Por que eu gosto de ler livros?

Com essa coisa toda de escrever, acabei encontrando por aí blogs que tratam do assunto. O Livros e Afins foi um deles. Ele tem me ensinado coisas simples que fazem muita diferença como leitora. A cada dia eu aprendo a ler melhor e sem dúvida o Livros e Afins tem me ajudado nisso.

Então o Alessandro veio com uma ideia de blogagem coletiva. A proposta do blog é escrever, entre vários autores, sobre o que nos leva a gostar de ler livros.

Ele brinca que tem gente que gosta até de ler bula de remédio – e eu, hipocondríaca de brincadeirinha que sou, adoro. Os placebos fazem mais efeito, heh. E é divertido ler as coisas horríveis que podem acontecer com uma superdose ou as reações adversas. Ok, é um hábito bizarro.

Minha mãe me contou que eu leio desde os cinco anos. Eu não me lembro. Lembro que adorava acompanhar meu pai na leitura do jornal de domingo e decifrar letras aqui e alí. Meus pais sempre incentivaram a leitura e nunca nos negaram livro nenhum que fosse. Nenhum. E minha mãe sempre nos contou histórias (é bibliotecária e conta histórias para as crianças da escola até hoje) e sempre fazia a gente imaginar enquanto lia.

É por isso que eu gosto de ler: porque imagino enquanto leio. As personagens tomam forma, os cenários existem, posso visualizar a aventura claramente. Isso me conquista e eu tenho a impressão que os personagens ficam lá, parados, enquanto eu não volto a ler. E toda a aventura acontecendo! Não posso deixá-los lá, entende?

Ainda assim, eu entendo quem não gosta de ler. Primeiro porque minha imaginação é visual, mas as pessoas são estimuladas de diversas outras formas, como som e imagem. Segundo porque só conseguimos nossa “liberdade literária” quando saímos da escola. Pelo menos eu só consegui a minha assim. Descobri que gosto de infanto juvenil, então me aceito e me deixo divertir por Nárnia, trilogia Fronteiras do Universo, Percy Jackson e os Olimpanos, Harry Potter, quadrinhos em geral, ficção científica. Enquanto estamos na escola e na faculdade precisamos ler o que os professores nos empurram.

No próprio Livros e Afins uma menina xingou muito no Orkut dizendo que Machado de Assis era lixo e que as pessoas deveriam ler “grandes obras da atualidade” como Crepúsculo. Óbvio que a gente sabe que Machado de Assis é um gênio e que Crepúsculo não está exatamente entre o top 10 de grandes obras da atualidade, mas no fundo eu entendo a crítica. Não li Macunaíma até hoje, mas li coisas forçadas como bons pedaços d’A Divina Comédia, só para detestar. Lembro de ficar trancada no quarto obrigada a ler alguma coisa chata pra caramba porque minha mãe mandou, minha professora ia fazer uma prova, ia cair no vestibular – e eu não me lembro nem qual livro era.

Sou totalmente contra isso. Claro que precisamos conhecer grandes escritores e ter senso crítico, mas dos 15 aos 17 anos esse senso ainda está se desenvolvendo e é aqui que começamos a ter algum controle e conhecimento sobre nós mesmos. Bem nessa fase, onde estamos nos conhecendo e nos interessamos por conta própria pelas coisas, nos jogam Os Lusíadas. Eu adorei Memórias Póstumas de Brás Cubas e 89% dos meus colegas detestaram. A gente não consegue entender o que eles queriam dizer. Claro que a tarefa do professor é justamente explicar o que está acontecendo, mas ler forçado é a pior coisa que podemos fazer para um leitor jovem.

Leitura tem de ser por gosto. Por afinidade. Por imaginação. Tem de ser por algo que se interesse, por algo mágico. Pra mim, depois de alguns meses lendo um atrás do outro, virou tão essencial quanto comer ou escovar os dentes: me sinto vazia sem um livro, uma série, um herói. Acho que as pessoas deveriam ser incentivadas, quando adolescentes (ou crianças) a ler de verdade. Não só juntar letras e formar palavras, mas juntar frases e montar ideias. Montar emoções, histórias, heróis, lições de moral.

Gosto de ler, também, porque gosto de escrever. Acho que uma mão lava a outra e precisamos consumir uma grande quantidade de leitura para escrever o que for. Eu apóio meu próprio trabalho, como um pintor que visita galerias ou músicos que vão a shows.

Mas mesmo se eu não escrevesse mais, o prazer de imaginar histórias acontecendo sempre me faria falta. É por isso que eu gosto de ler: porque se tem algum lugar onde os heróis podem salvar o mundo, esse lugar é nas folhas dos livros.

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  • http://www.catablogandosaberes.com.br Max Martins

    Oi, Marta!

    Muito gostoso de ler o seu post e muito boa a ideia do Alessandro de fazer uma blogagem coletiva.

    Também acho que os jovens devem ser incentivados a ler. De preferência, livros que lhe agradem. É o único caminho para que se tornem leitores no futuro e aproveitem as delícias de um bom livro.

    Forte abraço!

  • http://marliborges/blogspot.com marli soares borges

    Olá Marta!
    Concordo com você, “Leitura tem de ser por gosto. Por afinidade. Por imaginação. Tem de ser por algo que se interesse, por algo mágico…”
    Também postei a respeito, nesse mesmo rumo. Nossa leitura tem que valer a pena.
    Adorei a postagem. Parabéns.
    Bjssssssssss

  • http://www.prateleiradecima.com.br/ Karin Bezerra

    Olá Marta
    Também leio bula, para saber reações adversas e superdosagem (rsrsrs)
    Eu entendo essas pessoas que não conseguem ler clássicos como Machado de Assis (para mim um gênio auto-didata), eu abandonei O Guarani porque não aguentei o José de Alencar, mas li vários livros deles.

    Também acho nada a ver a leitura forçada, mas as vezes me pergunto porque algumas pessoas não gostam de ler. É fascinante.

    Bom, cada sabe o que gosta, quer e faz. Então como diz o ditado: “cada um com seu cada um”

    Se quiser ler a minha reposta da Blogagem é só acessar:
    http://www.prateleiradecima.com.br/?p=378

    Beijosss

  • Patricia

    Eu sei que esse post é de tipo, 1 mês atrás mas não poderia deixar de comentar rsrs.

    Primeiro… leitura? Hum, acho que sou meio suspeita pra falar sobre isso.

    Segundo: Fato: Leitura é igual a Teatro, Balé, Exposições e outras coisas consideradas de pessoas cultas, na verdade a maioria não gosta não porque é chato, mas porque a primeira vez que alguém apresentou isso a ela deve ter mostrado alguma coisa bem complexa, e a pessoa em questão não entendeu não, e não surgiu o menor interesse. Então ela simplesmente assume que não gosta, pq teve uma primeira experiência frustrante.

    Bjus
    Adorei o post

  • Léo

    Marta,

    Não sei… Mas vc deveria publicar um romance, pois tem muita imaginação própria da sua formação.
    E isso é fenomenal… Acredito nisso!
    Acrescente no seu list o romance “Onda Musical”.
    Além de um bom enredo, temos o gostinho de saber mais sobre a música.