vão roubar minha posição? Que peguem uma posição de escravo!
  • Falta de sugestão. “Você nem deveria esperar”. Ué, mas no começo não era para ficar na sua? Isso depende do clima. Eu falaria porque eu sou bocuda, mas não condeno o rapaz.
  • Manter a humildade. Totalmente correto. Nada pior que uma pessoa que chega tipo “sou-foda” na primeira semana. Se você for foda, as pessoas vão ver e te reconhecer sem que você precise dizer isso.

O que eu acho que são boas práticas quando você começa ou por toda sua vida em um emprego:

  1. Não feda. Sério, não tem nada pior que trabalhar com gente cheirando a suor, com bafo ou fedendo a cigarro. Balas e desodorantes existem por algum motivo.
  2. Não fale mal das pessoas umas para as outras. Você nunca sabe quem é amigo de quem. Se é algo que atrapalha seu trabalho, fale com a pessoa, diretamente. Senão, guarde para você. (ou xingue muito no twitter, se ninguém tá vendo, como eu fazia com o machista :P )
  3. Reclame, sim, dos procedimentos se você tiver alguma sugestão melhor. E ênfase na sugestão e não no problema.
  4. Seja sincero e honesto, principalmente quanto às suas capacidades.
  5. Faça perguntas quando não souber o que fazer mas saiba tomar pequenas decisões sozinho.
  6. Não espere acabar a faculdade para procurar emprego. O jeito mais fácil de começar uma profissão é por estágio.
  7. Não seja um jerk, um idiota, um pé no saco, uma pessoa que se baseia na “sinceridade” para ser um escroto e indelicado. Respeite as outras pessoas e seja educado. “Se não tiver algo de bom pra dizer, não diga nada”. Se vai criticar sem ter sugestão melhor, pense na sugestão antes de abrir a boca.

Acho que reportagens como essa só deixam as pessoas com medo de tentar. Como no livro Admirável Mundo Novo, a sociedade é dividida em “castas” e as mais baixas são felizes assim e nunca querem subir porque as superiores têm responsabilidades demais, as quais elas não dariam conta. Tudo mentira, gente. Você só precisa ser uma pessoa responsável e ter um caráter decente. Educação básica, ser gentil. Pronto.

Bullying e nosso crescimento interpessoal

Eu estou oficialmente de férias e isso me afastou um tanto da internet. Não pelas férias, mas pelo Quando Nietzsche Chorou, que tem atraído muito da minha atenção e reflexão. Então até me perguntaram sobre o Zangief Kid no meu formspring e eu, por fora, não soube responder apropriadamente.

Não é difícil conhecer um meme ou novidade na internet e nem é preciso perguntar: as pessoas vão falar, os links estão aí e se tudo mais faltar, basta uma pesquisa rápida para se inteirar no assunto. Fiquei com preguiça, mas ele veio até mim: o post do Eden sobre o Zangief Kid explica tudo que eu precisava saber pra comentar.

Assim como muitos de vocês, eu também sofri bullying na escola. Eu era loirinha, com cara de boba, toda vermelhinha e quase gordinha. Além disso, tinha uma mania irritante de andar perto dos adultos e professores e de querer ser a melhor da classe. Mandona e sabe-tudo. Eu também andava com as pessoas mais oprimidas, mais chatas, mais tristes e solitárias, por solidariedade.

Com três anos um menino me batia todos os dias na escolinha. Um dia peguei a mão dele antes de me acertar o tapa e disse: “É só carinho!”. Ele ficou sem ação. As professoras, também.

Aos doze, ganhei o troféu de menina mais feia da sala. Éramos vinte alunos e eu devia ser mesmo a menina mais feia da escola. Um adulto, certa vez, me disse que isso poderia ser implicância porque eu andava com os adultos e era queridinha dos professores. Outro adulto me fez admitir que isso é brincadeira. Meus sentimentos quanto a isso são confusos porque com doze anos eu era só uma criança e essas coisas não eram sérias para mim.

