Travou o computador, se espreguiçou com seu corpo magro na cadeira e leve como sempre, se levantou.
Foi até a janela e viu seu reflexo: alta, cansada. Viu a chuva lá fora. Chovia há dias.
O mundo era quieto.
Abriu a janela.
O mundo era frio.
Acendeu um cigarro, respeitando e contradizendo a quietude gelada do mundo ao mesmo tempo que seu corpo clamava por som e calor.
Tragou pensando na vida. Nada lhe veio à mente.
Repetiu o processo até o cigarro acabar.
Jogou fora a bituca, pegou um café e voltou ao trabalho.