Compulsive

Viciada compulsivamente no dia-a-dia.

Eu vou falar de felicidade de novo, e a grande diferença dessa vez é que eu tô de TPM e tá “tudo pesado suspenso por um fio”.

Pensei seriamente em falar sobre essa felicidade do amor e da feniletilamina, mas esse vai ser especial (e não vou escrever com essa tpm.) Prefiro falar sobre a vida.

A inspiração para esse post foi a palestra dada por Almicar Maurício Jr, o ser humano mais multimidiático que eu conheço, indo de diretor de teatro, passando por direção de revista e sendo um dos criadores da Fashion Week. Na palestra, ele falou sobre como foi produzir o espetáculo “Noé Noé, deu a louca no convés” (infelizmente fora de cartaz, mas você pode ver minha resenha baseada no press release – em pdf) e todos ficamos impressionados com o trabalho que dá montar uma peça desse tamanho.

Na palestra, ele revelou que o objetivo da peça era mostrar a busca pessoal de cada um por si próprio (daí ele ter transformado isso em dança é a graça da palestra). Nessa viagem pela busca pessoal, é necessário conquistar suas independências monetária, física e psicológica. Assim, encontramos a felicidade.

Porque existem três motivos principais que fazem as pessoas entrarem em depressão:

  • Perda de alguém que você é psico-dependente. Ninguém é realmente dependente dos outros, mas tem gente que se apoia demais. “Aí vem aquelas portuguesas: – Me leva juuuunto!”, Almicar interpretava hilariamente, como um alívio cômico para algo sério.
  • Química. O cérebro pára de produzir, às vezes por estímulo físico mesmo, as substâncias necessárias para que a pessoa se sinta feliz, então suprimentos dessas químicas são necessários, para que o corpo volte a produzi-las por si só. É como tomar remédio pro estômago, na minha opinião, e é por esse lado que não entendo o desespero e o auto-preconceito das pessoas (conheço três) que precisam disso.
  • E inércia. Não ter um bom motivo pra levantar da cama. (nessa parte eu chorei. É uma droga saber que tem alguém que você ama que se enquadra nisso a ponto de não conseguir se mexer).

Enfim, a vida foi feita para ser vivida. O ontem ou o amanhã não estão nas nossas mãos, mas o hoje está.

Não se deixe nas mãos de quem pode lhe dar e lhe tirar a felicidade. Quando Jesus (calma) disse para edificar nossa casa na rocha, entendo que era para fazermos uma base sólida para nós mesmos.

Eu sei que esse post é um repeteco, mas é emocionante porque é como se fechasse esse capítulo da minha vida. Estou feliz por ter entendido cedo/ a tempo/ no melhor tempo. Estou feliz por ter fechado esse capítulo e agradeço a quem me ajudou. (citar nomes seria esquecer alguém).

Eu espero que todo mundo consiga ver isso, consiga gostar de si mesmo – porque é possível, sim, te amarem sem você se amar, mas não é completo. Espero que tenham um motivo para levantar, nem que seja “hoje vou ler”, “hoje vou desenhar sem compromisso”. A gente tá aqui. Não perca seu tempo.

Bônus: tenho ouvido compulsivamente a música Pose (anos 90) dos Engenheiros. Apesar de a original ser infinitamente melhor, mais foda e mais bonita, o que achei na internet foi a fofíssimo acústico do Gessinger com a filha, Ana, que  me faz chorar sempre que assisto vira e mexe me emociona e é uma ode ao positivismo responsável:


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Categories: Eventos, Filosofias vãs

4 Responses so far.

  1. Patricia disse:

    Adorei o texto, de verdade.

    sei de tudo isso, e ainda chego lá, não na felicidade total, mas pelo menos ficar mais tranquila.

    Acho que às vezes a gente se deixa levar, vai acomodando, acomodando, até que simplesmente se perde essa vontade toda de ser vc mesmo, mas isso volta, vc percebe que acomodou e coloca a bola pra frente.

    Acho que a felicidade não é total, a não ser em momentos que duram segundos, que vc sente o corpo quase que inundado. Mas não dá pra ser extremamente feliz o tempo todo. O que dá é equilibrar as coisas e tentar levar da melhor maneira possível.

    Sobre gostar de você mesmo, como diz o nick do meu namorado: Amar a si mesmo é o começo de um romance que vai durar a vida inteira. (não foi ele quem escreveu isso, mas o importante é a frase). Gostar de si mesmo e se respeitar equilibra o mundo à sua volta, é extremamente maravilhoso.

    Bjus Marta
    Obs: Vc tem posts demais, adoro, qdo crescer quero ser igual vc.

    • Marta Preuss disse:

      Valeu Paty!

      Você tem razão. Não é uma coisa assim, total, todo dia; mas na maioria dos dias, as coisas não estão extremamente ruins também :)

      E vc também escreve mega bem. Aquele romance tá ficando BEM bacana :D

  2. Pôlo disse:

    Eu passei por um momento “inércia” com meus 20 anos. Não é fácil pra ninguém, o problema é que a gente só sai da escuridão por si mesmo, se a gente não pede ajuda, fica complicado.

    Estar bem consigo mesmo é uma tarefa constante e difícil, porque engolimos muito sapo, fazemos muita coisa errada, não prestamos atenção nas coisas que importam pra nós. É difícil olhar pro próprio umbigo, tem monstrinhos que vc não quer enfrentar lá dentro, mas é necessário.

    Acho que pra todo mundo que está passando por alguns problemas, é muito difícil ver a situação de fora do seu corpo. Apontar seus defeitos, suas dependências, seus maus hábitos em relacionamentos. Por isso que eu acho importante conversar, conectar com outros humanos, especialmente ter amigos (sinceros), que te dão ombro pra chorar, e que também te dão um “sacode” quando precisa.

    Parabéns pelo texto, Ma! ;-)

  3. Lecticia disse:

    eu sou psico-dependente e acho triste.

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