A vida sem internet em casa

Tive a sorte de ser dessas early-adopters de computadores pessoais em casa. Sorte meu pai ter uma quedinha por hardware além de produzir software . Mexo com computador faz um tempo.

Me lembro que a linha discada chegou em casa aos meus 11, 12 anos. Eu tinha um blog no Blig. Escrevia o texto offline e depois conectava só para postar.

Engraçado. É bem isso que estou fazendo nesse momento.
Continue reading »

E eu comprei uma Gloss

Eu tenho certa resistência com revistas. Tudo que sai numa revista eu já li na internet. Por isso não compro revistas de tutorial de nada nem revistas de informática há anos. A exceção são as revistas científicas (SciAm, Super, Galileo) que geralmente me trazem artigos que eu nunca procuraria, fáceis de ler e que dão ideias para contos.

Minha relação com revistas de menina é ainda pior. Me lembro de gostar de comprar Capricho e Atrevida quando eu tinha uns 11, 12 anos. E nem era muito vaidosa anyway. Também não sou de me interessar por vida de artista, então larguei.

Mês passado vi a capa da Lola e xinguei muito no twitter pelo machismo logo nas matérias. Do tipo “vai ser mulher, querida”. Nova nem se fala, né, gente, tenho vergonha de comprar a Nova. Além de me sentir super tiazona ainda tem aquelas matérias sobre sexo que, meudeus. Eu fico me imaginando lendo aquilo no metrô e a pessoa do lado pensando “Nossa será que ela faz isso mesmo?”. Mas hoje tinha uma Gloss no mercado. Tava R$5 e ainda ganhava um esmalte de presente. Comprei pra voltar lendo no metrô.

Não é tããão ruim. A revista é publicidade, vida de artistas, moda, maquiagem, uns acessórios, publicidade, horóscopo, um pouquinho de comportamento e fim. Eu já esperava coisa do tipo, é claro.

Para variar, a parte de comportamento foi a pior de todas. Seções como “eles respondem e elas respondem” sobre um tema ~~polêmico~~ me deram preguiça. E uma matéria gigante sobre meninas que têm melhor amigo homem (e nenhum caso oposto, de homem que tinha melhor amiga mulher) e seus namoros. Puxa como é complicado namorar e ter amigos. Mas acho que passei da idade para essas coisas, sabe?

A matéria sobre saúde, entretanto, foi legal. Foi sobre plástica vaginal e porque é uma puta besteira. Mostrando, é claro, como as pobres coitadas sofrem por terem, sei lá, a parte de cima da periquita um pouco mais gordinha. Gente doente que precisa de tratamento, te contar. Mas pelo menos a matéria não incentivou ninguém a fazer isso. Pelo contrário. Mostrou o que é perigoso e o que é bobagem.

As matérias com artistas foram até que bacaninhas mas nada demais. Sei lá, acho bobo perguntar para uma pessoa como ela vive a vida em tempos de Twitter. Se ela quer contar da vida, ela conta. Senão eu também nem quero saber. Mas isso é gosto pessoal. As matérias estavam bem feitas.

Tinha uma matéria também de moda para “gordinhas” (entre aspas porque eu magra uso 44 né e a galera considera 46 gorda mas meu gorda era 48 e eu nem era goooorda desse jeito) mas que foi bacana, deu dicas boas e não ofendeu nem menosprezou. Grande avanço. Tanto pra revista quanto pra moda.

Enfim, pra quem gosta, não é de todo mal. Não que eu vá comprar de novo. Não sou público alvo, passei da idade. E vejo coisas de menina pela internet mesmo. Inclusive, a revista conta com blogueiras e tá sempre fazendo uma conexão com o mundo virtual. Uns sites favoritos e pronto: mais conteúdo, menos propaganda e sem ter de ler dilemas adolescentes.


ps1: fiz um ano de namoro hoje <3 Já botei foto em tudo quanto é rede social e não vou repetir as coisas que digo no ouvido dele aqui. Ele sabe o que eu sinto. Me basta.

ps2: tô trabalhando de blogueira ^^

Le good life

Acho que devo atualizações por aqui. Dei uma sumida, né? Estava trabalhando.

