Compulsive

Viciada compulsivamente no dia-a-dia.

Post de utilidade pública: o Hospital São Bernardo, na cidade homônima, Av. Lucas Nogueira Garcês, tem uma ótima nutricionista mas um  péssimo pronto-socorro. #prontofalei

Tudo começou semana passada com uma dor de cabeça que não passava nunca e Neosaldina ficou fraca. Sábado, a tosse começou. Domingo, nerdeei o dia todo, sem me mexer, sem trocar de roupa. Ontem fui pro trabalho e tossi muito o dia todo, imprestável. Hoje, quando acordei pior mesmo depois do xarope e do analgésico, fui pro hospital.

Meu convênio, CASSI, atendia em poucos prontos-socorros aqui do ABC, e eu sempre fui na Neomater, que já não era aquelas maravilhas, mas quebrava o galho. Até o dia que o pronto-atendimento da Neomater fechou (e a gente descobriu da pior forma, com a minha irmã passando mal. Ela acabou sendo atendida no Hospital Brasil, pagando a consulta particular). Depois, meu pai pesquisou os outros pronto-atendimentos por perto e um deles era o Hospital São Bernardo.

Como eu não queria ficar mais um dia trabalhando com monitor de tubo e tossindo feito o inferno, agora com nariz parado e tudo mais, resolvi que ia no médico pelo menos pra pegar um xarope que fizesse efeito (auto-medicação te faz gastar mais, nunca se esqueça). Quando eu cheguei, parecia até um lugar civilizado: peguei minha senha, esperei pouco, viram meu cadastro lá, fizeram minha ficha. Aguardei.

Enquanto eu esperava o médico me chamar (nas salas B, C, D ou E), vi que, várias vezes, quando saía um paciente, entrava outro, atravessando o fluxo. Demorou um pouco pra eu entender que eram pacientes retornando com resultados de exames. Mas sem ordem. E eu comecei a me sentir otária a partir daí, porque a falta de ordem em lugares cheios e pessoas querendo tirar vantagem disso me irrita – principalmente porque debilitada e cansada dessa semana de bate-boca, eu ia ser otária mesmo, por escolha, quase que por protesto.

Me chamaram. O médico não me ofereceu a mão para cumprimentá-lo, achei estranho mas não ofereci a minha. Respondi ao “O que você tem?” com os sintomas dos últimos dias. Ele não olhou na minha cara, não mediu minha pressão ou febre, não perguntou meu peso ou altura, só perguntou se eu tinha alergia a algum medicamento. “Toma essa medicação e volta aqui pra eu te dar remédio pra você tomar em casa”.

Fui pra recepção de novo e me encaminharam pra sala A, de medicação. Um filhodaputa revoltadinho (ai, esses tios revoltados estão me irritando cada dia mais) começou a reclamar sobre médico com a esposa e uma gançuda do meu lado foi pescoçar. O cara começou a falar alto e minha cabeça ia derreter a qualquer momento (ela tinha passado da fase “explodir em quatro pedaços”). Demorou mas me chamaram.

Daí eu entendi porque demorou tanto: a sala pra medicação é o menor lugar que eu estive. Tinha cinco enfermeiros preparando medicação para os que estavam lá. As cadeiras eram pequenas e desconfortáveis, eu tive dó do moço que estava tomando soro sentado daquele jeito. A mulher que foi tomar injeção muito provavelmete por inflamação dos nervos, foi numa cortininha ali dentro mesmo. Enfim, naquele momento ficou claro que o hospital não tem infra-estrutura pra quantidade de pacientes que atende – isso porque estava “vazio” de acordo com outras conversas que ouvi.

A moça que me aplicou os remédios foi rápido demais e doeu. Eu avisei, ela arrumou a agulha e terminou de aplicar. Mas meu braço tá com uma bolotinha que provavelmente vai ficar roxa amanhã. Mas tudo bem, fiquei feliz por ter sido medicamento na veia, era a coisa menos ruim que podia acontecer, e, gente, se você já teve dor de cabeça sabe que analgésico na veia é amor.

Agora, passadas 1h30 desde quando cheguei lá, fui eu, ainda com a visão meio turva e passos cambaleantes, calar todas os meus TOCs de “ordem de chegada deve ser respeitada” e invadir a sala do médico. Ele vira pra mim e fala

“Você acabou de tomar medicação, eu vi lá! Nem fez efeito ainda! Senta aí!”

Mega grosso. Mais um motivo pra eu odiar a falta de organização. Como é que eu vou saber quando é hora de entrar? Esperei minha visão voltar ao normal e ter certeza que não ia vomitar, e, depois de ver mais 10 pacientes entrarem e saírem da sala, tentei entrar de novo. Ele me deu xarope e remédio anti-alergênico e um atestado de um fucking dia inteiro.

Aproveitei meu dia de folga doente para fazer o que todas as pessoas doentes fazem: sofá, tv, coberta, comida. Agora me sinto infinitamente melhor do que de manhã, tossindo bem menos, respirando melhor e quase sem dores no corpo. Mesmo o médico sendo grosso e não olhando na minha cara, mesmo com a falta de infra-estrutura, tenho que dar o braço a torcer (o esquerdo, já que o direito ainda tá meio doloridinho) e dizer que, apesar de tudo, foi melhor ter ido lá do que ter ido trabalhar. A recuperação foi mais rápida e amanhã vou render mais do que se tivesse ido hoje.

Acho absurdo quando a minha saúde fica prejudicada e o hospital não me atende de um jeito descente. É algo básico, algo que devia ser tratado com respeito básico. Se um hospital de convênio me tratou mal (ou menos do que eu esperava), eu fico com medo do que esperar de hospitais públicos e apavorada quando penso na quantidade de pessoas que precisam desses serviços. Pior ainda é pensar que eu pago por eles. Revoltante.

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Categories: Dia-a-dia

2 Responses so far.

  1. Ellen disse:

    Nossa isso já aconteceu comigo, é O FIM.
    espero que melhore :)

  2. Cláudio disse:

    Hospital Central vila Yolanda Guaianazes,

    Pra quem pensa que Hospital publico é ruim, ainda não foi ao Hospital Central de Guaianazes;
    Me diz como uma pessoa hipertensa da entrada no PS com a pressão em 17 por 10, 14 horas
    Depois o Clínico preenche a internação, e 36 horas depois de internada ainda não foi feito nenhum acompanhamento
    Da pressão, e o pior, no prontuário estava marcando pressão 12 por 8 com medições de 8 em 8 horas.
    Depois de exame na urina foi detectada infecção na urina, ainda na observação do PS,
    o médico passou o remédio aproximadamente 44 horas depois da internação, e ainda assim porque questionamos o médico sobre o tratamento.
    O corpo de enfermeiros guardaram a ficha usada para dar a medicação sem que a medicação fosse dada. Perguntei ao enfermeiro sobre a medicação e ele nem sabia se o médico tinha passado alguma coisa, depois de muita discursão, ele verificou o prontuário e encontrou a ficha grampeada a ficha do dia anterior . Mas e se fosse um remédio pra o coração que não pudesse ser esquecido deforma alguma correndo risco de vida caso tomasse a medicação ?
    Tive que discutir com a enfermeira chefe e com a nutricionista pra que servissem comida (arroz, caldo de feijão, bife, chuchu refogado e uma maçã),
    antes disso eles serviram durante 4 refeições uma sopa horrível, que parecia sobra do dia anterior.
    Bom, falsificação é crime! Esquecer os horários da medicação é quase tentativa de assassinato. Não entendo porque os convênios ainda mantem
    Essa porcaria de hospital como credenciado.

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