As coisas começaram a ficar sérias com quatorze. Uns gostavam de outros que gostavam de terceiros e nenhum amor era correspondido. Estranho, pensando agora: isso fez mal para todos nós. Meus colegas, na altura da oitava série, ridicularizavam as séries anteriores, como se eles não tivessem passado por elas poucos anos antes. Eu as acompanhava e era ridicularizada também.

No colégio, claro, foi pior. Eu era filha de funcionária, namorada do menino mais detestável, inteligente e intrusa. Tinha poucos colegas. Não sobrou nenhum amigo daquela escola, por escolha minha ou deles, não sei, mas éramos diferentes de qualquer forma.

Um senhor uma vez me disse que talvez por isso eu estivesse deprimida: porque hoje sentia falta de coisas que não pude aprender antes, por andar muito com os adultos e pouco com as crianças.

Pode ser: a melhor coisa de passar dos vinte é que você não precisa mais viver com pessoas da sua idade. Desde cedo meus professores sabem que sou madura demais pra isso – e por favor, não pensem que me orgulho: não se encaixar na sua idade é mais um castigo que uma bênção. Rápida demais pra minha série. Mas já passou. E agora, depois dos vinte, tenho amigos de todas as idades e adoro todos: tanto os mais novos quanto os mais velhos. Se livrar desse fardo de ter idade fixa, série fixa, foi uma das poucas coisas boas de ser adulto.

O que isso tem a ver com bullying e o caso do Zangief Kid? Bem, vocês notaram como eu sempre fui passiva e, diferente do novo herói mundial, nunca reagi a provocações – não com violência física. No máximo, quando comecei a trabalhar e notei que estavam me menosprezando por ser mulher, aprendi a responder como se deve e provar meu próprio valor. Mas não bater. Não devolver na mesma moeda, descer ao mesmo nível.

Zangief Kid foi aclamado por ter tido coragem de fazer o que muitos de nós queríamos ter feito quando éramos crianças. Mas, se de fato tivéssemos feito, teria sido melhor? Essa criança vai crescer achando que jogar uma pessoa que lhe provoca na calçada resolve todos os problemas?

Por outro lado, se ele aguardasse, guardando a mágoa e sendo tão adulto assim quanto eu espero, não cresceria para ser um distribuidor de blocks acuado mas se passando por inocente, o dia todo atormentado por pequenas e grandes enchessões de saco em uma rede social qualquer? Teria ficado deprimido e reprimido? Estaria procurando seu lugar no mundo enquanto outros bilhões dormem tranquilamente depois de ter deixado a bandeja na mesa para a tia da limpeza ter algo para fazer?

 

Em Star Trek, Spock sofre de bulliyng em sua escola em Volcano por ser meio-humano

 

Não sei. O bullying sempre existiu e se existia em Volcano, uma sociedade tão avançada e controladora das próprias emoções, não tenho esperanças que deixe de existir com a nossa evolução como seres humanos. “Os animais brincam de brigar”, me disse o senhor naquela tarde tão esclarecedora, “para conhecer sua força e seus limites. Quando pode atacar e principalmente quando têm de recuar”. O bullying é uma forma de desenvolver nossas habilidades sociais. Uma forma errada, uma forma que eu discordo plenamente, apesar de já ter praticado, também. Os nerds que zoam os populares. Já aconteceu.

O fato é que temos uma dificuldade estarrecedora de nos relacionarmos com outros seres humanos. É a nova prova do século. A internet ajuda ou piora? Com a internet, selecionamos nossos amigos de acordo com nossos interesses e bloqueamos, excluímos quem nos trariam alguma dificuldade para evoluírmos interpessoalmente. Como serão as pessoas quando não for mais necessário lutar por si próprio?

Esse é o primeiro de “pequenos” posts reflexivos que tenho escrito no iPhone desde o começo da leitura de Quando Nietzsche Chorou. Nenhum deles têm um final conclusivo e todos eles são cheios de perguntas, para que possamos pensar em suas respostas. Pensar sozinha não traz solução.