Trabalhar de casa é meio estranho no começo mas depois que você pega um rítimo, se concentra e consegue entregar coisas é até que bastante confortável. Posso acordar duas horas mais tarde porque não preciso nem me arrumar nem pegar ônibus, posso trabalhar até meia-noite porque é só virar para o lado e dormir. Posso almoçar com meus pais a comida da minha mãe, posso comer de três em três horas e isso tem me mantido nos meus orgulhosos 59kg, muito longe dos 72kg que eu pesava. Posso fazer terapia sem me preocupar tanto em estar no trabalho, fazer mais de um freelance ao mesmo tempo, levar meu cachorro para andar no fim do dia. Posso assistir novela numa aba separada quando não dá para assistir na TV. Posso baixar séries enquanto trabalho sem prejudicar ninguém. Acostumei tanto que vai ser estranho voltar para a rotina de sair de casa todos os dias para trabalhar, se um dia eu voltar a isso. Pode ser que sim, pode ser que não. Eu não me importaria em nenhum dos dois casos, desde que consiga pagar minhas contas.

Minha depressão deu mais uma trégua ótima e me sinto muito, muito melhor. Não choro há semanas. Não me desespero mais com o trabalho e retomo o controle quando começa a ameaçar, com exercícios de respiração. Tenho me cobrado bem menos para meus padrões. Tenho me divertido muito e ando muito feliz porque está tudo normal. Digo, eu fico chateada às vezes. Fico brava, fico triste, lembro do acidente, dá um medo sabe? Mas não choro por isso, meu dia não acaba, não deito em posição fetal na cama e espero o mundo se consumir. Nada disso. Tudo bem. Faço terapia duas vezes por semana e tomo dois remédios por dia. Não me importo com isso também. Se me manter bem não é sacrifício nenhum.

Ando fazendo coisas para me distrair já que me sinto bem e minha vida não é mais consumida por um monstro sem rosto. Assisto muito Doctor Who (vi toda a quinta e sexta temporadas e agora voltei para a primeira) e novelas, haha. Tô jogando Professor Layton and the Curious Village no DS. Muito Fruit Ninja no Android. Meu mac tá lento então não consigo mais abrir o Steam sem travar tudo. Danço um tanto de Just Dance no Wii além de jogar Rock Band e outras coisas quando a galera vem em casa. Não li mais, falta de costume de ler em casa. Costumo ler no ônibus, mas tenho saído pouco. Falta de verba.

Ando tirando uma ou outra foto também. Editando bonitinho no Photoshop. Tô orgulhosa delas e da minha meia de bolinhas, haha. Fora minhas unhas, faço religiosamente toda semana. Quem diria.

Quanto ao acidente, estou 100% já. Faço de tudo, manco super pouco – quando manco, corro, não dói mais. Não tenho nenhum tipo de problema ortopédico ou respiratório. Peguei uma gripe feia que inflamou meu ouvido e garganta e ainda sinto os dois inflamados mesmo que tenha tomado os remédios direitinho. Mas bobagem. Ainda não consigo dobrar totalmente a perna mas isso só me incomoda quando vou agachar.

Meus amigos são incríveis e a gente tem se divertido bastante. Vira e mexe vamos esperar 3h30 para comer no Outback (jogando Detetive de cartas enquanto esperamos), jogamos videogame em casa, perdemos casamentos, vemos séries sincronizadamente para ganhar stickers no get glue e comentar, saímos de casais de namorados, vamos ao cinema… Tô ganhando a adolescência que perdi. Obrigada.

