Geralmente sou uma pessoa muito tranquila porém empolgada no meu trabalho, mas quando encontro código antigo mal feito essa é a minha vontade.
O que te define
Algumas pessoas dizem que são suas companhias, sua religião ou o que você come, mas o que define quem você é na verdade é como você lida com seus medos e como você lida com as suas frustrações.
Repare. Veja antes os outros que é sempre mais fácil.
Gente que grita? Modo de lidar com o medo de ser ignorado, insegurança.
Gente que come demais? Modo de lidar com os problemas.
Exagera na academia? Forma de lidar com a auto-estima defasada.
Gente que odeia academia e regime? Dificuldade de lidar não só com a auto-estima defasada como também a de não lutar contra isso.
Quando você entende que tudo que você faz é reflexo de como você lida com seus medos e frustrações, começa a encará-los de frente e entender as pessoas que antes te irritavam.
Aí fica mais fácil. Porque você não se distrai nem cria novos problemas. Porque você fala “Estou procrastinando porque sinto muita dor e muito medo de operar. Preciso me concentrar porque a vida segue até o fim do mês e sabe se lá quando vou operar, então deixa pra pensar nisso depois” em vez de culpar o trabalho ou qualquer outra coisa.
Olhe para suas atitudes, as mais impulsivas, e cave o que te levou àquilo. Talvez, identificando seus medos e frustrações, seja mais fácil levar a vida.
Rótulos
Esse lance de rótulos é muito relativo. Todo mundo rotula as coisas, mas quem é rotulado nem sempre gosta do título. Por exemplo, a primeira regra para ser um hipster é negar que é hipster até a morte – a segunda é usar óculos de aro grosso, tatuagens, cabelo esquisito e neón. O mesmo para nerds, douchebags, etc.
É difícil eu me encaixar nesses grupos. Eu gosto de andar toda fofinha, de cor-de-rosa, ouvindo Korn. Ou estar felicíssima e fechar a cara quando ando sozinha na rua. Eu gosto de meninos e meninas e já ouvi assim: “Antes de te conhecer não sabia que existiam pessoas tão ecléticas”, porque eu ouço as músicas que Glee fez e na mesma playlist tem Muse, Creed, Elis Regina, Red Hot Chilli Peppers e por aí vai.
Eu sou filha da internet, mas eu adoro passear em parques e tirar fotos. Gosto de trabalhos manuais. Gosto de ler e de Faustão/Fantástico. Gosto de cuidar do meu cabelo, de moda e de Star Trek. O primeiro site que eu fiz chamava “Salada” porque eu não conseguia escolher apenas um tema para fazer um site.
Como tudo na vida, ser uma pessoa tão eclética tem seus lados bons e ruins. Eu tenho vários amigos de tudo quanto é canto, cada um do seu jeito, e me dou bem em vários grupos diferentes. Faço amizade fácil. Teve um aniversário meu que não pude convidar quem eu queria porque era amiga de grupos opostos. Consigo conversar desde esmalte até Doctor Who. Sei cantar de pagode a Kiss.
Mas sem rótulos definidos, eu fico sem fazer parte de grupo nenhum. Por exemplo, metade dos meus amigos estão se preparando para o casamento, a festa, compraram apartamento, estão vendo móveis planejados, etc. A outra parte está curtindo o namoro e mais preocupada em sair e se divertir, ou em começo de rolo, ou em término recente. Eu tô no meio! Namoro faz tempo mas não vou casar em igreja. Não tenho esses assuntos.
É muito difícil eu querer ir pra um show ou balada, também. E eu detesto futebol e não fumo. Pronto, lá se foram mais dois rótulos sociais. E eu não consigo decidir em quê eu faço pós-graduação: design ou ciências sociais?
E aí você fala “ain mas você é nerds” só porque, sei lá, acho academia meio bbk (dsclp) e jogo xadrez, mas parando pra pensar….

No fim, acho que somos apenas todos iguais, tentando encontrar pessoas que gostem de coisas semelhantes para ter assunto. Nada demais.
Não tem graça.
Vocês me desculpem mas esse vai ser um post forte. É preciso.
Todo mundo gosta de por a culpa em alguém ou achar que nunca vai acontecer por perto. É que vocês têm me magoado com sua postura quando se fala de suicídio. Vocês fazem piadas. Vocês desejam que a pessoa morra longe, escondida, sem atrapalhar o metrô.
Não vejo ninguém questionando se o “corpo na via” se jogou ou caiu por acidente. Ou mesmo teve um desmaio, um ataque cardíaco. Não. Tá no trilho é porque tentou se matar.
