E eu comprei uma Gloss

Eu tenho certa resistência com revistas. Tudo que sai numa revista eu já li na internet. Por isso não compro revistas de tutorial de nada nem revistas de informática há anos. A exceção são as revistas científicas (SciAm, Super, Galileo) que geralmente me trazem artigos que eu nunca procuraria, fáceis de ler e que dão ideias para contos.

Minha relação com revistas de menina é ainda pior. Me lembro de gostar de comprar Capricho e Atrevida quando eu tinha uns 11, 12 anos. E nem era muito vaidosa anyway. Também não sou de me interessar por vida de artista, então larguei.

Mês passado vi a capa da Lola e xinguei muito no twitter pelo machismo logo nas matérias. Do tipo “vai ser mulher, querida”. Nova nem se fala, né, gente, tenho vergonha de comprar a Nova. Além de me sentir super tiazona ainda tem aquelas matérias sobre sexo que, meudeus. Eu fico me imaginando lendo aquilo no metrô e a pessoa do lado pensando “Nossa será que ela faz isso mesmo?”. Mas hoje tinha uma Gloss no mercado. Tava R$5 e ainda ganhava um esmalte de presente. Comprei pra voltar lendo no metrô.

Não é tããão ruim. A revista é publicidade, vida de artistas, moda, maquiagem, uns acessórios, publicidade, horóscopo, um pouquinho de comportamento e fim. Eu já esperava coisa do tipo, é claro.

Para variar, a parte de comportamento foi a pior de todas. Seções como “eles respondem e elas respondem” sobre um tema ~~polêmico~~ me deram preguiça. E uma matéria gigante sobre meninas que têm melhor amigo homem (e nenhum caso oposto, de homem que tinha melhor amiga mulher) e seus namoros. Puxa como é complicado namorar e ter amigos. Mas acho que passei da idade para essas coisas, sabe?

A matéria sobre saúde, entretanto, foi legal. Foi sobre plástica vaginal e porque é uma puta besteira. Mostrando, é claro, como as pobres coitadas sofrem por terem, sei lá, a parte de cima da periquita um pouco mais gordinha. Gente doente que precisa de tratamento, te contar. Mas pelo menos a matéria não incentivou ninguém a fazer isso. Pelo contrário. Mostrou o que é perigoso e o que é bobagem.

As matérias com artistas foram até que bacaninhas mas nada demais. Sei lá, acho bobo perguntar para uma pessoa como ela vive a vida em tempos de Twitter. Se ela quer contar da vida, ela conta. Senão eu também nem quero saber. Mas isso é gosto pessoal. As matérias estavam bem feitas.

Tinha uma matéria também de moda para “gordinhas” (entre aspas porque eu magra uso 44 né e a galera considera 46 gorda mas meu gorda era 48 e eu nem era goooorda desse jeito) mas que foi bacana, deu dicas boas e não ofendeu nem menosprezou. Grande avanço. Tanto pra revista quanto pra moda.

Enfim, pra quem gosta, não é de todo mal. Não que eu vá comprar de novo. Não sou público alvo, passei da idade. E vejo coisas de menina pela internet mesmo. Inclusive, a revista conta com blogueiras e tá sempre fazendo uma conexão com o mundo virtual. Uns sites favoritos e pronto: mais conteúdo, menos propaganda e sem ter de ler dilemas adolescentes.


ps1: fiz um ano de namoro hoje <3 Já botei foto em tudo quanto é rede social e não vou repetir as coisas que digo no ouvido dele aqui. Ele sabe o que eu sinto. Me basta.

ps2: tô trabalhando de blogueira ^^