21 dez 2009

I’ve been thinking I’m drinking too many drinks all by myself

Post por Má às 00:45 em Filosofias vãs

Ou: filosofias de boteco quando eu bebo sozinha. (segue um post chato pracaralho)

Às vezes o mundo perde o sentido pra mim. Sério. Essa coisa de estudar pra trabalhar pra pagar contas não engloba exatamente algum conceito sobre “felicidade” (se é que o objetivo aqui é esse). Mesmo assim muita gente bate no peito e exibe, orgulhoso, a fantástica vida profissional que conseguiu às custas de… sei lá do quê.

Eu coloquei imagens pra prender a atenção. E ficar mais fofo.

Legal e tudo, eu sempre quis poder falar que eu tenho uma vida profissional. E tenho. Nice, assim.

Mas não é só isso. Não faz sentido, sabe, viver para passar 8h+/dia fazendo qualquer coisa para outra pessoa em troca de trocados para sobreviver. E tudo que a gente faz, desde criança, é voltado pra isso. Esportes e Artes já não fazem sentido há muito tempo – pelo menos na minha cabeça. Digo, futebol é uma coisa estúpida, x pessoas (really: não sei quantas) correndo atrás de uma bola. Mas esporte é vital, simples assim: o corpo precisa. E Artes, que não faz sentido para muita gente, é o que ainda mostra que nós somos humanos. “Ah, mas você pinta pra quê? Você faz poesia pra quê? Você vende suas fotografias?” Não, gente. Eu só gosto de lembrar que eu existo (e não, eu não pinto, eu só desenho mal-e-porcamente).

Daí as pessoas falam: “Ah, você tem de sair. Ver seus amigos.” e os mais radicais dizem “A vida não faz sentido sem o amor”. A verdade é que a vida não faz sentido nunca, mas como o amor também não faz, a gente mistura tudo e segue sem se importar tanto.

Então aparecem as desilusões e parece que alguém joga um balde de água fria, e tudo fica frio, fica cinza. Não dá vontade de sair do circuito sofá-computador-cozinha nem se for num domingo de sol. Sair pra quê? Vontade só de esperar o tempo pingar lento e o dia acabar.

Esse é o tipo de coisa que só acontece na internet. Não se iluda que nem a bobona aqui.

Esses dias eu comecei a pensar em padrões de beleza, porque minha auto-estima anda meio baixa, sabe como é. Ouvi no Fantástico (eu avisei: domingo com circuito TV-PC-comida, só podia dar Fantástico) que a moda desse ano é o mini. Mini short, saia, vestido. Apavorei (não leia “aprovei“). Primeiro porque as meninas lindas e magras que podem, se exibem e nos ofuscam. E nós que não podemos nos dividimos em dois grupos: as feias que querem se convencer que são confiantes e as sensatas que usam jeans do joelho pra baixo nesse calor absurdo.

Eu não sou assim, eu nunca vou ser assim e eu fico solteira por mais tempo do que as que são assim só por não ser assim. Isso me incomoda.

A gente toma outra cerveja, come mais uma batata frita e paga de legal/nerd/confiante porque vê vários garotos sempre reclamando de como as namoradas são fúteis, chatas e mesquinhas. A gente dá mó apoio e vai no bar junto só porque vê todos eles falando “Imagina, amor, tô no trabalho ainda” enquanto a Guiness nova não chega. E o que a gente ganha? “Ah, você é complicada demais”.

P** no seu c* então, c*r*lh*. Sou gorda, complicada, pago de nerd mas ainda não vi o resto da segunda temporada de Star Trek clássica, dei uma pausa no meu Sr dos Anéis – As duas torres pra ler Tamanho 42 não é gorda da Meg Cabot, ando com um DS pra cima e pra baixo mas só jogo Space Invaders e Gardening Mama e pago de webdesigner mas só faço HTML pra CMS, sistema pronto.

Eu sou uma farsa. Mas todo mundo é.

E a gente faz o quê com tudo isso?

Sei lá; mas vou dormir que tenho de trabalhar amanhã.

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1 comentário para "I’ve been thinking I’m drinking too many drinks all by myself" | Adicione o seu »

  1. dez 21, 2009 @ 14:53 {Responder}

    Maior mentira essa de “fico solteira por mais tempo” hein… Quer medir forças no quesito? hahahahaha

    Mas agora, falando sério, eu te entendo porque passei por isso recentemente. Não vou te dizer que minha vida está cheia de sentido e amor, tenho meus momentos de dúvida e crises existenciais, assim como todo mundo que pára uma vez ou outra pra olhar pro umbigo e ver se tá tudo bem.

    O que eu posso te dizer é que toda essa “auto-análise” é válida, e que também é saudável procurar as respostas simples pra, pelo menos, ter motivação pra sair da cama, fazer um café e ir pra rua. A *minha* solução foi investir no que eu gosto de fazer, e, de fato, FAZER. Entrar em loop infinito nunca foi bom pra mim, e conversar com outras pessoas sempre é legal pra adquirir perspectivas diferentes sobre o assunto.

    Botar pra fora é o primeiro passo. O segundo é agir. ;-)

    P.S.: De preferência converse pessoalmente com os amigos. Acredite, é melhor que por email. (quando estiver precisando, pode me chamar)

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