Archive for the 'Chororô' Category

Marta, a super legal

mar 10 2010 Published by Marta Preuss under Chororô, comportamento

Vira e mexe, do nada, algum dos meus contatos masculinos pelo qual eu me interesso (são geralmente entre 3 ou 4. Quantidade porque todos eles vão dar #FAIL mesmo. Observe.) chega pra mim todo feliz no gTalk e me conta sua vida feliz com a nova paixão/peguete/namorada.

Sei lá, eu devo ter cara de otária, melhor amiga, a feia-legal e/ou super confiável, não é possível. Todo mundo me conta dos rolos. Inferno.

Não que seja ruim. Pelo contrário: eu adoro ser amiguinha de todo mundo. Tenho mais amigos meninos do que meninas e acho linda a fragilidade deles, a insegurança e o universo tão simples que é quase binário.

Mas eu ainda não sei quando eu passo pra zona de amizade. Deve ter sido quando chamei ele de gordo/idiota. Ou falei qualquer besteira depois da tekila. Ou disse que comigo não tem essa não, eu mato barata mesmo e foda-se.

Então, né, gente, vocês estão me cansando. Assim, fica a dica. Esses que já contaram, legal, there there, pode continuar contando porque eu quero saber no que vai dar.

Agora, oi, meu nome é Marta, eu tenho 22 anos, sou ruiva dos olhos verdes, nerd E SOLTEIRA.

Abraço forte.

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What is this life for?

mar 07 2010 Published by Marta Preuss under Chororô, Filosofias vãs

Pelo menos por uma semana, mais ou menos mês sim mês não, o mundo não faz o menor sentido pra mim.

É uma se,ama que eu acordo, olho em volta e não entendo nada. Sem entender como, de alguma forma levanto e, surrealmente, chego ao trabalho. Às vezes não consigo nem lembrar se lavei todas as partes do meu corpo. Geralmente esqueço meu guarda-chuva.

Passo o dia todo esperando o dia acabar, tentando parar de enxergar as pessoas como se fossem cadeias de carbono, os computadores como microchips e a internet como amontoados binários.

Nada faz sentido.

Quando finalmente as nove horas passam, às vezes trabalho mais, às vezes vejo meus amigos, às vezes simplesmente vou pra casa.

Se trabalho, as horas de cadeia-de-carbono-microchip-dados-binários se estendem por mais algum tempo até eu desencanar disso e começar a fazer tudo automaticamente.

Se vejo os amigos, converso e me divirto. Aproveito o álcool ou a cafeína para tentar equalizar as freqüências da realidade. Funciona por algumas horas. Volto para casa me sentindo o ser mais solitário do cosmo e não sei explicar o porquê.

Mas o resultado mais efetivo é simplesmente voltar pra casa lendo. Quando leio, vou para aquele universo paralelo e lá tudo faz muito mais sentido.

Hoje é o sétimo dia. Estou cansada.

Acordei e pensei “Meu Deus, qual o sentido dessa vida?” e a resposta veio automática: “42, ué”.

Mas… essa é a realidade do livro e lá faz sentido.

Continuo perdida.

Mas é só por hoje.

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Entendendo mulheres em tpm

nov 05 2009 Published by Marta Preuss under Chororô, comportamento

Talvez para os garotos entenderem o que é uma mulher em tpm seja mais difícil do que para as meninas. Não que as meninas entendam, mas elas têm algo como um sentimento de cumplicidade que faz dar de ombros e deixar pra lá: “Ela está de TPM, deixa ela quieta”.

Muitos homens reclamam “Eu não tenho culpa se você está de TPM!” mas vocês tem de entender que a gente também não. Muita gente fala “Credo sua grossa” ou “Pára de reclamar!” mas não conseguem se colocar no lugar dessa enxurrada de hormônios que tomam forma e te controlam.

Gente, entende: é incontrolável. A gente não tá chata porque a gente curte. A gente não tá achando defeito em tudo porque gosta. A gente não tá de mal-humor porque acha legal. A gente apenas está.

O melhor a fazer é a) deixar ela reclamar (sem “posso te ajudar?” ou “aqui, toma um chocolate” ou “vamos resolver o problema”. Não é pra resolver nada. É só pra reclamar gratuitamente. Mulheres fazem isso) e/ou b) deixá-la sozinha (talvez algumas fiquem de mimimi “Onde já se viu você me abandonar só porque eu tô chata?!” mas se você ficar pode piorar as coisas).

Mais importante: Não tente fazer uma mulher brava ou com tpm rir. Ela não quer rir. Ela quer ficar brava. Se você tentar fazê-la rir, ela vai te dar motivo pra chorar.

E espere passar. Acho que existe remédio pra isso. Dizem que doces e cafeína são ruins, mas quem liga? Dizem que fazer exercício físico é bom.

E, de fato mulherada, por pior que seja admitir, não é culpa dele nem justifica tratar ninguém mal. Mas sabe quando você vai engolindo, vai respirando fundo e ele vai piorando cada vez mais as coisas? Daí chega uma hora que você explode, certo? Daí se arrepende e fica triste por ter feito isso, certo? Você pode evitar tudo isso cortando logo na primeira: “Não tô legal, não tem graça, me deixa em paz”.

(Vou tentar de novo mês que vem, porque nesse deu #FAIL.)

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“Não há parada errada não, no olho do furacão”

set 18 2009 Published by Marta Preuss under Chororô, Pessoal

Eu tenho ouvido Engenheiros do Hawaii muito, muito compulsivamente mesmo.  Porque quando tudo na cabeça tá em formato de nuvem de tag e, por mais que escreva, pare, pense e tente organizar as coisas, elas ainda continuam confusas, não tem nada como essas frases genéricas para acalmar.

