Ahhhh o amor platônico. Eu realmente não deveria falar sobre isso, mas infelizmente li meu Google Reader antes de postar e só sobrou minha alma nua.
Se escrevo tudo que vivo, já devo ter falado sobre isso uma infinidade de vezes. É uma recorrência da minha vida. Foi um bom começo de adolescência acreditando que o amor platônico era tudo que era necessário para se ter um namorado, um amor real. Acreditando até que o platônico era o real. Inocência.
Dez anos depois a gente, por mais que não queira tanto assim, sabe que não é por aí. Que existem filmes e existe a vida real. Que príncipe e cavalo branco não são parceiros de realidade, de vida, da mesma forma como não acordo todo dia como uma princesa. Afinal, ninguém quer viver uma ilusão.
Mesmo assim, receio ser dessas pessoas que quase sabe o que é um amor platônico e um real. Que o platônico nem deveria se chamar amor, por não ser real. Paixão, talvez.
O gostoso da paixão platônica é que é como um quadro de um lugar lindo que você nunca foi: é gostoso de olhar e se imaginar ali. E o triste é que talvez você nunca irá. Um amigo dizia que tinha gente que era tão bonita que era para ficar na estante e nunca ser tocada. Eu chamei de “areia demais pro meu caminhãozinho”, mas soou pejorativo. Tanto faz. Essa euforia toda por alguém que você mal conhece deveria ter algum remédio.
“- Ele deve ter chulé.”
“- Eu não ligo nem se ele tiver bafo.”
Eu vou me arrepender pra sempre disso, mas na hora não: uma vez eu tive um baita dum amor platônico em um dos empregos que eu tive. No meu último dia, ele me deu um selinho no elevador. E acabou ali minha quota de realidade em platonisse. Tão triste. Queria ter gastado esse crédito com outras pessoas.
Eu comecei a procurar algo para ilustrar esse post e não há nada melhor do que o Don’t touch my moleskine (um dos blogs mais lindos e fofos da humanidade). Nesse blog, a Daniela Arrais pergunta “O que é o amor para você hoje?”. Se ela perguntasse para mim, eu responderia: O amor pra mim, hoje, é platônico. O amor é o tipo de coisa que só é real quando a gente vive. Enquanto eu não vivo, aproveito as platonisses como se fossem reais, mas esperando no fundo que elas acabem logo e sejam substituídas pela realidade. Algo mais sólido e menos purpurinoso que a imaginação, é verdade, mas a realidade me agrada um bocado só por ser real.
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Isso não é uma desilução. Nem falta do tal amor. Isso é uma intensa agitação que precede ou reconhece o começo e/ou o fim de uma paixão. Nisso reside incrível humanidade e diferencial na capacidade sentir. O resto que se dane, amiga! Se quiser chorar de rir da “Boa dor do amor” vai no Blog: http://tinyurl.com/robcarlos – Valeu.
Oi, eu tenho cinco anos e ri com o nome do cara ali, ó xD
Mas, piadas à parte, enquanto você não se afundar nas platonisses, tá tudo bem.
O problema disso só é o exagero, quando você passa a viver mais na sua imaginação do que no mundo, entende?
Acho que nós duas sabemos que o bom da paixão platônica é que ela continue assim. Na maioria das vezes, trazer a situação pro “plano real” estraga a beleza da coisa. (Ô se estraga!)
Então, como diria o velho sábio chinês: Parcimônia aê, maluco!
“O gostoso da paixão platônica é que é como um quadro de um lugar lindo que você nunca foi: é gostoso de olhar e se imaginar ali. E o triste é que talvez você nunca irá. Um amigo dizia que tinha gente que era tão bonita que era para ficar na estante e nunca ser tocada. Eu chamei de ‘areia demais pro meu caminhãozinho’, mas soou pejorativo. Tanto faz. Essa euforia toda por alguém que você mal conhece deveria ter algum remédio.”
muito obrigada por compartilhar isso. =]