Rótulos

Esse lance de rótulos é muito relativo. Todo mundo rotula as coisas, mas quem é rotulado nem sempre gosta do título. Por exemplo, a primeira regra para ser um hipster é negar que é hipster até a morte – a segunda é usar óculos de aro grosso, tatuagens, cabelo esquisito e neón. O mesmo para nerds, douchebags, etc.

É difícil eu me encaixar nesses grupos. Eu gosto de andar toda fofinha, de cor-de-rosa, ouvindo Korn. Ou estar felicíssima e fechar a cara quando ando sozinha na rua. Eu gosto de meninos e meninas e já ouvi assim: “Antes de te conhecer não sabia que existiam pessoas tão ecléticas”, porque eu ouço as músicas que Glee fez e na mesma playlist tem Muse, Creed, Elis Regina, Red Hot Chilli Peppers e por aí vai.

Eu sou filha da internet, mas eu adoro passear em parques e tirar fotos. Gosto de trabalhos manuais. Gosto de ler e de Faustão/Fantástico. Gosto de cuidar do meu cabelo, de moda e de Star Trek. O primeiro site que eu fiz chamava “Salada” porque eu não conseguia escolher apenas um tema para fazer um site.

Como tudo na vida, ser uma pessoa tão eclética tem seus lados bons e ruins. Eu tenho vários amigos de tudo quanto é canto, cada um do seu jeito, e me dou bem em vários grupos diferentes. Faço amizade fácil. Teve um aniversário meu que não pude convidar quem eu queria porque era amiga de grupos opostos. Consigo conversar desde esmalte até Doctor Who. Sei cantar de pagode a Kiss.

Mas sem rótulos definidos, eu fico sem fazer parte de grupo nenhum. Por exemplo, metade dos meus amigos estão se preparando para o casamento, a festa, compraram apartamento, estão vendo móveis planejados, etc. A outra parte está curtindo o namoro e mais preocupada em sair e se divertir, ou em começo de rolo, ou em término recente. Eu tô no meio! Namoro faz tempo mas não vou casar em igreja. Não tenho esses assuntos.

É muito difícil eu querer ir pra um show ou balada, também. E eu detesto futebol e não fumo. Pronto, lá se foram mais dois rótulos sociais. E eu não consigo decidir em quê eu faço pós-graduação: design ou ciências sociais?

E aí você fala “ain mas você é nerds” só porque, sei lá, acho academia meio bbk (dsclp) e jogo xadrez, mas parando pra pensar….

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No fim, acho que somos apenas todos iguais, tentando encontrar pessoas que gostem de coisas semelhantes para ter assunto. Nada demais.

Parando e pensando

Depois de muito tempo, quase dois anos, meus hormônios voltaram quase ao natural. Já contei e tal que tô tomando menos remédio e me sinto mais “limpa” que nunca. Eu nunca fiquei tão bem com tão pouco remédio, então todo dia é um passo, uma descoberta.

Aí chegou a TPM e eu tava até ansiosa pra saber como ia ser, se eu ia me dar bem. Quem tem depressão biológica sofre mais na TPM. Sempre dá uma quedinha.

Não posso dizer que estou sofreeeendo, assim. Só de dor no tornozelo, mas né. Apenas um dia comum, isso de ter dor no tornozelo. Mas preciso admitir que ando mais chorosa e reflexiva.

É inevitável você olhar pra sua vida de tempos em tempos e pensar que diacho você tá fazendo dela. Minha vida não está ruim de forma alguma: eu tenho minha casa, namorado, amigos, um bom trabalho. Tudo que eu queria ter. Até minha condição monetária tá ótima. E esse foi o mesmo discurso que falei em outubro/novembro de 2010, quando surtei.

Não acho que vou surtar agora. Eu tenho mais controle, paciência e auto-conhecimento e fico esperando a semana passar, sem tomar nenhuma decisão pra vida (como cortar o cabelo tipo Emma Watson on drugs). Ainda assim, as possibilidades pipocam o tempo todo.

Tenho vontade de largar tudo e virar freelancer em tempo integral. Faz quase um mês que venho para o escritório e fico aqui sentada por oito horas sem fazer nada ou quase nada. Tenho aproveitado o tempo para estudar e fazer projetos pessoais paralelos, mas eu queria era estar cozinhando e cuidando da minha casa, lavando minha louça, sei lá.

“Ain Marta você tá reclamando de ganhar pra não fazer nada? Dá seu emprego pra mim!”. Eu tô ganhando dinheiro, sim, para ficar aqui de plantão. Mas e daí? Achei uma fonte legal de freelance que paga, sozinha, minhas contas. Mesmo se eu freelasse pra cá, remoto, e ganhasse só as horas que trabalhei, tava de boas. E se eu não viesse pra cá presencialmente, poderia fazer outros freelances no meu tempo livre. Ou artesanato. Ou jardinagem. Ou cozinhar.

