O que me incentivou a escrever o post da semana (no BrOffice foi o comentário passado que me corrigia sobre “estereótipo”. Obrigada.) foi, entre outros, esse post do Cardoso (taque pedras) sobre o fato que inteligência, no Brasil, é vista como algo ruim. No Brasil você não pode ser bom e se achar bom, porque é bonito ser humilde. Dizem, inclusive, que o Brasil tem mais deprimidos por causa dessa cultura (óbvio que eu nunca mais vou achar esse texto de novo). Estudar é tão desimportante que eu cansei de ouvir minha mãe falando que terminou o colégio mais velha porque tinha de trabalhar. Com dezesseis anos.
Outro dia eu estava no terminal Jabaquara e ouvi um menino dizendo ao telefone: “Eu ganhava 674. Era numa fábrica de vidros. Saí porque não gostava do serviço, há cinco meses. Minha pretensão é 800.” Virou pro amigo e disse que era entrevista de emprego, “Mas, ah, quero ganhar 800.”. O amigo consolou/incentivou dizendo “É, você tem que trabalhar em firma mesmo porque o que você gosta não dá dinheiro”.
O que será que ele gostava? Desenho? Dublagem? Blogar? Não, acho que era música. Mas, tirando o Pôlo com a Sonica Studio, ninguém que eu conheça estuda música profissionalmente. E agora nem precisa de registro de músico. O Pôlo ficou feliz porque agora ele tem mais chances de trabalho. O Hudson, que trabalha comigo e também é músico, ficou chateado porque com a carteirinha, foram-se alguns benefícios bacanas, tipo entrar em qualquer show de graça.
Arte é arte. Você claro que você pode fazer arte profissionalmente (vide fotógrafos e designers, porque não?), mas é algo muito interior e que depende de pessoa a pessoa. Só acho que em qualquer profissão, existem conhecimentos básicos, que deveriam ser ensinados e testados para oferecer credibilidade para o profissional. Tornaria a vida de quem contrata mais fácil e de quem desenvolve, mais completa.
Porque brasileiro tem preguiça de estudar. Não culpo ninguém, porque não sei em quantas aulas de física, química, biologia e matemática tive vontade de morrer. Mas você não acha absurdo quando perguntam “Você é só professor ou você trabalha também?”. Devia ser uma profissão muito prestigiada a de repassar conhecimento. Mas não é.
E como o Pôlo estuda para fazer música profissionalmente, a Café com Leite tem crescido e feito coisas bem legais. Da mesma forma, eu acho mais do que justo uma pessoa que se esforça, estuda, lapida qualquer coisa receber recompensa monetária por ela. Por isso comprarei o Toscomics da Samanta Flôor: porque eles são foda. Por isso eu acho injusto quase não ter campo de moda ou desenho pra minha irmã. Por isso eu acho a pró-blogueiragem algo a ser admirado e incentivado.
Meu mundo ideal é composto por lugares que contratam regularmente, com carteira assinada e salário fixo, pessoas para tocar música, pintar quadros, criar poesia, contos e quadrinhos, escrever e fazer manutenção em blog. Porque no mundo não-ideal, as contas são físicas, mensais e não deixam de existir. E porque os artistas que se dedicam tanto quanto pessoas que passam cinco ou seis anos em uma faculdade, não têm essas mesmas oportunidades, mas têm as mesmas contas a pagar e desejos de consumo.
Reconhecimento básico. Recompensa justa. Estamos em um mundo capitalista, certo? Fim de papo.





Li uma reportagem sobre o futuro das profissões, que fazia uma projeção ascendente de pessoas que trabalham por conta. A nova era é a dos serviços, cada um por sim, feliz da vida. As grandes corporações existirão, claro, mas contando com esses profissionais liberais. Eu mesma já sou assim. Ainda não sou feliz da vida, mas estou a caminho.
Quanto ao lance de estudar, infelizmente não é um hábito da média da população ir atrás de mais conhecimentos por conta. Comprar um “Guitar for Dummies” porque é um sonho de infância tocar que nem o Slash ainda é coisa de quem sabe que temos capacidade de aprender sem ir à escola. E eu apóio muito e admiro quem sabe o que quer da vida sem precisar frequentar um ensino superior. Porque eu mesma perdi um pouco de tempo pra conseguir um diploma.
Agora, quanto ao reconhecimento vs. recompensa… é f**a. Talvez seja uma questão socio-cultural desse “paíszinho”. Não quero nem pensar mais nesse assunto… snif…
Bjos!
Eita, quanta referência a mim! :)
Uma coisa no seu texto que é muito verdadeira: Quando pessoas perguntam “Você é só professor?”.
Professores não são respeitados no Brasil. Nem pelo próprio Governo que os emprega, nem pelos alunos que deveriam escutá-los. Não sei exatamente os motivos que levam a esse fato, então não vou jogar aqui minha adivinhação, mas essa é uma das bizarrices do nosso país.
[off-topic mas nem tanto]: Eu sinceramente não gosto de muito dos “nossos” costumes, que na verdade não sei de quem herdamos (com certeza não foi dos índios). Uma coisa que eu não entendo é como alguém pode querer simplesmente parar de trabalhar pra viver de aposentadoria em casa assistindo novela.
Somos constantemente lembrados de que “um dia chegará a velhice”, por diversos “agentes”: pais, avós, amigos, e até pessoas estranhas que estão com seus 60 anos achando que o fim está próximo. FELIZMENTE, eu fui criado com outros valores, meus pais estão começando a construir coisas novas, ambos perto dos 60 anos, pensando no futuro do planeta, ESTUDANDO, colaborando, passando conhecimento.
Acho que todos deveríamos ser assim, afinal de contas, eu não quero SOBREVIVER, eu quero VIVER!
Depois desses comentários me sinto insossa mas, deixarei a minha modesta participação (e talvez o “desabafo”)
Eu quero viver de arte! *.*
Publicar meus livros, cantar, estudar piano em conservatório depois de fazer a minha sonhada faculdade de História da Arte! (Sim, porque AGORA depois de 4 anos que terminei o Ensino Médio finalmente tem um curso de graduação em História da Arte)…
E, então, ser mais uma desprestigiada “vagal” que vive de dar aulas e, de arte!
Eu chego lá… rs
Talvez numa vida sem reconhecimentos mas, satisfatória… Pra minh’alma pelo menos!
Que eu não me corrompa. Amém! =p
Beijo “Mazitah” rsrs
Em breve eu farei um post no meu blog com uma conversa sobre várias coisas relacionadas a arte vs profissão/estudo/etc. Fica de olho. Não é merchan do meu blog não, é que realmente a intenção dessa conversa vai ser atingir as pessoas que passaram ou estão passando por esse tipo de escolha difícil na vida.
Eu deixei de acreditar numa vida justa, pq eu trabalho de caixa.