Aí todo mundo fica “Af não basta ser um bundão, um covardão, um frouxo de não aguentar a própria vida, ainda atrapalha a vida dos outros” mas vocês, egoístas mimados, não param um segundo para pensar no inferno que aquela pessoa pode estar vivendo.
Vocês ainda acham normais seus problemas de imagem e auto-estima. Vocês acham normal viverem frustrados, de balada em balada, de porre em porre, como se isso sim fosse muita coragem de enfrentar a vida. Não satisfeitos, ainda criam um modelo de vida não só inatingível como também sem conexão com a verdade de cada um e esculacham quem não se encaixa por inveja de não ser quem realmente é.
Pois bem, tenho uma historinha pra vocês.
Eu sempre fui a pessoa mais “feliz” da minha casa. Sempre fui a que tinha mais amigos e a que lutava com menos dificuldade contra a maré de negatividade que é viver em depressão. Tive depressão desde a adolescência, nunca diagnosticada, nunca tratada. Meu modelo de vida era aquele e eu não sabia que existia uma vida diferente daquela.
Quando não consegui mais trabalhar de tristeza, procurei ajuda. Ela parecia ter ajudado. Remédios e terapia. O Rivotril, que vocês tomam feito agua e acham graça. O que vocês falam “haha ele é louco, tomou seu tarja preta hoje?”. O que criativos tomam para aguentar os clientes.
Eu achei que estava bem e voltei a trabalhar, mas a crise voltou. Não conseguia parar de chorar. Não conseguia trabalhar e era um emprego novo para pagar minha pós. Justo eu, a mais feliz. Não tinha o direito de ficar triste. Nem motivo. Mas estava.
Vocês não sabem o desespero que é ter uma doença invisível. Parece tudo escuro, eterno e sem esperança. E vocês chamam de frescura!
A minha “frescura” desesperada me fez tomar seis comprimidos tarja-preta, mas não fizeram efeito. Não parei de chorar. A lobotomia instantânea não funcionou. Então sai para almoçar com um amigo.
No caminho tinha um bar e eu sabia que Rivotril com bebida dava ataque cardíaco. Um jeito fácil de resolver o problema, todos os problemas. Eu não conseguia trabalhar. Eu não servia para mais nada. Aquilo nunca ia acabar e se fosse para viver no inferno, qual seria a diferença?
Tomei uma dose de tequila prata (eu nem gostava da prata!). Mas não tive o prometido ataque cardíaco. Fiquei foi extremamente bêbada e dopada de remédio. Perdi a noção de mim. Não conseguia andar direito nem escrever.
Consegui, ainda assim, subir a Augusta da Alameda Franca até a Paulista. Na Praça do Ciclista, uma das grades faltava. Eu olhei para baixo, pensei “Agora é a hora” e me joguei.
Quase cai em cima de um carro com duas crianças – foi a primeira coisa que me disseram. Eu podia ter sido atropelada inclusive por ônibus, mas não fui. Com certeza atrapalhei o trânsito da hora do almoço. Desculpem por isso.
Desculpa se eu estava desesperadamente sem esperanças, se nenhum médico conseguiu me ajudar e se o remédio que me deram tinha, como efeito colateral, indução ao suicídio. Desculpa se a vida toda me podaram os limites, dizendo que não podia participar das aulas porque tava me achando, e desculpa se eu era paga para mudar corzinha de letrinha e todo meu potencial foi reduzido a nada e eu pirei.
O resto são números: 4 bolsas de sangue, 15 dias de UTI, 2 ossos quebrados, 50 sessões de fisioterapia, o que vocês já sabem.
Não é a primeira vez que uso esse blog para me confessar, e quase posso ouvir minha mãe falando “Marta, não fica contando pra internet inteira que você tentou se matar, que coisa feia”. Mas e se eu vivi para contar? E se a minha função for despertar vocês para seu próprio tratamento e o respeito pela vida alheia?
Cada vez que vocês falam “ain mas não tinha outro lugar pra morrer senão o metrô?” vocês estão caçoando de mim. Cada vez que vocês fazem uma piada com suicida, estão rindo de mim. Cada vez que vocês brincam de “tomei rivotril e fumei maconha”, vocês estão zombando de mim.
Parem.
Parem de ignorar vocês mesmos, parem de ignorar que somos seres vivos, humanos, e temos sentimentos. Parem de encaixar todo mundo no modelo homem-branco-hétero-classe média.
PAREM DE CULPAR A VÍTIMA.
Já que você não consegue ficar chocado a cada notícia de suicídio, pelo menos pare de fazer chacota. Você ajuda as pessoas a desistirem. Não seja isso. Por favor.
