Quando eu era mais nova, não curtia muito as rádios de rock disponíveis. Era a 89 e a 102.1 (Brasil 2000) em São Paulo. Eu era pagodeirinha e ouvia mais a Gazeta e a Cidade, que mais tarde virou Sucesso. Depois me apaixonei pela Nova Brasil que é MPB pura.
Ainda assim, eventualmente tomei gosto por rock. Comecei a conhecer as músicas e curtir mesmo. Depois veio a fantástica era do cd player (com cd regravável!), aí MP3 player, celular, e já era. Muito raro ouvir rádio.
Bom, vocês sabem como foi. Um dia ligamos na 89 e não era mais rádio rock. Era uma nova Mix FM. Isso era 2006, quando a rádio foi administrada pelo Waguinho. Em 2011 virou 89 Fast, com patrocínio da Nestlé.
Finalmente agora tá tudo bem de novo: a 89 voltou a ser a rádio rock, graças ao UOL. Isso não é lá muita novidade. A rádio online já tocava rock algumas horas por dia e a rádio “física” voltou à programação clássica desde 21 de dezembro.
Como estou vindo de ônibus para o trabalho (e não de metrô como antes), resolvi ouvir rádio hoje. E não parei mais: a programação está excelente. Quase nostálgica. Linkin Park, The Offspring, R.E.M, Mettalica, Green Day, Black Sabbath, Red Hot Chilli Peppers, Oasis, Nirvana… são só alguns exemplos.
É gostoso voltar a ouvir a 89. É como comer Big Mac: a maiora das pessoas come pela nostalgia, não pelo gosto. Quando ouço a 89 eu lembro do começo da faculdade, do Duboiê, do Heron, do colégio, da ETE… E como 2013 começou com tudo, é bom ter um porto seguro desses de plano de fundo.
Viciei (de novo) no The Rising Tied, único CD do Fort Minor. A banda é um projeto paralelo de Mike Shinoda, o rapper do Linkin Park. O album é de 2005 e teve uma música que fez muito sucesso: Believe Me.
O CD todo é apenas Mike Shinoda sendo Mike Shinoda. São raps que contam desde o cotidiano em Los Angeles até o produtor que queria que ele apenas tocasse teclado no Linkin Park e desistisse do rap.
Um resumo das músicas também é um resumo dos motivos que me fazem gostar tanto desse disco. Eu divido em partes, e elas não seguem a ordem do disco (porque eles misturaram os dois tipos e eu acho isso apenas errado hahaha)
[Parte da força, auto-estima de quem chegou tão longe]
“Introduction” – the richness of the music and everything, I know is gonna be something serious.
“Remember the Name” – toda a luta que Mike e outros rappers da mesma época tiveram para chegar onde estão. 10% de sorte, 20% de habilidade, 15% de concentração e força de vontade, 5% de prazer, 10% de dor.
“Right Now” – a descrição de uma cidade pela janela do hotel. Imaginando o que as pessoas estão fazendo. Momentos difíceis da vida. Faz uma ligação com a guerra. Com a pobreza. É uma música triste, mas muito humana. Ele diz “Tô aqui no hotel mas tudo pode mudar do nada”. Não é porque ele está lá em cima que as coisas ruins pararam de acontecer. Acho isso bacana no Mike.
“Petrified” – Mais uma de “somos foda, lide com isso”. É divertida, dá vontade de dançar haha.
“Believe Me” – Melhor música do CD. Cantei muito quando saía de um emprego que não achava legal. Se você vai se afundar, beleza, tô indo nessa. Se vira. É super legal cantar a todo pulmão.
“Get Me Gone” – Outra música muito boa quando ele reclama do produtor que queria que ele só tocasse teclado. Também como lidaram com todas as pessoas que não queriam que desse certo, que diziam que a gravadora que fazia tudo… Enfim, firmar sua personalidade na banda.
“High Road” – Continuação de Get Me Gone, outra que gosto muito de cantar quando saio de empregos hahaha. “You can say what you have to say ’cause my mind is made up anyway. All the bullshit you talk might work a lot, but is not gonna work today”. É dar a volta por cima de quem fala coisas que te machucam. É uma música que me dá muita força.
“Battle” – Batalha de rap, aquelas de quem faz as melhores rimas em um minuto.
[Parte triste ou sobre o quanto rap é legal ou revoltada que geralmente eu não escuto]
“Feel Like Home” – Conta como é o inverno para os moradores de rua, da ótica deles. Tentando fazer a rua parecer seu lar, apesar do frio tanto do clima quanto das pessoas. É aquele tom revoltado de crítica, faz você pensar em quem não tem nada, ninguém ou mesmo lugar nenhum.
“Where’d You Go” – Odeio essa. Ela ficou bem conhecida mas é triste demais, sem ser sobre refletir. É só sobre ser abandonado. Geralmente eu passo essa música, não consigo ouvir.
