Depois de ler o livro, ficou claro a dificuldade em entender. O filme funciona como a ilustração do livro. O complementa, ajuda a entender, desde que você tenha lido. Sem ler, são imagens sem texto: dá para compreender, mas não é a mesma coisa. Claro que Kubrik fez um trabalho excelente. Mas a obra de Clarke, pelo menos, faz sentido.
A história é dividida em cinco partes: a origem humana; o homem à Lua; o homem a Jupiter; o homem a Saturno; o homem ao Espaço. Todas as partes norteadas por um estranho artefato, um monolito, que desafia a curiosidade. Quem fez uma peça em proporções e acabamento tão perfeitos? Para quê serve? Da onde veio? São algumas das perguntas que desde os primatas até o mais avançado dos cientistas tentam responder. Ficção científica das mais respeitadas.
Mesmo que os dois tenham sido criados mais ou menos juntos, existem algumas diferenças entre livro e filme, claro. A que fez mais falta foi Dave saindo para resgatar o corpo do amigo assassinado por HAL e dizer “Open the pod bay doors, HAL” “I am sorry, Dave, I am afraid I can’t do that.” – um dos mais icônicos diálogos entre homem e máquina.
É um livro incrível, o primeiro que li inteiro em inglês de tão bom. Sua cabeça não consegue parar de pensar no Espaço, nos ETs, no projeto super-secreto de descobrir vida fora da Terra. Até sua criatividade é estimulada a níveis extremos. Adorei.
Recomendo assistir o filme primeiro e ler o livro depois. Ajuda a visualizar e entender. Para quem curte ficção científica, é praticamente leitura obrigatória.
Imagine um inglês daqueles bem ingleses, bem excêntricos. Muitíssimo educado, polido, com hábitos pontuais e regulares. Esse distinto senhor faz uma aposta com seus colegas jogadores de whist: dar a volta em precisos 80 dias. Eles dizem ser impossível e apostam 20 mil libras na façanha. E assim, sir Phileas Fogg parte imediatamente para sua aventura com seu novo criado, o francês Passepartout.
Como se a missão não fosse complicada o suficiente para a época, houve um grande roubo no banco e o detetive Fix nota que a descrição do ladrão bate com sir Fogg. Então ele começa a correr atrás do distinto cavalheiro, esperando sempre um mandato de prisão chegar. Sir Fogg seria capaz de ter feito tal ato?
A dúvida acompanha o leitor enquanto Fogg, Passepartout e Fix atravessam todo o mundo conhecido no romance de 1873. A Volta ao Mundo em 80 Dias não é um livro inédito de Júlio Verne, então você deve estar se perguntando por quê fazer post uns 140 anos atrasado. Explico: Verne é considerado por muitos o pai da ficção científica, então eu não poderia deixar de ler quem criou meu gênero favorito; só não esperava que a leitura fosse me prender tanto.
Por ser um clássico, imaginei que fosse ser cansativo ou com a linguagem muito rebuscada. Ok, tem algumas palavras que entendi pelo contexto mesmo, mas o ritmo é fantástico. Essa dúvida se Fogg foi ou não o ladrão move mais do que as aventuras em si. A coragem e determinação do inglês e sua inabalável calma ensinam a confiar nos acontecimentos. Se em 1873 um inglês fica tão calmo com seus transportes em volta do mundo, em 2013 eu acho que posso esperar o trem seguinte – que parte em 3 minutos, não em 5 dias.
O livro é espetacular – e a melhor parte é que é domínio público, então você pode baixar e ler gratuitamente agora mesmo. Divirta-se!
No meio espírita temos muitos livros de referência, que sempre são citados nas palestras. O “Evangelho Segundo o Espiritismo” e o “Livro dos Espíritos” são leitura obrigatória, mas outras obras são importantes porque foram redigidas por espíritos superiores e ensinam lições valiosas: “Há 2000 Anos”, “Paulo e Estevão” e, claro, “Nosso Lar” estão entre elas.
Para aproximar as crenças aos católicos e evangélicos, em algumas palestras se usa a palavra Colônia como Céu e Umbral como Inferno. Eu discordo dessa exposição dos conceitos. Discordo ainda mais quando falam “Todo mundo quer ir para ‘Nosso Lar’ mas quem não é bom fica vagando no Umbral”. Acho isso ridículo, por dois motivos:
“Nosso Lar” é só mais uma das maravilhosas colônias que existem e ir pra lá não é melhor ou pior que ir para outras colônias.
Você vai para onde você for de acordo com a sua vibração [geralmente] no momento da morte. Isso é temporário – até o arrependimento sincero e quando se cansa de sofrer, desejando a genuína mudança. Quem está no Umbral não é mau nem, no outro oposto, sofre injustamente.
Mas não foi “Nosso Lar” que me ensinou isso. Foi “Violetas na Janela” e seus volumes subsequentes. Com linguagem mais simples e leve, ensina praticamente o mesmo que “Nosso Lar”. Foi um dos primeiros livros que li sobre espiritismo e me deu uma boa e simples base para começar.
