Todos os anos eu faço um post de aniversário. Como é no fim de novembro, também é um jeito de olhar para trás e refletir sobre o ano inteiro que passou. Uma retrospectiva não do calendário cristão, mas do meu calendário pessoal.
Hoje faz um ano que eu nasci de novo, então achei por bem fazer uma retrospectiva do ano mais difícil da minha vida – e o que trouxe mais recompensas. Como se eu tivesse plantado muito e colhido muito. O que é bom. Mas traz pesar.
Um ano atrás, a essa hora, eu vagava bêbada pela Augusta sentido Paulista com Consolação. Não lembro de nada, como já contei. Lembro da dor, da ambulância, de ver tudo borrado. Lembro quando tiraram meu tênis do meu pé quebrado.
Lembro da UTI. Lembro dos meus amigos, dos meus pais, do Eduardo lá comigo. Lembro que várias pessoas me viram no primeiro dia – o que só era permitido para quem estava muito mal. Eu não tinha ideia de quão mal eu estava. Só hoje, quando noto que foram 14 fucking dias ligada a máquinas para conseguir respirar, é que noto a gravidade da situação.

Antes do acidente eu lia “então fiz fisioterapia” e, quando chegou minha vez, fiquei indignada como ninguém falava como aquilo é difícil, lento, doloroso. Que precisa ir todos os dias e que a melhora vem devagar. Foram 50 sessões. Cinquenta dias de mais de 3h de exercícios simples, como dobrar a perna.
Eu já estava andando e trabalhando quando a alta veio. Mal pude acreditar. Tinha acabado. Mas esse post era para falar o que mudou, não o que aconteceu, né.
Eu era webdeveloper e virei redatora. Depois virei assistente do assistente da editora-chefe. Depois, assistente da editora-chefe. E aí ela saiu de férias e eu a substituí, com apenas seis meses de casa.
Com um salário, convenhamos, baixo para minha vida classe-média, saí da casa dos meus pais e fui morar com a Lec. Me enrolei toda com grana. Muito mesmo. Surgiu um freela ou outro para ajudar.
Ainda faço sites como freelance. Penso, de vez em quando, em voltar para a área e ganhar mais dinheiro. Mas toda vez que acho que estou melhor da depressão, ela me golpeia, como que para me mostrar meu humilde lugar.
Meu namoro fará um ano e meio dia 10 próximo. Um ano e meio com o Eduardo. Que surpresa boa!
Sou mais vaidosa, faço as unhas semanalmente (já faz um ano!), me maqueio às vezes, não bebo nem fumo mais há um ano inteiro. Nem acredito. Não fiz nenhuma tatuagem ou piercing nesse período, para só depois descobrir que só posso doar sangue daqui dez (!) anos – já que recebi transfusão.
Ainda faço terapia, ainda tomo remédios, mas isso eu precisaria fazer de qualquer forma e tem me feito muito bem. O saldo é muito positivo. Minhas oscilações de humor são mais controláveis e ninguém cuidaria de cinco blogs e não tentaria se matar se estivesse assim tão mal.
Ainda tem essa escoriação no meu joelho, acredita? Af. Nem sei em que médico devo ir pra tirar isso. Dermato? Tenho outros médicos para ir e muita coisa para arrumar e aprender. Mas agora eu consigo arrumar e aprender. Ótimo começo.
Feliz aniversário, Marta Preuss. Bem vinda à vida nova. Cuide melhor dessa que da anterior.