Compulsive

Viciada compulsivamente no dia-a-dia.

Pelo menos por uma semana, mais ou menos mês sim mês não, o mundo não faz o menor sentido pra mim.

É uma se,ama que eu acordo, olho em volta e não entendo nada. Sem entender como, de alguma forma levanto e, surrealmente, chego ao trabalho. Às vezes não consigo nem lembrar se lavei todas as partes do meu corpo. Geralmente esqueço meu guarda-chuva.

Passo o dia todo esperando o dia acabar, tentando parar de enxergar as pessoas como se fossem cadeias de carbono, os computadores como microchips e a internet como amontoados binários.

Nada faz sentido.

Quando finalmente as nove horas passam, às vezes trabalho mais, às vezes vejo meus amigos, às vezes simplesmente vou pra casa.

Se trabalho, as horas de cadeia-de-carbono-microchip-dados-binários se estendem por mais algum tempo até eu desencanar disso e começar a fazer tudo automaticamente.

Se vejo os amigos, converso e me divirto. Aproveito o álcool ou a cafeína para tentar equalizar as freqüências da realidade. Funciona por algumas horas. Volto para casa me sentindo o ser mais solitário do cosmo e não sei explicar o porquê.

Mas o resultado mais efetivo é simplesmente voltar pra casa lendo. Quando leio, vou para aquele universo paralelo e lá tudo faz muito mais sentido.

Hoje é o sétimo dia. Estou cansada.

Acordei e pensei “Meu Deus, qual o sentido dessa vida?” e a resposta veio automática: “42, ué”.

Mas… essa é a realidade do livro e lá faz sentido.

Continuo perdida.

Mas é só por hoje.

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Categories: Chororô, Filosofias vãs

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