Quando peguei para ler, esperava mais de “Nosso Lar”. Procurei o motivo pelo qual as pessoas ficam tão animadas para ir pra lá quando morrer e não encontrei. Quer dizer, é um lugar maravilhoso mas não tem diferença. Aí disseram que era pelo filme, que é tudo mágico e fantasioso. Não assisti ainda.
Não que o livro seja ruim. Conta a história de André Luiz quando desencarnou. Ensina muito. Tem passagens lindas. Dá aquele abraço no coração quando a gente lê. Vale a leitura.
Dois pedaços que tirei foto e deixei no celular, que são boas reflexões para fazer de vez em quando:
“Aprenda, então, a não falar excessivamente de si mesmo, nem comente a própria dor. Lamentação denota enfermidade mental e enfermidade de curso laborioso e tratamento difícil. É indispensável criar pensamentos novos e disciplinar os lábios. Somente conseguiremos equilíbrio, abrindo o coração ao Sol da Divindade. Classificar o esforço necessário da imposição esmagadora, enxergar padecimentos onde há luta edificante, sói identificar indesejável cegueira d’alma.”
“Dentro do nosso mundo individual, cada ideia é como se fora uma identidade à parte… É necessário pensar nisso. Nutrindo os elementos do bem, progredirão eles para nossa felicidade, constituirão nossos exércitos de defesa; todavia, alimentar quaisquer elementos do mal é construir base segura para nossos inimigos verdugos.”
O caminho é longo. Mas a estrada pode ser menos árdua.
O Animal Show é um site muito fofinho com uma missão muito legal: fazer uma ponte entre quem quer doar e abrigos/ONGs que precisam receber ajuda. O site também tem um blog super divertido sobre animais e orienta na adoção, apadrinhamento e cuidado com bichinhos.
O problema é que essa mensagem tão legal não está clara no site. Então a Paty quis fazer um redesign, começando pelo logo.
Esquentei a cabeça ontem tentando juntar elementos sem lá muito sucesso. A Paty tinha pensado em um desenho da sua cachorrinha Zara, então eu procurei vetores de cachorros até conseguir fazer o desenho da Zara em si (eu queria fazer com uma mesa digitalizadora). Agora vejo que fiquei muito focada no símbolo e pouco no significado.
No fim do dia fui à Livraria Cultura pesquisar alguma coisa para me ajudar e encontrei. O livro Design de Logotipos, de Matthew Healey (editora Rosari) tem uma série de logos, como um portfolio, e cada curva, cada atributo é explicado. Os contrastes, as ideias que o logo quer passar ficam expressas naquelas linhas. Então fiz um pequeno briefing do que o meu logo precisava passar: segurança, esperança, ajuda, confiança, praticidade, prática do bem e por aí vai.
No livro ainda tem um resumo do que formas significam. Aí eu soube que o escudo era um bom caminho: ele significa segurança, proteção e luta no sentido de algo bom, necessário.
Então tive a sacada: a mão de um humano segurando a pata de um cachorro. A mão teria a forma de escudo e a pata, de triângulo, que significa algo construtivo, de bases sólidas.
Deixei a ideia fermentar da noite pro dia. Dizem que depois de você ter uma ideia o melhor é limpar a cabeça para dar espaço para lapidar.
Hoje comprei uma borracha e me joguei nos rascunhos. Tava meio complicado e me arrependi de não ter me dedicado mais às aulas de desenho da faculdade, principalmente porque ficamos semanas desenhando mãos.
Então, de repente, veio: a mão que segura a patinha podia estar fazendo o símbolo do rock! Finalmente! Todos os conceitos se alinham: o “animal” com a patinha; o “show” com a referência a rock; o cuidado com a mão humana; o formato de escudo ou mesmo de coração; a proteção que o humano dá ao frágil animal, o triângulo de cabeça para baixo.
Daí chegou a hora de vetorizar (ainda bem porque ô desenho feio) e finalizar:
O logo se mostrou bem versátil. Ele fica bem em qualquer tamanho, desde bem pequeno até em banners grandes; fica bem colorido ou preto-e-branco ou mesmo só contorno; funciona em fundo claro ou escuro.
Quando eu era mais nova, não curtia muito as rádios de rock disponíveis. Era a 89 e a 102.1 (Brasil 2000) em São Paulo. Eu era pagodeirinha e ouvia mais a Gazeta e a Cidade, que mais tarde virou Sucesso. Depois me apaixonei pela Nova Brasil que é MPB pura.
Ainda assim, eventualmente tomei gosto por rock. Comecei a conhecer as músicas e curtir mesmo. Depois veio a fantástica era do cd player (com cd regravável!), aí MP3 player, celular, e já era. Muito raro ouvir rádio.
Bom, vocês sabem como foi. Um dia ligamos na 89 e não era mais rádio rock. Era uma nova Mix FM. Isso era 2006, quando a rádio foi administrada pelo Waguinho. Em 2011 virou 89 Fast, com patrocínio da Nestlé.