Pode ser que eu opere o tornozelo novamente e não sei como seria o tempo/processo de recuperação neste caso. Mas se eu precisar ficar mais de um mês em casa… talvez eu pense nisso com mais carinho. Sou webdeveloper, posso trabalhar de qualquer lugar do mundo. Por que preciso ficar presa em um escritório se sou “minha própria empresária”? Por que preciso vir presencialmente construir um produto que vai ser acessado de qualquer lugar do mundo?

Tenho vontade de viajar, como o Heron fez. Conhecer outro país. A Austrália, assim, algo diferente dos EUA. Ou mesmo viajar pelo Brasil. Ou mesmo morar em São José dos Campos. Talvez só trabalhar um dia na Starbucks, outro no Centro Cultural, e na minha cama quando estiver frio.

Não é delírio. Nem difícil. Eu vejo tudo isso e não sei porque estava até então tão obcecada por uma carteira de trabalho. Eu tenho previdência da empresa e seguro em caso de gravidez ou invalidez. Por que estou tão preocupada?

Essas ideias todas vieram do livro gratuito “Equilíbrio – A vida não faz acordos”, de Flavia Mariano. Você não precisa ter um Kindle para ler. Basta baixar o programa no PC ou no celular e “comprar” o livro. Ele é curtinho mas faz pensar nessas coisas de ser workaholic. Acho que não sou mais workaholic como era antes, mas ainda preciso de equilíbrio.

Mas isso não é tudo. Por outro lado, a segurança, a atividade e o glamour de trabalhar presencialmente ainda me encantam. Gosto de ver pessoas, de ter um canto seguro, dinheiro todo mês. Tenho meus eletrodomésticos para terminar de pagar. Não reclamaria por um aumento de salário. Não acho errado eu querer um pouco mais, já que ainda tenho coisas para comprar e pretendo juntar meus trapos com o Eduardo ano que vem.

E eu quero ter um filho até os trinta também. Aí não sei como vai ser. Trabalhar em casa seria ótimo para cuidar dele; trabalhar fora seria o ideal para sustentá-lo.

Imagino quantas pessoas passam por essas indagações e tenho medo que não sejam tantas assim. Meus pais têm um modelo de trabalho tão fechado e engomadinho que a gente sempre acaba discutindo por essas coisas e eu entendo que era outra época e outras profissões. Minha mãe era bibliotecária arquivista. Ela precisa fazer o trabalho presencial. Meu pai era programador, mas funcionário público. Ele tinha toda estabilidade  do mundo.

Eu, não. Eu sou livre dessas amarras. Eu não tenho esses suportes. E eu não sei o que fazer com isso.

Dia da mulher de novo

Tem dois conceitos que vocês precisam botar na cabeça antes de ler esse e qualquer outro texto decente hoje:

Minoria é determinado grupo humano ou social que esteja em inferioridade numérica ou em situação de subordinação sócio-econômica, política ou cultural, em relação a outro grupo. (fonte). Ou seja, minoria não é necessariamente o grupo com menos quantidade, mas o grupo que não é dominante. Por isso mulheres são uma minoria, assim como gays, negros, etc. Não porque são menos numerosos, mas porque sofrem abusos como salários menores, violência, preconceito e por aí vai.

Feminismo não é pedir mais direitos para mulheres, é pedir direitos iguais. Se você espera que uma mulher possa ter o mesmo estudo, exercer a mesma função e receber o mesmo salário de um homem, você é feminista. Se você acha que a obrigação de cuidar da casa não é só da mulher, é feminista. Não é querer a mais. É querer igual. Porque não é igual. Porque mulheres são uma minoria.

Dito isto, sigamos.

 

Eu adoro escrever no dia da mulher. É a oportunidade perfeita para deixar alguns pontos claros que nunca se resolvem pelos anos. Veremos:

Essa semana uma programadora nova entrou na equipe, a Karina. Linda e muito gentil, como toda programadora java que eu conheço. Aí chegou um cara de outra área e disse “Finalmente temos uma mulher aqui!”. Eu trabalho aqui há sete meses e minha colega Pathi, quase um ano. A gente nunca foi notada porque não anda toda de social? Não tem cabelo cumprido? Não tá no esteriótipo? Isso me chateia.

É muito comum trabalhar com machistas entre os programadores. Aqui mesmo, eu ainda ganho 25% menos que meu ex-colega. Antes daqui, em outro emprego, eu queria matar o estagiário porque ele só falava besteiras todos. os. dias, do tipo “mulher minha fica em casa” e tal.

