Como assim não precisa de diploma?
Foi no meio do ano que o STF decidiu que, para ser jornalista, não precisava mais de diploma.
Os futuros profissionais cairam matando, com razão. Alguns profissionais de outras áreas achavam realmente dispensável. Aquela desculpinha de “Sua profissão não vai matar ninguém” quase ofende quem se mata de estudar e se esforça para fazer um trabalho sério.
Na época, eu, formada em Comunicação Social com habilitção em Mídias Digitais, dei de ombros. As pessoas mal são capazes de escrever “webdesigner”, quem dirá fazer disso uma profissão regulamentada. Meu diploma não tem praticamente valor nenhum, o MEC nunca passou pelo meu curso e eu fui da segunda turma. Mesmo assim, tô aqui, empregada (pelo menos por enquanto). Não me arrependo de ter feito faculdade. Aprendi muito mais do que achei que fosse. E levei isso ao jornal: precisar, não precisa. Mas uma Folha vai escolher a mim ou a uma pessoa graduada para trabalhar lá?
Não bati à porta da Folha, mas vi um curso de Jornalismo Cultural no Senac e me interessei. Eu tinha acabado de entrar no QG e queria escrever resenhas com mais qualidade. O curso custou pouco mais de R$400 por uma semana e foi fantástico, tanto pelo conteúdo, professora, colegas e estrutura.
O problema é que eu gostei demais da coisa e realizei, pela primeira vez em uma vida inteira, que jornalismo era mais do que ser repórter. Agora eu quero ser jornalista, e não consigo ser jornalista sem faculdade.
Primeiro: outro dia recebi um email com umas seis vagas de estágio em jornalismo. Era empresa séria, com RH contratado e tudo. Se eu não faço faculdade, não posso fazer estágio. Damn.
Segundo: eu escrevo bem pra quem escreve aí no dia-a-dia e as pessoas conseguem entender o que eu digo, mas escrevo mal comparada a um jornalista. “Creio que tem duas formas de se conseguir realizar seus sonhos: tendo o dom, nascendo com o dom mesmo; ou correndo atrás. Você não tem o dom, então melhor estudar mesmo” (e assim a gente reconhece um amigo de verdade). Essa falta de técnica me incomoda demais.
Problema: Eu fiz uma pesquisa por cima essa semana, e essa é a tabela de preços que encontrei pros cursos de jornalismo em São Paulo (válida pro final de 2009). Os valores vão de R$649 a R$941,11 (qualquer coisa me peça a lista)
Se não precisa de diploma, por que o curso é tão caro?
Resposta óbvia: porque precisa.
E aí todos nós entramos no lindo ciclo do desespero universitário (com a ajuda do Lovely Charts)
E agora, cara pálida? Eu vou ter de continuar no meu emprego atual para pagar minha faculdade. Só que eu não trabalho numa firma: eu sou webdesigner, eu preciso me dedicar pra manter meu emprego. E eu tenho um defeito grave de não conseguir me dedicar ao que não amo tanto. Passo meus dias lendo e escrevendo, mas não sei fazer um if (mentira, eu sei sim) em PHP. So sad, isn’t it?
(pior que mesmo que eu me mantenha no meu emprego, não dá pra pagar, só pra constar.)
Então, não percam os próximos capítulos onde eu acho uma solução incrível para todo o dilema ;D



Eu andei pensando muito sobre isso. Resolvi não expor minhas opinião quando minhas amigas jornalistas perguntaram. Mas como isso é um blog, deixo minha idéia aqui no comentário:
Eu sou a favor dessa abolição do diploma de jornalismo.
Digo mais. Aboliria o diploma de (quase) todos os cursos da área de comunicação.
Por que? pelo simples motivo de que: quem faz bem, se garante.
Midias Digitais não tem um diploma, tem? vc não sai por ai falando que tem um diploma de hipermidiatico (até pq isso não existe).
Você simplesmente trabalha. faz seu trabalho. Se ele for bem feito, você se garante.
Com esses blogs (não considero os que copiam e colam, que fique claro..eu digo os bons) podemos perceber que as pessoas sabem escrever mesmo sem ser jornalistas.
Em suma: se os jornalistas estão com medo de perder seu trabalho pra um problogger ou etc, eles que escrevam melhor.
Olá Compulsive li sua matéria e me interessei em receber a lista de preços dos cursos de Jornalismo.
Agradeço e Parabéns pela matéria.