E meu namoro, bem… Vai fazer um ano dia dez de outubro. Olha só:

Não preciso falar mais nada né? O Eduardo foi um super companheiro esses meses todos e por mais que a gente more longe, nunca me sinto sozinha. É uma pessoa incrível, que tem cuidado super bem de mim e me feito tão feliz! Obrigada também!

Desde o acidente rezo todas as noites, como vocês sabem. Comecei também a frequentar Centros Espíritas. Centro Espírita é um ótimo lugar: todas as outras religiões pensam que é macuba e não levam a sério e todos os ateus pensam que é besteira e charlatanismo, como pensam também de todas as outras religiões. O fato é que eu sempre tive um pé no Espiritismo e sempre fez sentido para mim. As palestras têm me feito bem e depois que comecei a frequentar nunca mais chorei. Por que não, né?

E é isso. Desculpa o post longo, mas como é pessoal eu tenho total liberdade de caracteres. A gente aprende que para escrever para internet tem que ser post pequeno… Blé. hahahah ^_^

Coisa de cachorro

Eu já comentei antes sobre o Snoopy, meu vira-lata. Ele tem uns três anos de idade, é cor de caramelo (loiro que nem eu) e de médio porte. Comentei dele naquele episódio onde chutaram a perna dele e tiraram o osso do lugar.

Ele me fez muita falta no hospital. Agora que eu estou aqui em casa, apesar da minha mãe manter os animais fora, ele vem todo dia me “visitar” no quarto (e ganhar uns cafunés).

Outro fato curioso do Snoopy é que ele sempre teve medo de carro. Desde quando eu o trouxe para casa, passando pelos raio-x que ele teve de fazer pela perna, era sempre uma luta colocar aquele cachorro dentro de um carro.

Essa semana comecei a fazer fisioterapia. Não tá fácil, não tá divertido e eu não tô feliz. Me sinto a Chell (a personagem principal de Portal) da vida real e chamo a fisioterapeuta de GLaDOS em segredo. E o Snoopy, coitado, cada vez que me vê dentro de um carro entra em desespero. Acho que ele pensa que eu nunca mais vou voltar pra casa, ou que vou ficar uma eternidade longe.

Hoje ele sabia que a hora de sair estava chegando. Começou a ficar choroso depois que eu tomei banho, ficava por perto. Ele fez toda festa costumeira enquanto eu saio de casa e vou pro carro (o que é difícil, vou com a cadeira de banho até a porta da sala e de lá dou uns passos com muleta até me jogar no banco. Aí, como não consigo dobrar muito a perna, vou em direção ao banco do motorista pra perna entrar no carro e finalmente me sentar direito).

O Snoopy parou do meu lado, na porta. Fiz carinho nele e minha mãe e irmã começaram a chamá-lo, para meu pai abrir o portão, senão ele sai correndo na rua e pode ser atropelado.

E não é que o cachorro entrou no carro, ficando bem perto das minhas pernas?

A gente começou a rir, porque ele nunca tinha entrado no carro sozinho, por vontade própria e sem incentivos como um ossinho ou algo assim.

Aí meu pai foi atrás da porta do carro e o Snoopy sentou, querendo dizer: Pronto, pode fechar a porta agora.

Minha mãe e irmã chamando e meu pai foi em direção ao portão.

O Snoopy deitou no chão do carro, querendo dizer: Ah, ele já vai abrir o portão? Ok, estou pronto.

A gente teve de parar de rir e chamar com ossinhos e todo mundo ir pra longe do carro pra ele sair e eu conseguir fechar a porta.

Morri de fofura!

Esse é o post número 600 do Compulsive. Eeeee!

O twitter é o dono da verdade

Tem outra coisa engraçada de ficar um mês internada: fiquei um mês inteirinho longe da internet. EU! Que estou aqui, tão acostumada a não largar o twitter desde o café da manhã até a hora de dormir, com meu (que Deus o tenha) furtado iPhone 3GS.