Inclusive, antes eu achava fútil ficar em casa cuidando dela e dos filhos, mas hoje é algo que eu admiro e respeito. Quase invejo. O importante é que isso seja uma escolha da mulher e que ela tenha as mesmas oportunidades que o homem para conseguir realizar seus sonhos.

A luta continua.

ps.

Relendo os posts eu percebo que estou sempre numa luta contínua para me adequar ao padrão de beleza e peso que uma mulher deveria ter. Que estou sempre dizendo que sou amolecada, que gosto de andar com os meninos, que não tenho paciência para maquiagem and stuff, mas sofrendo por não ser notada como uma mulher, querendo convencer a mim mesma que está tudo bem ser assim. Eu não sei se isso faz parte da baixa auto-estima que a depressão carrega junto. Não sei se a maioria das mulheres levam esse estigma também. Mas acho que faz parte da luta. O nosso amor próprio é o que fortalece o nosso exército.

Lucro, lucro, lucro

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Lá nos idos de 2006 eu era uma pequena jovenzinha de 18 anos entusiasmada com a faculdade e o incrível mundo novo da profissionalização da minha criatividade. Eu já mexia com HTML desde 2000 mas finalmente tinha chegado a hora de fazer pra valer, de ser contratada e de ganhar dinheiro com isso.

Lembro que meu primeiro emprego não me pagava o suficiente nem para ir ao trabalho e almoçar. Eu pagava pra ir trabalhar (quer dizer, meu pai, né). Ainda assim, entrei no mercado no primeiro semestre da faculdade e não saí mais.

Mais pra frente aprendemos coisas novas. Vídeo, 3D, edição de imagens… E tinha um colega que queria monetizar tudo. A gente fez até um projeto pro Second Life que ele jurava que ia vingar e que todo mundo ia ficar rico com aquilo. Era sempre assim: a gente pode ganhar desse e daquele jeito. Não vamos fazer isso porque não vai dar pra gente ganhar nada em cima. E eu já achava isso um saco. Queria ser livre pra criar, vendendo ou não. Estava na faculdade, era hora de arriscar, de inventar, e ele queria investir.

Não me entenda mal. Dinheiro é importante e bom. Fazer o que ama pra ganhar dinheiro é o mundo ideal e tenho muita sorte por trabalhar assim. Mas nem tudo que eu faço precisa ser monetizado.

Existe dois tipos de tarefas: as que você gosta de fazer pelo prazer que dá fazendo e as que você faz pelo prazer que a consequência vai te dar. Comer chocolate x Fazer dieta. Sair de balada x Estudar pra prova. E eu gosto de fazer algumas coisas por fazer que poderiam dar dinheiro mas eu não quero cobrar, porque quando você resolve investir em algo que deve retornar lucro isso vira trabalho e acarreta uma série de responsabilidades chatas.

Não quero ganhar dinheiro com o Dona do Meu Nariz porque não quero ter a responsabilidade de postar lá com frequência, procurar parceiros, fazer publicidade. Quero dar aula de informática e não quero ganhar com isso porque acredito que o mundo é um lugar melhor com conhecimento.  Tenho um projeto paralelo que dei de bandeja para um empresário que eu confio porque não tenho saco pra desenvolver e cuidar disso e, cara, foda-se.

Não vou levar dinheiro pro túmulo. Levo dinheiro pra pagar minhas contas, comprar coisas legais, sair, viajar. Feito isso, acabou. Não preciso de mais dor de cabeça. Trabalho muito, tenho trabalhado em dobro e estou cansada, mas porque preciso. Porque gastei mais do que tinha na mudança. Não preciso de mais dinheiro que isso.

Sei lá, às vezes acho que algumas pessoas levam isso de lucro muito à sério, como se fosse tudo que importasse, e esquecem da diversão, da intensidade e do fazer as coisas por simples prazer.

Pra quê complicar a vida assim?

“Bem-aventurados os aflitos…”

“…pois eles terão o Reino dos Céus” (Mateus)

“Ai de vós que agora rides, porque sereis constrangidos a gemer e a chorar.” (Lucas)

Toda vez que uma tragédia de grandes proporções toma conta da mídia, eu procuro olhar com o pouco que sei da Doutrina Espírita. Foi assim com Santa Maria (apesar de no fundo do coração ainda não ter engolido direito a teoria de que era a reencarnação dos nazistas. Acho uma puta forçação de barra. Além disso, sofre mais quem fica. E outra, por mais que tenha demorado pra essas pessoas reencarnarem, por que elas demoraram tantas encarnações para pagar – e ainda por cima, com a mesma moeda? Olho por olho não existe mais no novo testamento. Não faz muito sentido. São “várias variáveis”.) e claro, com a médica assassina.