Eu também tenho conversado muito com várias pessoas diferentes, mas principalmente com meu pai. Vez ou outra ele acompanha de longe alguma coisa da minha vida, mas dessa vez eu tenho pedido a opinião dele, mais do que nenhuma outra vez que eu me lembre. Por ser homem, adulto e programador, meu pai é muito lógico, quase um Spock da vida; eu, exagerada, menina e “no olho do furacão”, preciso desse contra-balanceamento para poder enxergar as coisas com mais clareza.

(Eu sei que no olho do furacão mesmo as coisas são calmas e só ficam girando em volta. É exatamente essa sensação: tudo girando em volta, sem conseguir olhar pra lado nenhum. É estranho e necessário.)

Outra diferença, comparando a tudo que já me aconteceu antes, é que estou aplicando métodos práticos de resolução de problemas que vim acumulando de conselhos diversos do fim da adolescência até… isso que eu estou hoje, que eu acho que é… ahn… o fim da adolescência um pouco mais pra frente.

Lembrar que “eu já vi o fim do mundo algumas vezes, e na manhã seguinte estava tudo bem”, parar de escrever os pontos ruins, parar de pensar “ah se eu tivesse feito…” e culpar o passado mas focar a energia em pensar em planos beta, respirar fundo e se deixar sentir medo, raiva, desespero e vontade de gritar tudo junto são pequenas atitudes que ajudam muito.

Eu sei que eu estou fazendo tempestade em copo d’água. Eu queria estar mais calma e levar isso mais racionalmente. Odeio ter medo, mas não é porque se tem medo que não se pode ser corajosa. E eu preciso de muita, muita coragem agora.

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Não consigo (mais?) ser boa como em Nárnia.

set 02 2009 Published by Marta Preuss under Chororô, Filosofias vãs

Eu pensei nos últimos acontecimentos e meu coração se apertou em tristeza.

Apesar de ter sido minha mão que os feriu – eu via assim – me sentia impotente.

Fiz uma criança de onze (talvez agora doze) anos chorar. E ela me fez chorar e me mostrou toda sua maturidade. Ela me achava uma pessoa boa. Mas eu não me sentia boa, por não conseguir engolir tanto orgulho, por não conseguir ser tão forte a ponto de encarar de frente esse fantasma do meu passado.

Isso me machucaria.

Mas fazer a criança chorar também me machucou.

Fiz um velho sofrer. Ele já teve um derrame, e agora está com câncer numa próstata que nem sequer existe mais. Eu não o conheço tão bem quanto deveria. Ele conhece meus desenhos da época que eu ainda não sabia escrever. Eu sempre gostei mais dele do que das outras pessoas daquela casa. Mas não tenho coragem de voltar lá.

Não sei se o fiz chorar. Mas não quero visitar uma pessoa com câncer. Não quero vê-lo, isso me machucaria.

Mas ouvir notícias que ele sente minha falta também me machucou.

Fiz um amigo sofrer. Fi-lo escolher entre eu e a pessoa que ele ama. Tal pessoa lhe faz mal e que me tortura por isso, sem saber. Disse a ele que não gostava dela e não sei o tamanho da ferida que isso lhe causou. Nunca resolvi as coisas com ela, mas não poderia, isso me machucaria – talvez fisicamente.

Mas não ver meu amigo há tanto tempo por causa desse orgulho (e desse medo de apanhar) também me machuca.

“Só ameace uma pessoa mais forte que você”, li em Nárnia.

Eu odeio uma pessoa porque ela me causa inveja. No começo, tínhamos coisas em comum que eu talvez tenha gostado – e então ela pensou que eu fosse sua amiga. Mas eu achei que, como pirraça, ela me contou coisas que eu não queria saber. Como quem não sabe que pudim de leite é meu doce favorito e me conta que comeu todo o pudim de leite que podia na festa passada. E como se lambuzou com a calda. E como era fofinho e maravilhoso. E outros detalhes.

Ela me machucou e eu chorei, mas ela não sabe disso. Não sei como me sentiria se ela soubesse, mas odiar pessoas, no geral, me machuca.

Uma pessoa me amou e eu tive medo desse amor. Tanto medo, tanto pavor, me fez afastar e fugir. Sim, eu, covardemente, fugi. Não me arrependo, porém: a fuga me levou para um caminho que eu gostei mais. Mas existiram feridas. Existiu covardia. E hoje, ao se tocar nesse assunto, ainda tenho medo de abrir esses machucados.

Mas tenho certeza que não posso quero mudar os caminhos agora.

O mesmo vale para aquele que eu acho que gosta de mim. Sonhei, essa noite, que eu estava em seus braços, entretanto negava beijar seus lábios, sabendo com quem queria ficar. Então por que aproveitar seu abraço cálido, sabendo que o estava ferindo? Nosso ego se infla ao saber que alguém gosta da gente, quando nós mesmos não temos amor próprio e confiança suficientes para suprir isso, para que esse orgulho e essa massagem no ego não seja importante.

Eu sei o que quero. Desse caminho não me arrependo, nem quero trocar. Mas pequenas ações, que para mim nada significam, mas que para outro têm conotação de esperança, podem ser evitadas.

Acho que bondade tem mais a ver com coragem e humildade do que qualquer outra coisa.

Esse post é um grande pedido de desculpas sobre todas as coisas erradas que fiz esses últimos tempos. E um busca-coragem. Eu ainda lembro daquele sentimento infantil de não entender porque os adultos são maus e fazem coisas sem lógica, mas também sei que estou chegando à “adultice” e dá medo perder essa bondade infantil, que tantas vezes me foi elogiada, há poucos anos atrás.

A sua bondade ainda está aí?

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