16 abr 2010

Vou te dar um gato de presente pra você cuidar da vida dele, não da minha

Post por Má às 20:15 em Chororô, Comportamento

Eu sempre fui muito, digamos, idiota. De olhar pra trás e perceber, anos depois, como eu era cega, como eu machuquei alguém sem notar, como eu exagerei a toa, como eu fui criança.

Quando eu estava na quinta série (hoje em dia seria sexto ano) com meus 11 anos, eu era mais criança que a maioria das meninas (sempre fui). Daí eu achava um menino muito bonitinho (era completamente apaixonada por ele) e ele era amigo de uma amiga. Ela me apresentou pra ele e disse que eu gostava dele. Eu fiquei (mais) vermelha (que uma lata de coca-cola) e saí correndo pela escola. Nunca conversei com o menino. Se eu tivesse só mantido a calma (apesar do rosto queimando) e falado oi, talvez meu primeiro beijo tivesse sido uns três anos antes do que aconteceu.

Passei da faculdade aprendendo a ser eu mesma, cuidar da minha vida, lalala, mimimi. Seja-você-mesma, sabe como é, desenho da Disney ensinando a ter uma personalidade dentro dos padrões da normalidade – coisa que eu tento nem ouvir. O problema é que ninguém cuida da própria vida e acha que pode dar pitaco na vida (e na normalidade) dos outros.

Exemplo bobo e não real: se eu falar que tô numa fase que gostaria de catar meninas, pronto, a Marta é lésbica. Porque pra eu virar homem, só falta isso mesmo. Quem manda não gostar de salto e batom, não é mesmo?

Se eu fosse mesmo e ninguém me enchesse, beleza. Mas não. As pessoas têm de cuidar da vida das outras. Falar “ô Martinha, poxa! Essa conversa tá esquisita aí!” e se afastar devagarinho tipo “vou ali do outro lado onde só tem pessoas normais”.

E aí as pessoas resolveram cuidar da minha vida com meus meninos que eu fico ou não, inventando coisas sem sentido enquanto eu estou longe o suficiente para não poder me defender.

Bonito, hein? Gente que inventa coisas e espalha boatos sem a idiotona aqui – que nem aproveitou nada pra tirar casquinha nenhuma – poder olhar pro céu e dizer “Por quê o mais zoado deles, meu Deus? Por quê eu?”.

Essa é a minha vida. Quinta-série all over again. Sou eu que deixo? Sou eu que tenho 11 anos ainda? Ou o mundo que esqueceu de crescer e olhar pro seu fucking próprio rabo em vez de ficar reparando no meu?

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2 comentários para "Vou te dar um gato de presente pra você cuidar da vida dele, não da minha" | Adicione o seu »

  1. Ray
    abr 17, 2010 @ 03:33 {Responder}

    Nem é você quem deixa. Seres humanos em geral tem essa mania escrota de se metar na vida alheia.
    Agora, vou apanhar muito se fizer uma piada com essa coisa de pessoas reparando em rabos e tal?

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