Finalmente agora tá tudo bem de novo: a 89 voltou a ser a rádio rock, graças ao UOL. Isso não é lá muita novidade. A rádio online já tocava rock algumas horas por dia e a rádio “física” voltou à programação clássica desde 21 de dezembro.
Como estou vindo de ônibus para o trabalho (e não de metrô como antes), resolvi ouvir rádio hoje. E não parei mais: a programação está excelente. Quase nostálgica. Linkin Park, The Offspring, R.E.M, Mettalica, Green Day, Black Sabbath, Red Hot Chilli Peppers, Oasis, Nirvana… são só alguns exemplos.
É gostoso voltar a ouvir a 89. É como comer Big Mac: a maiora das pessoas come pela nostalgia, não pelo gosto. Quando ouço a 89 eu lembro do começo da faculdade, do Duboiê, do Heron, do colégio, da ETE… E como 2013 começou com tudo, é bom ter um porto seguro desses de plano de fundo.
Viciei (de novo) no The Rising Tied, único CD do Fort Minor. A banda é um projeto paralelo de Mike Shinoda, o rapper do Linkin Park. O album é de 2005 e teve uma música que fez muito sucesso: Believe Me.
O CD todo é apenas Mike Shinoda sendo Mike Shinoda. São raps que contam desde o cotidiano em Los Angeles até o produtor que queria que ele apenas tocasse teclado no Linkin Park e desistisse do rap.
Um resumo das músicas também é um resumo dos motivos que me fazem gostar tanto desse disco. Eu divido em partes, e elas não seguem a ordem do disco (porque eles misturaram os dois tipos e eu acho isso apenas errado hahaha)
[Parte da força, auto-estima de quem chegou tão longe]
“Introduction” – the richness of the music and everything, I know is gonna be something serious.
“Remember the Name” – toda a luta que Mike e outros rappers da mesma época tiveram para chegar onde estão. 10% de sorte, 20% de habilidade, 15% de concentração e força de vontade, 5% de prazer, 10% de dor.
“Right Now” – a descrição de uma cidade pela janela do hotel. Imaginando o que as pessoas estão fazendo. Momentos difíceis da vida. Faz uma ligação com a guerra. Com a pobreza. É uma música triste, mas muito humana. Ele diz “Tô aqui no hotel mas tudo pode mudar do nada”. Não é porque ele está lá em cima que as coisas ruins pararam de acontecer. Acho isso bacana no Mike.
“Petrified” – Mais uma de “somos foda, lide com isso”. É divertida, dá vontade de dançar haha.
“Believe Me” – Melhor música do CD. Cantei muito quando saía de um emprego que não achava legal. Se você vai se afundar, beleza, tô indo nessa. Se vira. É super legal cantar a todo pulmão.
“Get Me Gone” – Outra música muito boa quando ele reclama do produtor que queria que ele só tocasse teclado. Também como lidaram com todas as pessoas que não queriam que desse certo, que diziam que a gravadora que fazia tudo… Enfim, firmar sua personalidade na banda.
“High Road” – Continuação de Get Me Gone, outra que gosto muito de cantar quando saio de empregos hahaha. “You can say what you have to say ’cause my mind is made up anyway. All the bullshit you talk might work a lot, but is not gonna work today”. É dar a volta por cima de quem fala coisas que te machucam. É uma música que me dá muita força.
“Battle” – Batalha de rap, aquelas de quem faz as melhores rimas em um minuto.
[Parte triste ou sobre o quanto rap é legal ou revoltada que geralmente eu não escuto]
“Feel Like Home” – Conta como é o inverno para os moradores de rua, da ótica deles. Tentando fazer a rua parecer seu lar, apesar do frio tanto do clima quanto das pessoas. É aquele tom revoltado de crítica, faz você pensar em quem não tem nada, ninguém ou mesmo lugar nenhum.
“Where’d You Go” – Odeio essa. Ela ficou bem conhecida mas é triste demais, sem ser sobre refletir. É só sobre ser abandonado. Geralmente eu passo essa música, não consigo ouvir.
“In Stereo” – É meio quando faço um som novo tenho de testar a batida nas ruas. Acho meio bobo massss…
“Back Home” – Uma descrição da vizinhança que os rappers cresceram.
“Cigarettes” – Fazer rap é como cigarro: não é grandes coisas, só quero me sentir legal fazendo.
“Kenji” – Conta sobre o campo de concentração que prendia japoneses na segunda guerra mundial, depois de Pearl Harbor. Eu nem sabia que isso existiu, é História mesmo.
“Red to Black” – A história de um amigo com problemas familiares que bebia muito para esquecer e acaba falecendo. Quantas histórias dessas acontecem todos os dias?
“Slip Out the Back” – Sobre ter nossos medos, “até heróis sabem quando ficar assustados”. Se explica por ter saído de perto de alguém que gostava porque estava mal para ficar por perto.
Acho que gosto de coisas humanas e seus dois lados. A forma como é frágil e forte. Os dois lados.