Trabalhe todos os dias para ser uma pessoa mais gentil, que entende melhor os outros e mais respeitosa. Pense só um segundo do outro lado. Só isso. Obrigada.
[EDITADO EM 30/04/13]
Talvez não tenha ficado claro, mas isso foi há 2 anos. Eu melhorei muito de lá pra cá, troquei de terapeuta e psiquiatra e voltei a trabalhar. Não tenho crises de choro como antes e controlo bem a minha ansiedade. Não tenho nenhuma vontade de repetir nada disso e tenho muito apoio da minha família, amigos e até emprego.
Espero que vocês achem ajuda e melhorem também. Mas não fiz esse post para vocês. Fiz para quem está super longe desse universo. Não queremos que ninguém passe por isso, por isso conscientizar é importante.
Outros comentários que eu achei importante responder eu respondi. Quem não foi respondido é porque apenas concordo e desejo melhoras.
2001 – A Space Odyssey (livro)
2001 é uma aventura escrita por Arthur C Clarke e filmada por Kubrik. É meu filme favorito, já assisti várias vezes – mas só entendi depois de uma apresentação em flash (!) que achei na internet.
Depois de ler o livro, ficou claro a dificuldade em entender. O filme funciona como a ilustração do livro. O complementa, ajuda a entender, desde que você tenha lido. Sem ler, são imagens sem texto: dá para compreender, mas não é a mesma coisa. Claro que Kubrik fez um trabalho excelente. Mas a obra de Clarke, pelo menos, faz sentido.
A história é dividida em cinco partes: a origem humana; o homem à Lua; o homem a Jupiter; o homem a Saturno; o homem ao Espaço. Todas as partes norteadas por um estranho artefato, um monolito, que desafia a curiosidade. Quem fez uma peça em proporções e acabamento tão perfeitos? Para quê serve? Da onde veio? São algumas das perguntas que desde os primatas até o mais avançado dos cientistas tentam responder. Ficção científica das mais respeitadas.
Mesmo que os dois tenham sido criados mais ou menos juntos, existem algumas diferenças entre livro e filme, claro. A que fez mais falta foi Dave saindo para resgatar o corpo do amigo assassinado por HAL e dizer “Open the pod bay doors, HAL” “I am sorry, Dave, I am afraid I can’t do that.” – um dos mais icônicos diálogos entre homem e máquina.
É um livro incrível, o primeiro que li inteiro em inglês de tão bom. Sua cabeça não consegue parar de pensar no Espaço, nos ETs, no projeto super-secreto de descobrir vida fora da Terra. Até sua criatividade é estimulada a níveis extremos. Adorei.
Recomendo assistir o filme primeiro e ler o livro depois. Ajuda a visualizar e entender. Para quem curte ficção científica, é praticamente leitura obrigatória.
A volta ao mundo em 80 dias
Imagine um inglês daqueles bem ingleses, bem excêntricos. Muitíssimo educado, polido, com hábitos pontuais e regulares. Esse distinto senhor faz uma aposta com seus colegas jogadores de whist: dar a volta em precisos 80 dias. Eles dizem ser impossível e apostam 20 mil libras na façanha. E assim, sir Phileas Fogg parte imediatamente para sua aventura com seu novo criado, o francês Passepartout.
Como se a missão não fosse complicada o suficiente para a época, houve um grande roubo no banco e o detetive Fix nota que a descrição do ladrão bate com sir Fogg. Então ele começa a correr atrás do distinto cavalheiro, esperando sempre um mandato de prisão chegar. Sir Fogg seria capaz de ter feito tal ato?
A dúvida acompanha o leitor enquanto Fogg, Passepartout e Fix atravessam todo o mundo conhecido no romance de 1873. A Volta ao Mundo em 80 Dias não é um livro inédito de Júlio Verne, então você deve estar se perguntando por quê fazer post uns 140 anos atrasado. Explico: Verne é considerado por muitos o pai da ficção científica, então eu não poderia deixar de ler quem criou meu gênero favorito; só não esperava que a leitura fosse me prender tanto.
Por ser um clássico, imaginei que fosse ser cansativo ou com a linguagem muito rebuscada. Ok, tem algumas palavras que entendi pelo contexto mesmo, mas o ritmo é fantástico. Essa dúvida se Fogg foi ou não o ladrão move mais do que as aventuras em si. A coragem e determinação do inglês e sua inabalável calma ensinam a confiar nos acontecimentos. Se em 1873 um inglês fica tão calmo com seus transportes em volta do mundo, em 2013 eu acho que posso esperar o trem seguinte – que parte em 3 minutos, não em 5 dias.
O livro é espetacular – e a melhor parte é que é domínio público, então você pode baixar e ler gratuitamente agora mesmo. Divirta-se!