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Eu sou normal.

by Marta Preuss on outubro 26th, 2009

Ontem percebi que eu sou muito bobinha e normal.

Estava conversando com ele, conhecendo ele, ouvindo sua história. Ele disse que não esperava me contar essas coisas. Ainda perguntou um “Você tá terminando comigo?” quando eu disse que a gente era mega diferente. Eu o beijei e disse que não. Não teria porque.

Eu sempre pensei que estava fazendo o melhor possível. Sou dessas pessoas que começou a beber só depois de 18 anos. Quem bebe depois de 18 anos? Nunca experimentei nenhuma droga ilícita. Nunca roubei nada, nem copo de bar. Nunca transei no banheiro nem em lugares públicos. Nunca bati em ninguém (só no boxe do wii e bêbada. Beijos, Anita.) Fui uma ótima aluna, arranjei emprego e sou uma boa funcionária.

Eu caí nos planos deles direitinho. Estudei e virei mão-de-obra. Minha vida é contada em séries escolares e empregos que tive.

E vai continuar assim. Não vejo outras estradas, outros caminhos. Não sei o que “outro” existe. Se é que existe. Estou trabalhando por dinheiro e acho isso muito triste.

Me sinto vazia, boba, imbecil, meio inútil. Me sinto sem história. Me sinto mais uma pecinha do war, uma de qualquer cor, ou aquela pecinha branca do Palvras Cruzadas que serve pra qualquer letra, tem qualquer valor. Com sorte, alguns viram um Q que vale, sei lá, entre 9 ou 15, mas a maioria vira A mesmo, que vale 1 mas que serve pra tudo.

Estou ouvindo Engenheiros do Hawaii desde 8h da manhã (são exatas 11h36) sem pular quase nenhuma música. Minhas últimas TPMs foram todas pensativas-deprimidas.

“Todo mundo é eterno, todo mundo é moderno, como um relógio antigo. Todo mundo underground no mainstream, todo mundo é moderno, todo mundo é eterno. Ontem, ano passado, antigamente. Amanhã, ano que vem, ano 2000. Todo mundo é moderno, todo mundo é eterno da boca pra fora, do fundo do coração. (…) Então, porque esse medo de ficar pra trás, de não ser sempre mais, de nunca mais poder?”.

From → Pessoal

One Comment
  1. Marta…achei lindo seu texto… Já fui normal. Hoje luto cada dia para não ser, e não é fácil largar nosso mundinho seguro e ir atrás de sonhos e aventuras. Mas eu fiz isso, e não me arrependo. Confesso que um dia vou fazer parte dEles (quero ser publicitária). Só digo uma coisa… nunca é tarde para tentar. É bom viver em uma eterna adolescência – é como me sinto, aos 22 anos. Recomeçando, experimentando, errando. é… acho que não sou normal. Seu texto me inspirou a fazer um poema… Abraços

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