Mas assistir TV e ter acesso à notícias só por um meio é muito diferente do que com a internet. Ainda mais pra minha geração, que não aguenta ver TV e não comentar no twitter.

Uma coisa interessante sobre ver TV com twitter é que rola aquela falsa-impressão de “nossa como as pessoas da internet são engajadas, né. Ontem falaram que não queriam metrô no Higienópolis e já tem flashmob de churrasco na laje rolando pra sábado”.

E aí quando você vê TV sem twitter você percebe que… a TV tá pouco se fodendo pra você. E que as notícias continuam acontecendo e que o fato mais importante que passou no Jornal Hoje daquele dia nem foi isso do metrô, uma notinha besta, mas talvez o enterro de algum menino pequeno ou mais flagrantes de câmeras pelas ruas, sei lá.

O fato é que o twitter (eu inclusa, claro) se preocupa demais com coisas muito bestas. E preocupações de uma minoria da população: gente que não é analfabeto funcional, que tem acesso a computador, internet e muito mais. Uma classe A-B falando mal da própria classe A-B.

Galera, nós estamos sendo hipócritas e infantis. Cresçamos e nos preocupemos com coisas importantes. Dos ratos e sapos na merenda escolar, ninguém falou nada. Nós temos força e voz, sim. Mas de que adianta, com um foco distorcido desses?

Bônus: sobre o metrô que Higienópolis não quis.

Indústria farmacêutica

Faz algum tempo que aqui em São Paulo não conseguimos mais entrar na farmácia, pegar um antigripal e sair: é preciso pedir para o farmacêutico, como se fosse um remédio com receita. Isso faz com que as pessoas comprem menos remédio desnecessário, porque ele fica menos acessível.

Várias vezes cheguei na farmácia e me perdi porque mal lembrava dos nomes dos remédios que costumo comprar para gripe, dor de cabeça ou dor muscular. Geralmente o farmacêutico recomendava um ou outro que era, a maior parte das vezes, ainda melhor e mais indicado para o que eu precisava.

Pelo visto algumas farmácias resolveram esse problema da escolha:

Esses não são remédios de verdade: são cartões de papelão que imitam exatamente as embalagens. O usuário pode escolher, pegar e entregar para o farmaceutico, para receber o remédio de verdade.

Não sei se isso acontece em mais farmácias ou se foi só na minha; não sei se foi uma iniciativa da farmácia ou dos remédios. Pela quantidade e qualidade dos cartões, parece que veio dos fabricantes mesmo.

Acho errado. Acho que isso incentiva um consumo desnecessário de “veneno” (entre aspas porque pode ajudar, mas a gente sabe que tem gente que passa dos limites e tudo em excesso é ruim – ainda mais remédio!), vendido como se fosse doce ou qualquer coisa que, sei lá, mata menos.

Pode ser – bem provável – que eu esteja exagerando. Mas a lei deve ter sido feita por algum motivo, e um dos motivos era diminuir o consumo. Ter os cartões expostos em gôndolas incentiva absurdamente esse consumo.

Acho que remédio não devia ser vendido e farmacêutica não devia ser uma indústria. Acho que só médicos deveriam ter acesso aos remédios e entregá-los ao paciente na dose exata de sua receita. Assim, todo mundo teria acesso ao tratamento. Seriam todos genéricos (de verdade, sem marca nenhuma) e o governo (ou algo competente e sem marca) cuidaria disso.

Ah, deu gripe e não quer passar no médico? Toma um chá. Tá com o intestino preso? Come ameixa. Problemas de estômago? Sorvete de massa. Pronto. A gente não precisa de veneno o tempo todo, sabe?

Tudo bem: eu gosto de remédios. Tomo pra qualquer dorzinha. Mas pensando racionalmente (e com uma dose daquele livro 1984, assumo), a gente não precisa dessa química toda o tempo todo. Estão vendendo veneno apelando para nossa saúde. Sounds wrong, you know?