Sua superioridade. Seu egoísmo. Nosso mundo.

O egoísmo humano é algo impressionante. Junto ao sentimento de superioridade característico de nossa espécie, é uma forma primitiva e ao mesmo tempo eficiente de analisar os males do mundo. Não aqueles que saíram da caixa de Pandora, mas os que nos assombram diariamente e sempre o fizeram ao longo da nossa História.

Estava eu assistindo e torcendo para o meu time e ao mesmo tempo com Twitter e Facebook abertos. Eis que eu vejo a multiplicação de posts: não torcendo para seus times, e sim contra o que estava em campo. Me vieram a mente todas as brigas em bares, ruas, estádios,  inquérito para acabar com torcidas organizadas… enfim, o dia-a-dia que nem assusta mais.

Vejamos, todo torcedor (de verdade) tem certeza absoluta que seu time é o melhor. Logo, sua escolha é melhor, e isso consequentemente faz dele uma pessoa superior e com o direito de impor esta superioridade e subjugar os ignorantes que fizeram outras escolhas, algumas vezes de forma violenta (moral e/ou física). Ah, não tem time? Ok, mudemos o cenário:

Religião: a sua é correta/ verdadeira, logo, sua escolha é melhor, e isso consequentemente lhe faz uma pessoa superior e com o direito Divino de impor esta superioridade e subjugar os ignorantes que fizeram outras escolhas, MUITAS vezes de forma violenta. O mesmo vale para quem não tem religião, já que continua a mesma certeza de superioridade, desta vez por não acreditar em algo ou em nada.

Faça esta substituição (que nem nos probleminhas de matemática do colégio, lembra?) agora com posicionamentos políticos e superioridade étnica e encontre os maiores massacres da humanidade, Holocausto, KKK, IRA, e por ai vai, até chegarmos às recentes ditaduras (há! vocês queriam um post sobre o Egito né?) que só precisaram de um líder que fez seu povo acreditar que estava correto um sentimento já existente, o de Superioridade. Ai bastou uma pitada de egoísmo, uma crise econômica e BOOM!, direto para os livros do Ensino Médio.

O que eu quero dizer com tudo isso? Simples: minha fé na humanidade se perde em pequenos gestos. Pequenos tweets de 140 caracteres me mostram o quão longe estamos de superar nosso passado sombrio. Não são em declarações, doações e frases feitas que cada um mostra do que é feito: são em pequenos detalhes que ninguém pensa antes de falar/escrever que sua natureza aflora. Uma amizade parece perder seu brilho diante da oportunidade de reafirmar sua superioridade, e isso é tão generalizado que aparentemente poucas pessoas procuram ver o que está além da decepção com seu próprio time e a tristeza da perda.

Não precisa parar de torcer, pode falar mal a vontade do meu time também, só não custa nada pensar um pouquinho em que tipo de pessoa você está se tornando, e que mundo estamos construindo antes de falar como o está tudo perdido e se chocar com WikiLeaks.

Letícia Roma é estudante de advocacia e quis desabafar no Compulsive.

  • http://twitter.com/hudson_ Hudson Tavares

    Marta, texto desconexo esse da Letícia, hein. Algo intrínseco na vitória é a derrota dos outros competidores, então o ato de torcer a favor de algo subentende torcer contra algo também, mesmo que não seja essa a intenção direta.

    Daí a autora salta até religião e desagua em KKK, massacres étnicos, etc. Não consigo enxergar a ligação direta entre um cara que twitta algo com #chupacorinthians no final e um cara que sai por aí com um AK-47 matando em nome YHWH ou Alá.

    Uma ligação que faria mais sentido seria entre as pessoas que já são idiotas num nível preocupante antes e encontram na religião, futebol, etc. “válvulas de escape” para sua idiotice (e, pior, encontram outros idiotas iguais elas para potencializar o efeito das suas ideias). Vide Hitler.

    Acho de uma generalização preocupante a opinião da autora, que coloca no mesmo saco eu, que considero a coisa mais idiota do mundo brigar “à sério”, ainda que só verbalmente, por um time de futebol (mas sempre que posso, vou pro estádio torcer pro meu Tricolor!), e o cara que compra ingresso no estádio pensando em quantos “rivais” vai bater.

    Enfim, as frustrações pessoais não caem bem nem em um estádio nem em um texto de blog. Não é por que você teve uma experiência ruim com algo que implique que esse algo é necessariamente ruim (conheço minas que detestam anal kkkkk).

    Não entendo essa contínua tentativa que se faz na internet de ligar a religião com “tudo o que há de ruim no mundo”, acho que alguém andou visitando muito o blog do Cardoso rs. Há negatividades e positividades em todas, como tudo nesse mundo.

    P.S.: se ela for corintiana, #toliminada pra ela! rs
    Abração!

    • http://blog.marta.preuss.nom.br Marta Preuss

      Ah, Hud, acho que o que a Lê quis mostrar foi a intolerância humana. Em níveis diferentes, o que ela quis mostrar foi a reação errada ao notar que algo diferente do que eu acho melhor pra mim é ruim e deve ser eliminado.

      Ela deu exemplos diversos para mostrar como a gente não aceita coisas diferentes do que a gente gosta e só o que a gente gosta é bom. Lembra quando você me zoava por gostar de Engenheiros do Hawaii e eu ficava brava? Bom, você gosta de pagode e que bom pra você.

      Claro que daqui pra uma eliminação nazista é uma outra escala. Mas é intolerância. É disso que ela tá falando. Foi isso que eu entendi.

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  • http://twitter.com/guilhermePA Guilherme Almeida

    pra mim, isso não passa de uma tentativa desesperada de incitar uma culpa que não existe.
    francamente, sair de corinthians pro holocausto faz tanto sentido quanto dizer que alguém é gay por não ter aquário em casa.
    esse texto todo se resume em três sílabas:
    “mimimi”

  • Lêeeeee

    Obrigada pelo espaço no blog!

    é sempre meio estranho ver o texto depois de publicado, ainda mais p/ mim que nunca tive um blog nem nada do tipo. Admiro vc que escreve sempre e se expõe, acho que eu não teria a mesma coragem.

    e quantos aos comentários, obrigada por provarem exatamente o que estava tentando expressar no texto.

  • http://www.cafepolemico.org Guilherme Lepoli

    Perdi minha fé na humanidade quando eu aprendi que se não fosse por causa da Igreja Católica, hoje, provavelmente, a raça humana estaria colonizando outros planetas, ou, ao menos, já teríamos capacidade de fazer viagens tripuladas interestelares em um tempo razoável.