“In Stereo” – É meio quando faço um som novo tenho de testar a batida nas ruas. Acho meio bobo massss…
“Back Home” – Uma descrição da vizinhança que os rappers cresceram.
“Cigarettes” – Fazer rap é como cigarro: não é grandes coisas, só quero me sentir legal fazendo.
“Kenji” – Conta sobre o campo de concentração que prendia japoneses na segunda guerra mundial, depois de Pearl Harbor. Eu nem sabia que isso existiu, é História mesmo.
“Red to Black” – A história de um amigo com problemas familiares que bebia muito para esquecer e acaba falecendo. Quantas histórias dessas acontecem todos os dias?
“Slip Out the Back” – Sobre ter nossos medos, “até heróis sabem quando ficar assustados”. Se explica por ter saído de perto de alguém que gostava porque estava mal para ficar por perto.
Acho que gosto de coisas humanas e seus dois lados. A forma como é frágil e forte. Os dois lados.
Não sei se vocês já notaram pelo twitter que eu adoro Just Dance. Sempre gostei de jogos de música e dança, e a evolução dos tapetes não poderia ser diferente. Continue reading »
Desde sempre correntes estão aí na internet para tornar a vida mais improdutiva. Com uma função tão vital, as correntes não saem da internet e a internet não existe sem correntes – chamadas hoje pelo nome bonito de “viral”. (Meu pai ouviu o Emecida falando que sua música era viral e deu risada. Eu falei “Mas é mesmo, os publicitários chamam algo que se espalha na internet de viral. E ainda ficam inventando fórmulas para as coisas espalharem mais rápido”. Pai rápido no gatilho: “Imunidade baixa?” e quem riu fui eu.)
Esse de se definir com um artista sempre foi um desafio absurdo pra mim e hoje que eu consegui completar tô tão feliz que vou até postar aqui no blog. Além disso, é muito pessoal, do jeitinho que o Compulsive gosta. E aqui no blog nada me impede de justificar minhas escolhas.
Usando nomes de músicas apenas de um artista ou grupo, tente habilmente responder a essas perguntas. Passe para 25 pessoas que você gosta (pffffff) e me inclua (presumindo que eu sou alguém que você gosta). Você não pode usar a banda que eu usei (isso acabou comigo. A Anita Chiele tinha usado Engenheiros do Hawaii). Tente não repetir um título da canção. É muito mais difícil do que você imagina! Repost como “minha vida de acordo com (nome da banda)”.
Siga estas simples instruções: Vá em “notas” em sua página de perfil, cole as instruções no corpo da nota, escreva o seu título como “Minha vida de acordo com (nome da banda)”, apague as minhas músicas e introduza as suas respostas, tag 25 pessoas, incluindo eu (marcação é feita abaixo da caixa de corpo), em seguida, clique em Publicar.
Escolha o seu Artista: Caetano Veloso - Cult, eu sei. Eu ia usar Kaiser Chiefs pra ser hipster, mas ia ser muito difícil.
Você é um homem ou mulher: Ela ela – Essa música é chata, by the way.
Descreva-se: Branquinha – Ai, adoro. Fiz até um desenho.
Descreva o local onde você vive atualmente: O cu do mundo – Pensei em colocar O Estrangeiro mas não moro na Baia de Guanabara.
Se você pudesse ir a qualquer lugar, onde você iria? Quero ir a Cuba – Pensei em colocar O Estrangeiro. Mas Quero ir a Cuba ficou muito mais legal pra responder.
Sua forma de transporte preferido: Alegria, alegria – “Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento”, já que me roubaram RG, CPF, carteirinha do convênio…
Você e seu melhor amigo são: Ele me deu um beixo na boca – Porque são dois amigos conversando num bar, filosofando. Não pelo nome da música, nem pelo beijo na boca. Bitch, please.
Hora do dia favorita: Luz do sol – Outra música chata que só coloquei pelo título.
Se sua vida foi um programa de TV, como seria chamado? Eclipse Oculto – Pensei em colocar Objeto não identificado, mas achei Eclipse Oculto um nome muito mais legal. Mesmo que a música fale em o quanto o eu-lírico é ruim de cama.
O que é vida para você: Nine out of ten – “I’m alive” :D
Você sorri: Atrás do trio elétrico – “Só não vai quem já morreu” /o/
Você chora: Maria Bethânia – Pelo “I wish know things are getting better”, porque sempre imagino como deve ter sido chato morar em um país com ditadura. Ser calado. Torturado. Jogado pra fora da sua terra.
Seu penúltimo relacionamento: O quereres – “Não te quero e não queres como és”. Apesar de eu gostar muito dessa música pelo “Quando buscas o anjo, sou mulher”.
Seu relacionamento atual: Vivendo em paz – “Te amo, te adoro, contigo me caso, agora, lá fora ou dentro de nós!”
Seu medo: Fora da ordem – A nova ordem mundial me lembra 1984 do George Orwell e eu fico com medo. E também me lembra quando as coisas estavam fora da ordem de dentro de mim, quando eu estava deprimida. Aí fico apavorada.
