Dia da mulher, de novo

Então, é mais um oito de março, mais um lindo dia da mulher, onde todos os homens da rua te dizem “parabéns” e alguns estabelecimentos/trabalhos/políticos lhe dão rosas como um pedido de desculpas por terem queimado um monte de seres humanos com genes XX em uma fábrica a 99 anos atrás.

Ano que vem serão 100 anos. Mal posso esperar pelos especiais da TV aberta.

Mas ainda os seres humanos com genes XX (e consequentemente peitos) ainda têm salários mais baixos que os com genes XY. Além de injustiças físicas naturais, como TPM, mijar sentada e celulite.

Como se não bastasse, as pobres 140 (e você pensando que eram milhares!) morreram queimadas para que as outras (agora sim, milhares) pudessem trabalhar, votar e dirigir como os homens.

E os homens disseram “Então ok, vai lá. Mas alguém tem de tomar conta da casa e das crianças”. E elas tomaram conta e se descuidaram. Então eles arranjaram outras e elas se cuidaram e…

PQPVCS!

Eu vim com a intenção de fazer um post bem #mimimi, então abri um post que escrevi em 2007 só pra ler quando chegasse nesse pedaço. Heh, não mudei muito a opinião de lá pra cá. Mas hoje eu vejo mais coisas.

Hoje parece que todas as pessoas me cobram – coisa da minha cabeça – para ser alguma coisa, para entrar em um esteriótipo. E eu não consigo.

Então virei uma mulher brother muito legal, meio desleixada, bastante nerd, que não se interessa por sapatos, bolsas e maquiagens e que está solteira.

Deve ter qualquer relação com meu peso. Ou com o fato de enjoar de maquiagem.

Deve ser porque eu não sou submissa, porque sou péssima cozinheira, porque não nasci pra ficar em casa.

Deve ser porque sustento conversas nos bares e falo de sexo e garotas gostosas com a maior naturalidade do mundo. Isso deve assustar as pessoas.

Não sei.

Na verdade eu não gosto de ser mulher. Na verdade mulher me irrita um pouco. E não é prático. E ser mulher, por si só, já engorda. É chato, sabe?

Mas eu sou, fazer o quê? Aproveito como posso. Aproveito bastante. E tá bom assim.

Parabéns pra você que é mulher de verdade: aquelas que trabalham, estudam, cuidam da casa, dos filhos, do marido e de si mesmas. Eu tentei um pouco. Mas nem consegui.

  • @LeeeeeRoma

    Poema de Mulher

    Que mulher nunca teve
    Um sutiã meio furado,
    Um primo meio tarado,
    Ou um amigo meio viado?

    Que mulher nunca tomou
    Um fora de querer sumir,
    Um porre de cair
    Ou um lexotan para dormir?

    Que mulher nunca sonhou
    Com a sogra morta, estendida,
    Em ser muito feliz na vida
    Ou com uma lipo na barriga?

    Que mulher nunca pensou
    Em dar fim numa panela,
    Jogar os filhos pela janela
    Ou que a culpa era toda dela?

    Que mulher nunca penou
    Para ter a perna depilada,
    Para aturar uma empregada
    Ou para trabalhar menstruada?

    Que mulher nunca comeu
    Uma caixa de Bis, por ansiedade,
    Uma alface, no almoço, por vaidade
    Ou um canalha por saudade?

    Que mulher nunca apertou
    O pé no sapato para caber,
    A barriga para emagrecer
    Ou um ursinho para não enlouquecer?

    Que mulher nunca jurou
    Que não estava ao telefone,
    Que não pensa em silicone
    Ou que “dele” não lembra nem o nome?

    —- isso sim p/ mim eh ser mulher —-

  • http://pinballm.blogspot.com Demé

    Mas é um estágio natural, eu acho. Veja, homens também mudam. Porque eu não suporto (NEM um pouco) mulheres submissas. Aliás, eu percebi recentemente que se a mulher não tiver aquele quêzinho esperto de acidez e de saber provocar (em especial, intelectualmente), eu enjoo.
    Eu sou um cozinheiro razoável e adoro cozinhar para as pessoas que amo e para as mulheres que amo. E eu fico em casa numa boa caso as perspectivas caseiras sejam muito mais confortáveis e divertidas. Que seja um filme (isso é meio hors concours pra mim né?).

    E é isso que banca: conversas de bar, sexo sem sexismo (de ambos os lados), carinhos, formas bonitas e pensamentos inesperados.

    É bom que você seja gente, e depois, mulher. É bom que existam mulheres como você. Dá uma esperança que existem mais por aí, que a inteligência, carisma, charme, beleza, espírito divertido, inovação e personalidade não estejam restritas, mas que são um passo a frente, natural. Quando as mulheres deixarem de ser mulheres, os homens deixarem de ser homens e todos serem gente. Há seus momentos de ser homem/mulher, mas isso não cabe em uma bandeira erguida o tempo todo. Porque parece que faz diferença e quando percebemos, o erro da diferenciação já foi feito.

    :)