A história é horrível – principalmente por quem já passou um tempo na UTI. A doutora queria se livrar das pessoas que iam ao hospital justamente para tentar voltar à vida. Digo, eu sei que eu tive muita sorte no meu acidente e profissionais fantásticos que não apenas me trouxeram de volta à vida como também à uma vida de qualidade, sem sequelas, mas é de se esperar que pelo menos as pessoas não sejam mortas de propósito nos hospitais. Imaginar que pessoas eram internadas e abatidas me lembra aquele filme “A Ilha”, que tinha a loteria, já assistiu?

No filme, pessoas viviam em um mundo pós-apocalíptico e tinha um sorteio na Loteria que os enviaria para fora dalí, para uma ilha que sobreviveu ao fim do mundo. Mas a Loteria era um sorteio para a morte. As pessoas eram, na verdade, clones que serviam para quando seus donos precisavam de um órgão ou outro. (o filme é excelente, recomendo).

O que a doutora fez foi tão frio e egoísta que tratava as pessoas com quem ela lidava, de quem ela deveria salvar as vidas, como objetos ocupando espaço. Algo a ser descartado. A pessoa nasce com a missão (na minha opinião, sagrada) de ser médica, de salvar vidas, ajudar pessoas, curar suas feridas e usa seus conhecimentos para fazer algo tão cruel.

Fico imaginando quando ela voltar. O tempo que ela pode vagar sem entendimento, com raiva, sem arrependimento, achando que fez o que precisava ser feito ou que a culpa não era dela. Fico pensando nas almas que ela assassinou a perseguindo, cobrando contas, amargas, ressentidas. As famílias dessas pessoas, da mesma forma, irritadas, inconformadas. Quanto sofrimento essa pessoa está plantando pra si…

E depois, quando graças ao belíssimo trabalho dos Bons Espíritos e à Misericórdia Divina essas pessoas perdoarem e a médica se arrepender, como ela vai querer pagar seu débito? Será que essa vez já não foi uma tentativa de pagar um débito? “Vou nascer médica para ajudar quem prejudiquei da outra vez” e pronto, uma propina aqui, já não é lá uma pessoa muito boa, sem uma boa estrutura familiar e sem dar valor à vida… e lá se vai uma existência. Ou ela vai se arrepender querendo se punir, sendo desses doentes de hospital que ficam a vida toda na UTI dependendo dos médicos?

Claro que são muitos fatores e especular sobre isso, na verdade, é minha forma de estudar a Doutrina e aplicá-la na minha vida. Não podemos julgar sem conhecer seu passado. Talvez, podemos apenas orar para que o caminho que ela vai colher seja com as forças do Amor do Pai Celestial e que suas vítimas a perdoem com base neste mesmo Amor. Pode parecer querer demais ou até injusto. Mas a injustiça não existe, todas as contas serão cobradas e o Amor sempre chega a seu tempo.

Imagem do filme Nosso Lar.

Natal

Algumas coisas mudaram. E eu tenho vergonha de dizer, porque se elas mudaram é porque não eram assim antes.

O fato é que agora os presentes são a última coisa que me importam em datas comemorativas. Não para dar (sobre isso me importo até demais, fiquei louca esse natal) mas para receber. Não me importo com o que vou receber. O que foi meio frustrante pro meu pai, acho.

Meu pai gosta de dar presentes – e presentes caros. Quanto mais caro, mais ele passa o amor pela pessoa. Eu ganhei uma multi-funcional da HP que funciona totalmente na nuvem, é incrível. Um site gerencia tudo. E ela não tem fio, então posso mandar coisas imprimirem em qualquer lugar da casa. Genial, do futuro.

É só que… a comida… a ansiedade, as piadas, as músicas ruins… Isso vale tanto mais, sabe? Eu não ligo que ganhei de multi-funcional até par de meias. Eu já tenho tudo físico que jamais sonharia em ter.

(e ainda assim preciso mobiliar uma casa inteira, omg, isso me deixa louca sabia?)

Já que não tenho nada de que me orgulhe pra falar sobre a parte física do natal, falar sobre a parte religiosa é ainda pior. Digo, até que fui bem religiosa em 2012. Só que fui escolher justo o espiritismo. No espiritismo não adianta nada você tirar 9 em uma prova e não colocar tudo em prática.

O fato é que ainda não me sinto pronta para um trabalho voluntário; ao mesmo tempo, tudo parece me empurrar para tal, e me cobrar uma atitude neste sentido.

O que 2013 espera pra mim?