Qual é o melhor conselho que você tem que dar: Pulsar – “Onde quer que você esteja (em Marte ou Eldorado) abra a janela e veja um pulsar quase mudo. Abraços de anos luz.” Sempre um abraço de anos luz pra você.
Pensamento do Dia: It’s a long way – Eu ia justificar com o acidente, mas a vida é “a lolololololong way”.
Meu Lema: É hoje – Um dia deixei pra amanhã. E quase morri. Vou ser feliz e é hoje.
Esse post é uma tortura, então estão todos permitidos a apertar J agora, ou ignorar o link do tuiter/facebook. Vocês foram avisados.
É que muita gente não gosta de Engenheiros do Hawaii porque não entende. Alguém me disse que essa letra era extremamente péssima. Vejamos:
O Exército De Um Homem Só
Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção: a gente escreve o resto em linhas tortas, nas portas da percepção. Em paredes de banheiro, nas folhas que o outono leva ao chão. Em livros de história seremos a memória dos dias que virão (se é que eles virão).
Para ficar mais fácil, vamos ignorar o rítmo porque o Gessinger adora quebrar frases no meio e confundir. Só leia com a pontuação que eu tomei a liberdade de adicionar. Isso é errado e deve acabar com os vários significados que ele quis colocar na música, mas vamos nos focar em um, para que fique mais fácil.
O que ele quis dizer nessa primeira estrofe é que não importa se sua obra é cortada e se não publicam tudo que ele pensa: ele tem outras formas de expor suas ideias. Além disso, mostra seu pessimismo, se perguntando se os próximos dias virão, de fato.
Não importam se só tocam o primeiro verso da canção: a gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão: escrito à luz de velas, quase na escuridão, longe da multidão.
Mesmo que o restante das ideias não seja publicada e levada ao público, ela é a parte mais importante, mais caprichada. Eu gosto muito dessa frase em negrito, porque me incentiva a continuar escrevendo: os escritos, os pensamentos mais profundos, os que não mostramos a ninguém, é o nosso legado, é o que deixamos para nossos descendentes. É a arte de verdade, nosso sentimento de verdade, mesmo que não seja comercializado. É nossa essência.
Somos um exército (o exército de um homem só) no difícil exercício de viver em paz. Somos um exército (o exército de um homem só) sem bandeira, sem fronteiras para defender, pra defender…
Nossas ideias devem ser defendidas, mesmo que somos os únicos a acreditar nelas. Mesmo que elas não sejam como espaços para defender, mesmo que sejam intangíveis. São frágeis a ponto de precisarem de um exército inteiro, representado por uma só pessoa, que quer só viver em paz e cuidar do que acredita.
Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção: a gente escreve o resto e o resto é resto, é falsificação. É sangue falso, bang-bang italiano; suíngue falso, turista americano. Livres dessa estória, a nossa trajetória não precisa explicação (e não tem explicação).
Engraçado como pode confundir: “a gente escreve o resto [dos acordes] e o resto é resto”, o que vem depois do resto não importa. O que vem depois do verdadeiro, da alma, do que importa, é bobagem, é falso. Mas as ideias que tentamos proteger desde o começo, os escritos à luz de velas, esses não precisam de explicação.
Não interessa o bom senso diz, não interessa o que diz o rei (se no jogo não há juiz não há jogada fora da lei). Não interessa o que diz o ditado, não interessa o que o estado diz: nós falamos outra língua, moramos em outro país.
Não importam as convenções sociais: as minhas ideias foram formadas dentro do meu país. Aqui dentro, valem as minhas leis. É um jeito de ter as próprias ideias, sem interferência externa, sem ser podado pelo mundo exterior. (como meus contos que não vêm aqui pro Compulsive, ou aquela poesia que você tem vergonha de mostrar para qualquer pessoa.)
Todos sabem que tanto faz, ser culpado ou ser capaz. Tanto faz …
Desde o começo estou pensando que tudo isso (de defender veementemente suas ideias) é bem assustador (e pouco incorajado) nos dias de hoje. Por mais que alguns fiquem presos em boas ideias e com sua criatividade limitada, muitos ralham por liberdade de pensamento querendo pregar ideias nazistas, sendo preconceituosos ou até coisas piores. Só ser capaz de ter alguma ideia errada, que machuque os outros, já lhe faz culpado. Quanto podemos expor de nossas ideias? Quão elas não prejudicam outros humanos? Até onde vai nossa liberdade de expressão?
Pode ser que minha interpretação esteja toda errada. Eu até procurei alguma coisa no Pra Ser Sincero, livro do Gessinger, mas não tinha nada demais. Nada que eu captei. Vai ver que ficaram nos escritos, nas gavetas…
Não gosto de Carnaval, mas gosto do feriado e gosto de músicas divertidas. Essas foram algumas coisas que você não espera ouvir na TV esses dias, mas eu vou ouvir pra comemorar o feriado que eu não sabia que ia ter – e vou :D