Parabéns para mim, sério. Quando meu pai falou que envelhecer era difícil, não achei que fosse chegar no modo extreme tão cedo.
Na verdade nem foi o acidente que deixou tudo tão difícil. Nem tanto assim a recuperação. A coisa mais difícil dos meus 23 anos foi a depressão mesmo.
Com a depressão minha alma morreu. Tudo ficou preto e branco, sem razão de existir. E procurei uma razão gigante, um motivo maior que eu. Irônico. Quando eu não tinha nada, quando eu não era ninguém, achei que o mundo que estava pequeno.
Hoje eu estou viva. Minha alma está viva, brilhante, quente, vibrante. Hoje eu sou feliz todos os dias ao acordar e tomar café com meus pais. Canto pelo caminho, durmo, me pinto, qualquer coisa. Sou feliz por chegar ao trabalho. Gosto de trabalhar. Vejo meus amigos. Volto pra casa.
A vida simples. Um dia de cada vez. Todo dia de paz, de felicidade, de tranqüilidade.
Eu não quero mais nada nesse universo. Não quero salvar o mundo. Não quero ser maior que o mar. Quero tudo que eu tenho: uma família maravilhosa, crescendo e melhorando; um trabalho que é a minha cara, onde faço o que gosto e todos os dias são bacanas; um namorado fantástico, sempre presente, que me ama tanto; e amigos mais do que incríveis, não tem nem como descrever.
Conquistei muitas coisas aos 23 anos. Aprendi a morrer, aprendi a ter paciência, a andar, a tomar banho e ir ao banheiro sozinha, a fazer as unhas, a me maquiar, a trabalhar, a ser mais tranqüila, me cobrar menos e ser mais feliz.
Nunca estive tão bem e só tenho a agradecer a todo mundo que teve paciência, que ficou, que me ajudou. Obrigada, galera. Life goes on :)
